Supõe-se de modo geral que o arminianismo resulta da leitura das Escrituras de uma maneira "natural", sem preconceitos e sofisticações, e que o calvinismo é um desenvolvimento desnatural, menos produto dos próprios textos sagrados do que da lógica profana que se alicerça nos textos bíblicos, distorcendo o sentido claro dos mesmos e perturbando-lhes o equilíbrio, ao forçá-los para dentro de um arcabouço sistemático que a própria Bíblia não ensina. Apesar de que isso possa exprimir uma verdade acerca de alguns calvinistas, nada poderia estar mais afastado da verdade, no tocante a uma generalização do calvinismo.
Certamente, o arminianismo é "natural" em certo sentido, isto é, que representa uma perversão característica do ensino bíblico por parte da mentalidade decaída do homem, que, até no que concerne à salvação, não pode suportar ter de renunciar à ilusão de ser o dono de seu destino e o capitão de sua própria alma. Essa perversão já havia aparecido antes no pelagianismo e no semi-pelagianismo do período patrístico, e, posteriormente, no escolasticismo, tendo reaparecido, desde o século XVII, tanto na teologia católica-romana quanto entre os grupos protestantes, em vários tipos de liberalismo racionalista e dentro do moderno ensino evangélico. Não duvidamos que essa perversão sempre haverá de continuar entre nós, neste mundo. Enquanto a mente humana caída for o que é, a maneira arminiana de pensar continuará a ser um tipo natural de equívoco. Porém, a interpretação arminiana não é natural em qualquer outro sentido.
De fato, o calvinismo é que compreende as Escrituras em seu sentido natural, ou, conforme poderíamos afirmar, em seu sentido inescapável. O calvinismo é que sustenta o que a Bíblia realmente diz. O calvinismo é que insiste em levar a sério as assertivas bíblicas de que Deus salva, e que Ele salva àqueles aos quais escolheu para serem salvos, salvando-os através da graça, sem o concurso das obras humanas, de tal maneira que ninguém possa jactar-se, porquanto Cristo lhes é dado como um perfeito Salvador, e que a salvação inteira deles deriva-se da cruz, que a obra remidora deles foi concluída na cruz. É o calvinismo que dá a devida honra à cruz. Assim, quando um calvinista canta:
"Uma colina verde existe além,
Sem ter os muros a lhe rodear
Onde o Senhor Jesus, o Sumo Bem,
Na cruz morreu para nos salvar.
"Pelo nosso pecado Ele morreu,
Para fazer bondoso o nosso coração.
E para o céu ganharmos, você e eu,
Seu sangue deu por nossa salvação",
ele realmente assim entende as coisas. Ele não diz que o propósito salvador de Deus, na morte de Seu Filho, foi de eficácia, cujo cumprimento depende da vontade do homem de crer, de tal maneira que, apesar de tudo quanto Deus podia fazer, Cristo poderia ter morrido sem que ninguém fosse salvo. O calvinista, pois, insiste que a Bíblia vê a cruz como a revelação do divino poder de salvar, e não a impotência divina. Cristo não obteve uma salvação hipotética para crentes hipotéticos, uma mera possibilidade de salvação para qualquer indivíduo que quisesse crer. Antes, proveu uma salvação real para todo o Seu povo escolhido. O precioso sangue de Cristo realmente "salva a todos nós"; desse sangue deriva-se o efeito tencionado de Sua auto-oferta, por causa daquilo que a cruz envolve. Seu poder salvador não depende da adição da fé; seu poder salvador é de tal natureza que a fé flui desse poder. A cruz garante a plena salvação de todos aqueles por quem Cristo morreu.
"Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gl. 6:14).
J. I. Packer
In: O antigo Evangelho.
Fonte: Cinco Solas
Certamente, o arminianismo é "natural" em certo sentido, isto é, que representa uma perversão característica do ensino bíblico por parte da mentalidade decaída do homem, que, até no que concerne à salvação, não pode suportar ter de renunciar à ilusão de ser o dono de seu destino e o capitão de sua própria alma. Essa perversão já havia aparecido antes no pelagianismo e no semi-pelagianismo do período patrístico, e, posteriormente, no escolasticismo, tendo reaparecido, desde o século XVII, tanto na teologia católica-romana quanto entre os grupos protestantes, em vários tipos de liberalismo racionalista e dentro do moderno ensino evangélico. Não duvidamos que essa perversão sempre haverá de continuar entre nós, neste mundo. Enquanto a mente humana caída for o que é, a maneira arminiana de pensar continuará a ser um tipo natural de equívoco. Porém, a interpretação arminiana não é natural em qualquer outro sentido.
De fato, o calvinismo é que compreende as Escrituras em seu sentido natural, ou, conforme poderíamos afirmar, em seu sentido inescapável. O calvinismo é que sustenta o que a Bíblia realmente diz. O calvinismo é que insiste em levar a sério as assertivas bíblicas de que Deus salva, e que Ele salva àqueles aos quais escolheu para serem salvos, salvando-os através da graça, sem o concurso das obras humanas, de tal maneira que ninguém possa jactar-se, porquanto Cristo lhes é dado como um perfeito Salvador, e que a salvação inteira deles deriva-se da cruz, que a obra remidora deles foi concluída na cruz. É o calvinismo que dá a devida honra à cruz. Assim, quando um calvinista canta:
"Uma colina verde existe além,
Sem ter os muros a lhe rodear
Onde o Senhor Jesus, o Sumo Bem,
Na cruz morreu para nos salvar.
"Pelo nosso pecado Ele morreu,
Para fazer bondoso o nosso coração.
E para o céu ganharmos, você e eu,
Seu sangue deu por nossa salvação",
ele realmente assim entende as coisas. Ele não diz que o propósito salvador de Deus, na morte de Seu Filho, foi de eficácia, cujo cumprimento depende da vontade do homem de crer, de tal maneira que, apesar de tudo quanto Deus podia fazer, Cristo poderia ter morrido sem que ninguém fosse salvo. O calvinista, pois, insiste que a Bíblia vê a cruz como a revelação do divino poder de salvar, e não a impotência divina. Cristo não obteve uma salvação hipotética para crentes hipotéticos, uma mera possibilidade de salvação para qualquer indivíduo que quisesse crer. Antes, proveu uma salvação real para todo o Seu povo escolhido. O precioso sangue de Cristo realmente "salva a todos nós"; desse sangue deriva-se o efeito tencionado de Sua auto-oferta, por causa daquilo que a cruz envolve. Seu poder salvador não depende da adição da fé; seu poder salvador é de tal natureza que a fé flui desse poder. A cruz garante a plena salvação de todos aqueles por quem Cristo morreu.
"Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gl. 6:14).
J. I. Packer
In: O antigo Evangelho.
Fonte: Cinco Solas


