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Estudo do Livro de Mateus 12: 22 a 31 - Parte 2

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Hernandobh
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Estudo do Livro de Mateus 12: 22 a 31 - Parte 2

Mensagem  Hernandobh em Sex 03 Jul 2009, 19:41

Estudo do Sefer Matitiyahu (Livro de Mateus)

Por Sha'ul Bentsion Parte 2


27 E, se eu expulso os demônios dos vossos filhos por Ba'al Zevuv, por quem os expulsam os vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os seus juízes.

Esse tipo de argumentação é típica do pensamento judaico. Se Yeshua expulsava os demônios dos filhos de Israel pelo poder de Satan, então naturalmente conclui-se que os filhos de Israel, ao expulsarem demônios, poderiam ser acusados da mesma coisa.
Assim sendo, se os p’rushim (fariseus) aceitavam as obras dos demais exorcistas e, por razões de ciúmes do poder e popularidade de Yeshua, o acusavam de ter firmado pacto com o príncipe dos demônios, então estavam sendo hipócritas.
A expressão idiomática “serão os seus juízes” significa dizer que aqueles que participavam dessa dualidade de critérios dos p’rushim (fariseus), isto é, os seus filhos (ou que expulsavam demônios ou que tiveram demônios deles expulsos) seriam capazes de apontar a hipocrisia de seus atos.
A acusação de um pacto com demônios era grave, e certamente o acusado, se fosse culpado, seria passível de pena-de-morte. Todavia, ficou estabelecido que Yeshua era inocente, e que os p’rushim (fariseus) estavam levantando sobre ele falso testemunho.
Sobre isso, a Torá diz:
“E os juízes inquirirão bem; e eis que, sendo a testemunha falsa, que testificou falsamente contra seu irmão, far-lhe-eis como cuidou fazer a seu irmão; e assim tirarás o mal do meio de ti.” (Devarim/Deuteronô mio 19:18-19)
Por esta razão, o testemunho de tais pessoas seria o juízo daqueles p’rushim.

28 Mas, se é pela Ruach Elohim que eu expulso os demônios, logo é chegado a vós o Reino de Elohim.

Os judeus do primeiro século já tinham uma plena noção de que viviam em meio a uma batalha espiritual entre o Reino de Elohim e o Reino de Beli’al, o príncipe da desobediência. O sofrimento dos justos já era visto, especialmente por p’rushim (fariseus) e assa’im (essênios), como sendo fruto da ação opressora das forças de Beli’al. Todavia, esperavam que em algum momento Elohim faria reverter essa situação.

Um dos papéis, portanto, do Mashiach seria o de fazer oposição ao Reino de Beli’al, tirando-lhe a autoridade, e libertando o povo da opressão espiritual dos demônios. Isso fica bastante evidente, por exemplo, no manuscrito 11Q13 do Mar Morto, onde a alusão ao Mashiach como Malki-Tsedek (Melquisedeque) deixa claro que não havia apenas uma expectativa de uma batalha unicamente física contra as forças romanas opressoras, mas uma igualmente importante batalha espiritual. Evidentemente que a relação entre a batalha física e a espiritual era objeto de muitas diferentes interpretações em meio às correntes judaicas do primeiro século. Algumas acreditavam que a batalha espiritual precederia a física, outras que ambas ocorreriam ao mesmo tempo, e outras ainda que a batalha espiritual seria posterior à libertação física.
Embora tal crença não fosse uma unanimidade, considerando que as duas principais seitas do Judaísmo (os p’rushim e os assa’im) criam dessa maneira já indica que a existência de uma batalha espiritual era esperada.
O manuscrito 11Q13, abaixo citado, traz a expectativa de que Mashiach lideraria tal batalha espiritual:
“Esta vi[sitação] é o Dia da [Salvação] que Ele decretou [... através de Yeshay]ahu o profeta [acerca de todos os cativos] assim como as Escrituras di[zem: “Quão] belos sobre as montanhas são os pé[s do] mensagei[ro] que [an]uncia shalom, que traz [boas] novas, [que anuncia salva]ção, que [di]z de Tsion: ‘Teu [E]lohim [reina.’”] A interpretação destas Escrituras: “as montanhas” [são] os profeta[s], eles são q[uem foram enviados para proclamarem a verdade de Elohim e para] profeti[zarem] a todo Yi[sra’el.] E “o mensageiro” é o Mashiach da Rua[ch], de quem Dan[i’el] disse: [“Após sessenta e duas semanas, Mashiach será cortado.” O “mensageiro” que traz] boas novas, que anun[cia salvação] é aquele de quem está es[cri]to: [“para proclamar o ano do favor de YHWH, o dia da vingança de nosso Elohim:] para confo[rtar todos os que pranteiam. A interpretação destas Escrituras:] ele os inst[r]uirá sobre os todos os períodos da história pela eter[nidade. .. e nos estatutos da] verdade [... o domínio] que passará de Beli’al e ret[ornará aos Filhos da Luz...] pelo juízo de Elohim, conforme está escrito acerca dele: [“que diz de Tsiy]on: “Teu Elohim reina.” [Tsi]on é a [congregação de todos os filhos da justiça que] guardam a aliança e se desviam de andarem [no caminho] das nações. “Teu E[lo]him” é [Malki=Tsedek, o qual os li]vr[ará do po]der de Beli’al.”
Portanto, Yeshua lembra aos p’rushim (fariseus) que se a Ruach Elohim está nEle, e assim Ele expulsa os demônios e liberta os cativos dentre os filhos de Israel, então a oferta do Reino era real e estava disponível naquele momento (vide comentários anteriores sobre a oferta do Reino.)

29 Ou, como pode alguém entrar na casa do valente, e roubar-lhe os bens, se primeiro não amarrar o valente? E então lhe saquear a casa.

Uma das profecias correntes no primeiro século sobre o Mashiach era a de que Ele amarraria Beli’al. Podemos ver isso no trecho abaixo, do Testamento de Levi, uma das obras da literatura judaica:

"E a glória do El-Eliyon será proferia sobre Ele, e a Ruach do entendimento e da santidade repousarão sobre Ele na água. Pois Ele dará a majestade de YHWH a Seus filhos em verdade para todo o sempre. E nenhum haverá que O sucederá por todas as gerações, para sempre. E durante o seu sacerdócio, as nações se multiplicarão em conhecimento sobre a terra, e serão iluminadas pela graça de YHWH. Em seu sacerdócio, o pecado chegará ao fim, e os opositores da Torá deixarão de pratical o mal. E Ele abrirá os portões do Gan Eden, e removerá a espada ameaçadora contra Adam, e dará a todos os santos de comerem da árvore da vidade, e a Ruach HaKodesh repousará sobre eles. E Beli'al será amarrado por Ele, e Ele dará o seu poder aos Seus filhos para pisotearem os espíritos malignos. E YHWH se regozijará em Seus filhos, e se agradará de Seus amados eternamente. Então Avraham e Yitschak e Ya'akov exultarão, e eu [Levi] me alegrarei, e todos os santos se vestirão de júbilo. E agora, meus filhos, ouvistes tudo: escolhei, portanto, para vós a luz ou as trevas, a Torá de YHWH ou as obras de Beli'al." (Testamento de Levi 5:22-30)
Aqui Yeshua nos indica que Ele de fato amarraria Beli’al, mas vai além. Ele afirma, metaforicamente, que ninguém leva os bens da casa de um homem valente sem antes amarrá-lo.
Da mesma forma, Ele indica que a batalha física não poderia preceder uma batalha espiritual. Afinal, se as forças opressoras estavam sob o comando de Beli’al, então era preciso que primeiramente Beli’al fosse repreendido em sua autoridade, para que posteriormente essa vitória também viesse a se refletir no mundo físico.
Sabemos, por meio das profecias de Dani’el, que essa vitória viria em duas etapas. Em um primeiro momento, Yeshua veio para nos trazer libertação espiritual. Pois, sem isso, não poderíamos jamais adentrarmos o Seu Reino, para sermos capazes de estar a Seu lado posteriormente na batalha final que em breve ocorrerá.

30 Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.

Como pudemos ver no final do texto do Testamento de Levi – e que também se configura em diversos outros escritos encontrados nos manuscritos do Mar Morto – havia a consciência de que uma vez que o Mashiach viesse, haveria um alinhamento das pessoas, quer para com o Mashiach e o Seu Reino, quer para com Beli’al e o seu reino.
Assim sendo, Yeshua aqui relembra aos p’rushim (fariseus) de que nesse conflito espiritual, é necessário escolhermos se estaremos do lado do Mashiach. Ele deixa claro que, nessa batalha, não haverá um terceiro lado, nem qualquer que esteja neutro. Aqueles que não se alinharem a Ele, se alinharão ao reino de Beli’al.

31 Portanto vos digo: Todo pecado e blasfêmia se perdoará aos filhos dos homens; mas a blasfêmia contra a Ruach não será perdoada. 32 Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do homem, isso lhe será perdoado; mas se alguém falar contra a Ruach HaKodesh, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no olam haba.

Considere o contexto que vimos até aqui: Primeiro, Yeshua opera um prodígio que somente YHWH seria capaz de realizar, confirmando Sua identidade. Depois, usa dos sinais proféticos para afirmar que é chegada a hora da batalha espiritual entre o Seu Reino e o reino de Beli’al. Em seguida, vimos que Yeshua adverte aos p’rushim (fariseus) de que eles deverão se alinhar, pois na guerra entre Mashiach e Beli’al, não haverá quem fique neutro, nem há um terceiro lado.
Logo depois disso, Yeshua afirma que a “blasfêmia contra a Ruach” não será perdoada.
Há uma diferença, tanto no hebraico quanto no aramaico, entre o “falar palavra contra o Filho do homem” e “falar contra a Ruach” – no primeiro caso, a expressão é “proferir palavra contrária.” No caso da Ruach, a palavra que é frequentemente traduzida como "blasfemar" ou “falar contra” vem da mesma raíz da palavra "amaldiçoar". Ou seja, blasfemar contra a Ruach HaKodesh (Espírito Santo) significa se auto-declarar inimigo da Ruach Elohim, desejando contra a Ruach toda sorte de males.
Repare, portanto, que Yeshua faz uma separação entre a questão da incredulidade deles para com Ele, Yeshua, e o se declarar abertamente como inimigo de Elohim.
Aquele que se auto-declara inimigo de Elohim, como fez Beli’al, esse não tem o perdão dos seus pecados.
Yeshua aqui nos ensina que até aquele que O insultar será perdoado. Até porque,
aqueles que O insultavam não o faziam porque desejavam insultar a YHWH, e sim
por não terem a revelação de quem Yeshua era.
Por meio de Ruhomayah (Romanos) 11, sabemos, por exemplo, que a revelação sobre a identidade de Yeshua ainda não está plenamente disponível para Yehudá (Judá). Assim sendo, mesmo a palavra proferida contra Yeshua não tem a intenção de ser um voto de rebelição contra Elohim.
Porém, a advertência de Yeshua vem imediatamente após Ele ter revelado a eles, sem qualquer sombra de dúvidas, que Ele era não apenas Mashiach como YHWH feito carne. A partir do momento em que fica explicitamente clara a batalha entre o Reino de Yeshua e o reino de Beli’al, aquele que desejar, em sã consciência, negar a Yeshua, maldizendo a Elohim, esse está conscientemente declarando ser inimigo de Elohim. Esse não tem perdão, nem agora, nem no mundo vindouro.
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