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Estudo do Livro de Mateus 12: 22 a 31 parte 1

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Hernandobh
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Estudo do Livro de Mateus 12: 22 a 31 parte 1

Mensagem  Hernandobh em Sex 03 Jul 2009, 19:38

Estudo do Sefer Matitiyahu (Livro de Mateus)
Por Sha'ul Bentsion
Capítulo 12 – Parte 1

22 Trouxeram-lhe então um endemoniado cego e mudo; e ele o curou, de modo que o mudo falava e via.
23 E toda a multidão, maravilhada, dizia: “É este, por acaso, o Filho de David?”


Meir Bar Ilan relata uma narrativa de um exorcismo no primeiro século, por parte de um rabino chamado Hanina Ben Dosa. Na narrativa, Hanina expulsa o demônio de uma mulher através de um decreto.
No Judaísmo da época do Segundo Beit HaMikdash (Templo), exorcismos eram relativamente comuns.
Flavio Josefo relata um ritual de exorcismo, em Antiguidades 8:2:5, da seguinte forma:
“Vi certo homem de meu próprio país, cujo nome era El’azar, libertando pessoas que estavam possuídas por demônios na presença de Vespasiano e seus filhos e seus capitães e toda a multidão de seus soldados. A maneira da cura era a seguinte: Ele colocou um anel que tinha uma raíz daqueles tipos mencionados por Shlomo nas narinas do possuído pelo demônio, e depois disso extraía o demônio através de suas narinas, e quando o homem caía, imediatamente ele o ordenava a não mais retornar, ainda fazendo menção de Shlomo, e recitando os encantamentos que ele compusera. E quando El’azar persuadia e demonstrava aos espectadores que ele tinha tal poder, ele montava um caminho com um cálice ou bacia cheia d’água, e ordenava ao demônio, enquanto esse saía do homem, para derrubá-la, e assim os espectadores sabiam que ele havia deixado o homem. E quando isso era feito, a habilidade e a sabedoria de Shlomo eram exibidas de forma manifesta.”
O que para nós é importante compreendermos do relato acima – quer seja ele fictício ou real em maior ou menor grau – é que vários rituais de exorcismo existiam dentro do Judaísmo, envolvendo os mais variados símbolos e práticas. Todavia, uma coisa todos eles tinham em comum: O proferir palavras de ordem contra os demônios, que Josefo chama de “encantamentos.”
Ora, eis aí o grande problema. Se os demônios respondiam às palavras que lhes eram proferidas, muitas das vezes contendo um dos nomes de YHWH, o que fazer se a pessoa fosse surda e muda? Essa era a razão principal do insucesso dos p’rushim (fariseus) ao tentarem expulsar esse demônio. Ora, se o rapaz fosse capaz de ouvir, poderia-se argumentar que aquele determinado ritual não estava sendo eficaz, e poderiam tentar outro. Mas, se as palavras não podiam ser ouvidas, não havia nada que eles pudessem fazer.

Como já comentamos anteriormente, o Judaísmo divide a realidade em duas partes: alma d’itgalia (o mundo revelado) e alma d’itkassia (o mundo “oculto”). A última se refere, evidentemente, à dimensão espiritual.
Se a forma conhecida pelos p’rushim (fariseus) para exorcizarem demônios passava pelo proferir palavras no alma d’itgalia (mundo revelado), uma vez que era nele que o demônio se revelava, o que fazer se esse acesso fosse de alguma forma bloqueado, como de fato o era no caso do rapaz surdo-mudo?
Entendiam, portanto, que somente alguém que tivesse autoridade para transitar no alma d’itkassia (mundo “oculto”) seria capaz de realizar tal feito. Ou seja, era preciso muito mais do que um ser humano para realizar tal proeza.
Assim sendo, ao verem um ser humano ser capaz de realizar tal coisa, sua origem e poder celestiais seriam absolutamente inegáveis. Por esta razão, muitos indagavam se Yeshua seria de fato o Mashiach, pois seria o único ser humano capaz de realizar tal feito.

24 Mas os p'rushim, ouvindo isto, disseram: “Este não expulsa os demônios senão por Ba’al Zevuv, príncipe dos demônios.”

Provavelmente por influência do ocultismo babilônio, muitos rabinos exorcistas tentavam literalmente controlarem demônios para tentarem obter algum tipo de milagre, feito sobrenatural, ou até mesmo para tentarem expulsar outros demônios. Evidentemente, tal prática é uma abominação anti-bíblica, mas mesmo assim não era rara no primeiro século.
Um dos rabinos que, no século II, fez pacto com um demônio para tentar obter favor para o povo judeu foi o rabino Shimon bar Yochai, famoso por ser o suposto autor do Zohar, e discípulo do rabino Akiva.
Na época do imperador Antoninus Pius, Shimon teria ido a Roma para tentar obter a revogação de leis anti-judaicas. No caminho, encontrou o demônio Ashmodai – que, segundo a tradição judaica (Targum Ecl. 1:13, Pes. 110a, Yer. Shek. 49b, etc.) é um dos nomes de Sama’el/Satan, o príncipe dos demônios. Ashmodai ofereceu-se então para possuir a filha do imperador. A jovem enlouqueceu, e Shimon teria enganosamente afirmado saber exorcizá-la. Shimon então, após ter exorcizado a jovem, teria obtido a revogação de tais decretos.
Sobre este episódio, o rabino Zalman Baruch Melamed, em seu artigo “Independence Day Reflections” afirma:
“R. Shimon Bar Yochai estava preparado para ter o milagre por intermédio de um demônio! Esse demônio entrou na filha de Cesar; ela ficou maluca, e os sabios judeus (Rabbi Shimon e Rabbi Eliezer) disseram saber como curá-la.”
A suposta moral da história é a de que não se deveria prestar atenção na forma como os milagres acontecem, mesmo que para isso fosse necessário um pacto com o próprio Satan. Evidentemente, não precisamos nem comentar sobre o absurdo abominável de tal pensamento.


Embora Shimon até hoje seja celebrado como uma importante figura dentro do Judaísmo tradicional, é provável que no século I, os exorcistas que fizessem pactos com demônios para que tomassem/deixassem pessoas, ou que talvez expulsassem “demônios menos poderosos.”
É seguro supormos que tais pessoas à época seriam vistas como grandes fraudes, e certamente seriam condenadas como praticantes de magia. Isso explica a afirmação dos p’rushim. Se somente Yeshua foi capaz de expulsar tal demônio então, imaginavam os p’rushim, Yeshua teria feito acordo com um demônio maior para poder realizar o feito. Considerando que esse demônio era extremamente poderoso e resistia a toda sorte de rituais de exorcismo, aqueles p’rushim (fariseus) então pensaram que Yeshua teria feito pacto com o príncipe dos demônios.
Evidentemente que as motivações para tal alegação motivadas por inveja do poder e da influência de Yeshua para com o povo. Aqueles p’rushim (fariseus) se recusavam a crer mesmo diante de todas as evidências.

25 Yeshua, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse-lhes: “Todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá.
26 Ora, se Satan expulsa a Satan, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino?


Pela descrição de Matitiyahu, fica claro que os p’rushim diziam isso entre eles próprios, ou talvez para seus próprios talmidim (discípulos) e que não haviam tido a coragem de fazerem tal afirmação diretamente para Yeshua.
Sabendo de sua incredulidade, Yeshua dá uma prova incontroversa a eles, ao revelar-lhes os seus pensamentos.
O Talmud nos relata que uma das expectativas dos p’rushim (fariseus) acerca do Mashiach era a capacidade de julgar os homens segundo o seu “aroma” – uma figura de linguagem para o fato de ser capaz de julgar um homem pela sua verdadeira essência, ao invés de por sua aparência:
“O Mashiach, como está escrito: E repousará sobre ele a Ruach de YHWH, a Ruach de sabedoria e de entendimento, a Ruach conselho e de fortaleza, a Ruach de conhecimento e de temor de YHWH. E deleitar-se-á no temor de YHWH. [Is. 11-3] R. Alexandri disse: Isto ensina que ele o preencheu de boas ações e sofrimento como um moinho. Raba disse: Ele fareja e julga, conforme está escrito: e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos. Mas julgará com justiça aos pobres. [Is. 11-4] (Bar Kochba reinou por dois anos e meio, e quando disse aos rabinos 'Eu sou o Mashiach.' Eles responderam: 'Do Mashiach está escrito que ele fareja e julga: vejamos se ele pode fazê-lo.' Quando viram que não era capaz de julgar pelo odor, eles o mataram.)" (b. Sanhedrin 93b)

Além de provar que era capaz de julgar aos homens não por sua aparência, Yeshua vai muito além disso. Pela Palavra, sabemos que somente YHWH é capaz de conhecer os pensamentos:
“Ouve tu então nos céus, assento da tua habitação, e perdoa, e age, e dá a cada um conforme a todos os seus caminhos, e segundo vires o seu coração, porque só Tu conheces o coração de todos os filhos dos homens.” (Melachim Alef/1 Reis 8:39)
Ao revelar àqueles p’rushim (fariseus) o que estava em seus corações, Yeshua provou que Ele era não apenas o Mashiach, mas YHWH feito carne.
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