Caro Gustavo, Paz!
Primeiro quero agradecer a oportunidade do diálogo. Tem sido muito proveitoso ver o tipo de argumento que você tem levantado.
Gostaria de dar uma dinâmica maior ao nosso debate, mas preciso conciliar o tempo com outras atividades e como aqui as coisas andam sem precisarmos de cobrança, penso que o tempo ou a falta dele não chega um problema insolúvel.
Sobre Ário
Os fatos históricos precisam ser bem pesados. É natural que aceitemos ou prefiramos como verdade a histórica publicada quando nos favorece. Mas, nunca devemos perder a virtude do questionamento quando há indícios de que as coisas não são exatamente como estão convencionadas. Não sei se você alcançou, mas até poucas décadas atrás (eu cheguei a aprender assim) se ensinava que condições adversas tiraram Cabral da rota e ele acidentalmente descobriu o Brasil. Somente uma investigação fora do ciclo que apoiava esse ensino trouxe à tona a verdade.
Se os classificados “pais” até o II século, incluindo aqueles admitidos como trinitários (embora fossem, muitos deles, no máximo, binitários:
“Os pais da Igreja não formularam nenhuma declaração clara a respeito da Trindade. Alguns não estavam muito seguros a respeito do Logos, e a maioria deles não se preocupava em dar atenção ao Espírito, exceto à sua obra na vida dos cristãos” - Teologia Básica ao Alcance de Todos, Charles Cadwell Ryrie, pg. 64 ), já citados por mim na postagem anterior dentre outros, além daqueles que não são classificados como “pais” admitiam um princípio para o Filho, a novidade seria dizer que ele era eterno preteritamente e não o contrário. Havia até quem o admitia como uma dilatação da mônada, quando, então, teria se tornado dois, mas que antes não haviam dois. Um dos defensores desta linha foi Marcelo de Ancira que ficou ao lado dos nicenos na controvérsia.
Sobre o “muita coisa desencontrada” você mesmo foi vítima, já que considerava os ensinos de Ário iguais ao do socinianismo. De onde você tirou aquele conceito que corrigimos? Adivinhou? Enganou-se, ou aprendeu errado? Outra informação nebulosa e com divergências é sobre Luciano já que ele está relacionado a Ário. Luciano é “santo” católico com dia comemorativo e tudo, e foi “mestre” de Ário. De qualquer forma eu não disse que não é possível haver “coisas desencontradas” mas quis indicar que por haver precisamos ser cautelosos quando vemos um “historiador” de determinada facção acusar, seja do que for, alguém que está do lado contrário.
Ário resumiu, se admitirmos a carta ao bispo de Nicomédia como de sua autoria, os motivos de sofrer perseguição:
“Somos perseguidos por dizemos que o Filho tem um começo e que Deus é sem começo”. Novidade por parte ou criada por Ário não havia, pois Dionísio de Alexandria (bispo de Alexandria de 247 a 265 d., portanto bem antes de Ário) entrou em desacordo com Dionísio de Roma e dentre as acusações constava:
“houve um tempo em que ele [o Filho] não existia; porque ele não é eterno, mas existiu mais tarde” (Salvatoris Disciplina, Paulo Cesar – pg. 95) . Mas, note-se que a primeira redação do Credo Niceno, inclusive, foi proposta por Eusébio de Cesareia que trouxe uma fórmula que consistia no credo batismal usado em sua própria diocese. Logo fica evidente que é engano (ou conclusão equivocada baseada em apenas parte dos dados) dizer que houve um
“convencimento” desses bispos por parte de Ário. A novidade mesmo era o desenvolvimento trinitário que admitia Deus com um começo, que era o que faziam alguns dos chamados “pais” ao admitir um princípio para o Filho e ao mesmo tempo o considerarem Deus, ainda que apenas como porção da Divindade ou emanação. O passo posterior foi dizer que o Filho também era sem começo. Foi uma novidade em dois momentos. O primeiro, dizer que o Filho era Deus (mesmo não coigual), ainda que admitindo um começo para ele. O segundo foi não mais admitir um começo para ele e afirmá-lo coigual.
Quanto às evidências da antiguidade do pensamento de Ário você está em vantagem em relação a mim, pois até mesmo o que ele disse foi queimado e o pouco, pouquíssimo, que sobreviveu ou veio da mão de seus opositores com toda a possibilidade de deturpação, comum de acontecer naquela época, ou de um ou outro correligionário, que também não se sabe se tal texto sofreu alteração posterior (também comum de acontecer). Parece não haver disponibilidade da crítica textual desses escritos, nem mesmo dos chamados “pais”; ainda que exista, não nos estão disponíveis. Some-se a isso o fato de os escritos daqueles não considerados “pais” que falassem contra o “atanasianismo” terem sido destruídos, de tal modo que sabemos de sua existência pelo testemunho de sua destruição. Mas, apesar de toda essa campanha se vê, aqui e ali o testemunho da antiguidade do pensamento de Ário.
Clemente Romano ou Clemente de Roma, bispo daquela cidade entre 88 e 97 d.C. Falecido em 102 d.C, é autor do mais antigo escrito cristão fora das escrituras canônicas (Manual Bíblico de Halley, Editora Vida – 2000, pág. 776) de que se tem notícia, mais antigo ainda do que os escritos de Tertuliano e Taciano do II século. Irineu em “Contra os Hereges” fala dele:
“ele viu os Apóstolos e com eles conversou, tendo ouvido diretamente a sua pregação e ensinamento”. Alguns afirmam que este é o mesmo Clemente citado por Paulo em Fl. 1.3, mas outros discordam. O trinitário Luigi Padovese comenta Clemente informando que a despeito de
“recorrer algumas vezes a fórmulas trinitárias, revela uma concepção cristológica ainda judaizante, uma vez que jamais atribui a Cristo o título de Deus e não enfatiza a sua preexistência.” (Padovese, Luigui in Introdução à Teologia Patrística, Edições Loyola – 2004, pág. 63). O termo “fórmula trinitária” é a citação ternária de Pai, Filho e E.S juntos, que os trinitarianos costumam dar o seu viés usando aquela palavra. O termo “judaizante” tomado aqui praticamente em sentido desqualificante, revela, na verdade, a prática, naquela época, da preservação da fé no monoteísmo original recebida dos apóstolos pois além da ascendência hebraica ele foi discípulo do apóstolo Pedro e bispo em uma época em que o apóstolo João ainda estava vivo. Assim, o termo “judaizante”, na verdade, é, aqui, sinônimo de um cristão na busca da preservação da fé dos apóstolos e do monoteísmo milenar recebido dos judeus. Mas, apesar disso ele era romano e bispo de Roma, portanto não precisava estar preso as suas raízes hebraicas, assim não era obrigado a manter uma visão, assim chamada, “judaizante” de Jesus Cristo. Se ele não via a Jesus como se fosse o próprio Deus, ele estava apenas preservando, na questão cristológica, o que aprendeu dos primeiros discípulos de Cristo. A palavra “judaizante” só surge se nos depararmos com um problema de ótica, ou seja, a chamada ortodoxia a partir do século III teria sido quem determinou o que viria a ser ou não judaizante no que se refere a divindade. Em Clemente se percebe, então, que não existe um Deus Filho, ou um Cristo Deus, mas o Filho de Deus. Sua proximidade com os apóstolos é significativa para percebermos a antiguidade do pensamento de Ário.
Hermas, irmão do Bispo Pio e provavelmente citado por Paulo em Rm. 16.14 escreveu sua obra “O Pastor”, e esta tornou-se conhecida através de sua circulação por volta de 150 d.C.(Padres Apostólicos, Paulus Editora – 1995, pág. 164) Algumas comunidades e personalidades cristãs antigas o consideravam escrito canônico ou em grande apreço, dentre eles podem ser citados Irineu, Clemente de Alexandria, Orígenes e até Atanásio. Acerca da visão de Hermas sobre Jesus Cristo, Padovese registra que
“Em suma, concebe-o como um personagem de dignidade e natureza transcendentes às humanas, sem ser, porém divinas, colaborador de Deus na criação e no governo do mundo, mas num plano de nítida inferioridade.” (Padovese, Luigi in Introdução a Teologia Patrística, Edições Loyola – 1992, pág. 63). Aqui a palavra
“sem ser, porém divinas”, na verdade, expressa a informação da inexistência de atribuição de deidade a Cristo, e não a recusa de sua origem celeste, pois o mesmo Hermas, em certos momentos, identifica Jesus como sendo o Espírito Santo. A exemplo de Clemente Romano, Hermas nunca afirma que Jesus seja Deus ou um Deus Filho. Mais uma vez perceba que a informação demonstra o conceito cristológico de pessoas que viveram bem próximas à época dos apóstolos e é provinda também do II século. Sei que o irmão pode mostrar outros que possam chamar Jesus de Deus (sem entrar no mérito de em que sentido ou em que nível de identificação eles fizeram isso), mas a ideia aqui é mostrar que os ensinos de Ário antecedem seu nascimento. Por isso eu me pergunto porque os chamados “historiadores” cristãos remontam o ensino de Ário para, no máximo, Orígenes; por que não a Clemente e Hermas (dentre outros), ou ainda Moisés a partir do Shemá, ou a Jesus mesmo em Jo. 8.42/17.3 e etc. O bispo católico, portanto trinitário, Paulo Cezar na tese gregoriana intitulada Salvatoris Disciplina (pág. 48), comentando sobre o segundo século, reconhece
“As principais correntes teológicas que farão história no terceiro século já se encontram aqui presentes”, e na página 11 o mesmo bispo atesta
“Todos os elementos da questão Ariana já se encontram presentes no terceiro século”. Deve-se notar que quando os chamados trinitários ou binitários eram acusados de serem modalistas pelos unitaristas é porque a linha trinitária não era reconhecida como uma linha doutrinária e havia uma polarização entre modalismo e unitarismo. O trinitarismo é decorrência do modalismo e não o contrário. Poderia ser considerado uma “heresia” modalista.
Considerando que não existe a ata do que aconteceu em Niceia e o que dele se sabe só começa a aparecer em escritos posteriores, e que mesmo o número 318 é fictício e esse mesmo número já nos foi tão verdadeiro, percebo a precariedade de achar que “os bispos reunidos … ficaram chocados” como se fosse todos ou quase a totalidade, quando se pode considerar outros detalhamentos para o caso. Talvez os supostos 30 bispos da linha “binitária/trinitária” que se admitem presentes com a teologia previamente formada tenham feito o estardalhaço e o decorrer da transmissão dos fatos se encarregou de dizer que “foram os bispos ali reunidos”. O defensor da trindade J. Leeuw, embora tenha escrito um livro nitidamente tendencioso não se furtou de admitir que
“Ao tentar compreender a atuação do concílio, devemos estar cônscios do fato de que a maioria dos presentes era constituída de homens de mentalidade simples, para os quais toda a controvérsia era estranha e que estavam prontos a deixar-se convencer pelos que possuíam pontos de vista definidos”. Ao falar dos dois grupos opositores diz ainda
“Num dos lados desse bloco central, estavam Alexandre e seus seguidores, os católicos ou nicenos, apenas cerca de trinta em número mas, em sua maioria, homens de conhecimento e autoridade.” (Dramática História da Fé Cristã – J. J. Van Der Leeuw – Pensamento, pág. 109). Logo, se para a maioria a controvérsia era estranha e estavam abertos, como poderiam todos, de pronto, se manifestarem? Não tem sentido! Claro que quem se manifestaria contrariamente seriam aqueles com opinião já formada. Nesse ponto devemos, também, nos lembrar de algumas coisas importantes que condicionaram, ai sim, o desfecho do concílio: 1 - Constantino à época tinha um binitário/trinitário como conselheiro Ósio de Córdoba que certamente influenciou a condução do resultado, inclusive com a sugestão do termo que primeiro surgiu entre os cristãos gnósticos: “homoousios”; 2 – Era contra o propósito do concílio, que visava buscar unidade no Império, desqualificar ou preterir o bispo Alexandre em favor de alguém de menor cargo. Isso colocaria a autoridade episcopal em jogo e poderia desestabilizar ainda mais a paz no Império; 3 – O Imperador impôs sua preferência (momentânea como a sequência da história demonstraria) para o resultado. Isso explica com folga porque Ário foi “condenado” em Niceia. Por isso quando você pergunta “Se Ário não trazia nenhuma novidade, por que ele foi condenado com unanimidade” revela que tua argumentação esta baseada em apenas um lado, e numa visão parcial e apressada da história. A própria decisão conciliar de Niceia do ponto de vista de “promulgar” a “verdade” é precária e questionável, e a maior prova disso são os desdobramentos posteriores com o retorno dos unitarianos pouco tempo depois, inclusive com apoio imperial.
“No Oriente, a maioria do clero procurava manter uma certa distância entre o Pai e o Filho, e recuava assustada diante do homoousios. Enquanto glorificavam Cristo, eles na verdade afirmariam a majestade incompreensível de Deus e a vantagem de ter Jesus como modelo para a humanidade, em vez de identificarem Jesus como Deus. O retorno dos arianos não foi apenas o resultado de manobras astutas de Eusébio e Ário; mas foi igualmente um indício de que o aparente consenso foi em grande parte uma ilusão que resultou do desejo dos bispos em agradar a vontade do imperador de restaura a unidade da igreja.” (Richard E. Rubenstein em Quando Jesus se Tornou Deus – Editora Fisus – 2001, pág. 133). Além do mais precisamos considerar que também houve concílios onde o unitarismo foi estabelecido oficialmente, dentre eles Tiro (335), Antioquia (340), Milão (355), Rimini (359), Selêucia (359), em número de bispos superiores ao de Niceia e onde até o Bispo de Roma assinou.
Portanto achar que o ensino de Ário era novidade apenas revela conhecimento ou reconhecimento parcial da história.
Sobre Tertuliano
Caro irmão não vejo injustiça alguma cometida contra Tertuliano. É fato que Tertuliano costuma desqualificar quem discordava dele mas, mesmo que ignoremos essa característica dele e de muitos apologistas da época, considere que ele fala de uma multidão incontável de pessoas que discordavam dele. Era a multidão dos crentes da época contra Tertuliano! Considere primeiro que ele diz:
“Os simples, de fato (não vou chamá-los de tolos ou ignorantes), que sempre constituem a maioria dos fiéis, estão chocados com a dispensação (dos Três em Um)”. Mais adiante, no mesmo capítulo de Contra Práxeas, ele fala dos latinos e diz:
“até mesmo latinos (e ignorantes também)”, ou seja, ele adiciona ao grupo de “ignorantes” já citado (note-se que ele introduz a fala chamando os discordantes apenas de simples e quando adiciona os latinos os põe no bojo de “ignorantes TAMBÉM”, como se houvesse falado antes de outro grupo, mas pretendeu chamar a todos, aqueles e esses, de ignorantes e tolos. Um pouco mais adiante ele fala dos gregos sem fazer a ressalva de que são ignorantes como fez dos latinos e dos outros por uma razão simples: Essa classificação (a de ser ignorantes ou tolos) não cabia na cultura grega da época (I Co. 1.22 “os gregos buscam sabedoria”)! Ou seja, não era o fato de serem supostamente incautos que os levavam a rejeitar o dogma da trindade, mas porque tal doutrina feria a fé que conheciam até então. Se impusermos ignorância teológica igualmente confirmará que a trindade era completamente desconhecida pelo grande número dos crentes. Você diz que a rejeição deles ao ensino trinitário era natural, mas não é não! Ninguém ouve falar desse problema entre os povos politeístas do mundo que se converteram/convertem a Cristo ao longo da história. Se apresenta a Cristo e depois se lhes apresenta o dogma trinitário. Não há qualquer levante contra isso porque as pessoas reconhecem o dogma trinitário como parte da doutrina que abraçaram (somente depois, quando se confronta esse ensino com a Bíblia, é que alguns percebem-na não bíblica. Eu sou um dentre os que notaram esse fato). Se a trindade era doutrina corrente entre os antigos cristãos e teria sido recebida por transmissão apostólica (que é, infelizmente, o que se alega) e os chamados “pais” apenas a sistematizaram, por que a rejeição por parte da multidão latina, grega e outros conforme testemunhado por Tertuliano?
Que Tertuliano estava combatendo Práxeas todos sabemos, mas a recusa em massa dos ensinos de Tertuliano por parte da multidão revela outra coisa: A doutrina ensinada por ele era novidade! Qualquer leitor, mesmo trinitário, pode perceber isso, basta ser imparcial. Os escritores trinitários Sesboue e Wolinki, desenvolvendo os eventos que envolviam aquela época, escrevem:
“o dogma do 'Deus único' parece a alguns duplamente ameaçado: por Marcião e os gnósticos, que falam de 'outro Deus' ou de dois 'Deuses', e pela nova teologia dos que falam de uma Trindade engajada nas 'economias'” (O Deus da Salvação, Bernard Sesboue e J. Wolinki – pág. 159).
Eu não discordo que a teologia de Práxeas era nova em relação ao que a Bíblia ensina, mas a de Tertuliano é igualmente, ou ainda mais nova. A recusada pelas grandes populações cristãs que recuavam diante de sua exposição é prova disso.
Sobre a suposta reivindicação de Tertuliano acerca da antiguidade de seu ensino considere que no C.2 de Contra Práxeas lemos:
“Nós, contudo,...acreditamos que … . Que esta regra de fé veio até nós do início do Evangelho ...” e aqui eu pediria a você que traduziu o texto de Práxeas que me confirme se este segundo “QUE” é o segundo item de crença de Tertuliano naquele trecho ou não. Porque quando li entendi que ele acreditava em duas coisas ali, primeiro naquilo que ele elencou misturando Bíblia com as posições dele e segundo que essa regra de fé teria vindo do início do Evangelho. Ou seja, não seria um requerimento de antiguidade, mas uma afirmação de que ele achava que era assim que se cria no início. De qualquer forma, se fosse sucessão doutrinal apostólica estaria no consciente coletivo do povo aquilo que Tertuliano trazia, mas não foi o caso. Nos dois lados do império houve resistência e combate aos ensinos dele acusando-o de ser pregador de dois ou três deuses. Se o ensino da trindade fosse antigo ou ao menos houvesse sido ventilado nas grandes comunidades cristãs antes, tal acusação inexistiria porque mesmo os “simples” teriam conhecido a suposta herança doutrinária e saberiam que ele estaria falando do “mistério trinitário” que teria sido transmitido pelos apóstolos. Mais uma vez, não foi o caso. Será possível que ninguém que pregou àquela multidão de crentes tenha transmitido o ensino supostamente apostólico que Deus é “três e um ao mesmo tempo um”, mesmo sem usar termos técnicos?
Devemos lembrar com destaque que Tertuliano ao escrever sobre a trindade alega ter sido instruído pelo “Paráclito”. Ora, quem era esse Paráclito para Tertuliano? Todos sabemos que em Contra Práxeas se explicita uma defesa de Tertuliano ao montanismo junto ao bispo de Roma. Quem o montanismo reconhecia como “Paráclito”? No teu site mesmo encontramos que aquele movimento afirmava ser Montano:
“porta-voz do Espírito Santo e que, em sua própria pessoa, se encarnara o Paráclito prometido em João 14,16; 16,7.” Logo, Tertuliano não conheceu a “Trindade” como ele a apresenta quando estava dentro do seio católico, mas a apresenta segundo aprendeu com o “paráclito” Montano. E os católicos abraçaram esse modelo montanista.
Por ter feito uma análise incompleta o irmão acha que minha citação na postagem anterior de Tertuliano desfaz minha pretensão. Ora, se todos as comunidades cristãs rejeitavam as ideias de Tertuliano e o próprio Tertuliano informa a recenticidade do modalismo de práxeas sobra ai, no mínimo, uma outra linha como a reconhecida por Hermas e Clemente Romano, que nem era a desconhecida apresentada por Tertuliano, e nem a recente apresentada por Práxeas. Agora, se Tertuliano falava contra um modalista, e ele reconhece isso ao dizer também no capítulo 2,
“no caso desta heresia” (a do modalismo de Práxeas especificamente) é consequente que ele destaque essa linha, não as outras e as classifiquem de heresias. De qualquer forma ao que parece, independentemente de reconhecer Jesus como Deus ou não (menção aos hereges que ele faz), as multidões das comunidades cristãs, sejam de que linhas eram (unitarianas ou modalistas), discordavam da nova teologia do Deus “três em um”, como testemunho numeroso de sua inexistência.
Você reconhece bem que Tertuliano fala para uma Roma modalista. Certamente essa não é uma informação que se apresenta a alguém quando se fala do ensino da trindade por um dos chamados “pais”. Sempre nos é dito que aqueles que defenderam algum viés do dogma trinitário naquela época escreveram aquilo que já era crido comumente e aceito de forma abundante pelas comunidades cristãs, e aqui se flagra que isso não se constitui uma verdade. Notemos que antes de querer “defender” as pessoas Tertuliano queria fazer ser crido o montanismo que professava e suas particularidades, por isso a revolta contra o modalista Práxeas que conseguiu convencer o bispo de Roma de manter as punições impostas ao montanismo pelos seus predecessores e recolher as cartas de conciliação já emitidas. De qualquer forma você se equivoca ao concluir que a disputa com o modalismo elimina o espaço do unitarismo ou de outras correntes. Se
“a população da época estava abraçando o modalismo” (como você mesmo diz), é fácil concluir que existia uma crença anterior. Se essa crença anterior era a trinitária, qual a razão do espanto e tamanha recusa das grandes populações cristãs a esse ensino? Se fosse verdadeira, Tertuliano estaria apenas relembrando ou resgatando uma doutrina que deveria estar ao menos na lembrança das comunidades, mas não é isso que o próprio escritor de Contra Práxeas revela. As multidões cristãs desconheciam e rejeitavam tal ensino de todos os lados do império.
Caro irmão acho muito difícil que o argumento de que eu quis forçar algum anacronismo se sustente, a não ser que o anacronismo tenha sido do próprio Tertuliano, que veremos não ser o caso. Não é um termo isolado nos escritos dele que dá ideia de origem para o Filho, mas vários e em vários momentos cuja comparação com outros trechos do que ele mesmo escreveu não corroboram tua pretensão. Penso valer a pena repetir: “derivado”, “porção da Divindade”, “prolatado”, “formado”, “aparecido”, “feito”, “procedido”, “gerado”, “nascido” e “criado” antes da criação do mundo, a isto se soma o contraste feito por ele e já citado por mim:
“O Pai, contudo, não teve princípio, não procedendo de ninguém”. A não ser que esse “não ter princípio” e “não proceder” relacionado ao Pai não signifique que o Pai “não teve princípio” e “não procedeu” de ninguém em sentido absoluto. Além de todas essas evidências dos termos e o contraste, onde você quer atribuir anacronismo, temos o acréscimo da declaração em Contra Hermógenes, também já citada que diz:
“Houve um tempo em que não havia Filho e nem pecado, quando Deus não era nem pai nem juiz”. Será que até a expressão
“Houve um tempo em que NÃO havia....” é porque ele estava querendo dizer que HAVIA eternamente o Filho e o Pecado? Ou estranhamente só havia eternamente o Filho, mas não o pecado? Ora, será que essa informação está desconectada daquelas outras? Não tem sentido caro irmão! As origens diferentes do Filho e do pecado não abonam tua pretensão de que o Filho existisse antes, pois segundo Tertuliano a inexistência é comum aos dois, independentemente das origens. Logo, a citação que você fez sobre o “pensamento de Deus” e etc., não desfaz a realidade de um início para o Filho nos escritos dele. Na verdade se você grifasse também a última parte a somaria às evidências citadas, que não há uso anacrônico algum, quando ele diz:
“quão mais impossível alguma coisa que fosse extrínseca ao Senhor seria sem princípio”. A alegação de que algo teve princípio mesmo estando em Deus, dentro da Teologia de Tertuliano, deu-lhe subsídio para dizer que é impossível que algo fora dele não tenha princípio combatendo, assim, a teoria de Hermógenes. A palavra princípio é tomada no mesmo sentido em ambos os casos, na referência da inexistência do Filho e do Pecado, doutra sorte não teria sentido a comparação feita por ele. Ou seja, não se pode alegar que algo fora de Deus é sem princípio se mesmo algo dentro dele teve princípio. Sobre isso antecipo que não adianta apelar para o argumento que Deus não pode ter ficado algum tempo sem sua sabedoria, pois está claro que Tertuliano a personificou, por isso ele fala que ela
“começou a assumir movimento para o arranjo de Suas obras criativas”, onde se evidencia a linguagem figurada. A ideia da criação da sabedoria (a que será reconhecida como pessoa e Filho) é vista em outro teólogo aceito pelos trinitários por chamar Jesus de Deus: Clemente de Alexandria afirma em Stromata, livro 5, c.14
“Eles foram enganados pelo que é dito no livro da Sabedoria: 'Ele permeia e passa por todos por causa de sua pureza;', já que eles não entenderam que isso foi dito da sabedoria, que foi a primeira (protoktistou) da criação de Deus”. O mesmo Clemente distingue o Logos-Filho do Logos que é imutável imanente em Deus, e assim admite o Filho como criação de Deus. Clemente viveu de 150 a 214 d.C.
A argumentação filosófica do logos endiathetos e do logos prophorikos, como já falei não sei se você leu, não resolve a questão, pois nenhum dos dois casos considera o logos pessoa, nem uma individualidade pessoal. Por conta disso mesmo que se ventile a possibilidade desse uso nos escritos de Tertuliano (há quem discorde), esse simples fato (a impessoalidade) anula toda a pretensão de tentar negar um início para o Filho como ser individual e pessoal nos escritos dele. Assim, se você quiser encerrar essa questão, como sugeriu, fique à vontade, sabendo que a busca desse conceito filosófico que, inclusive, será,
a posteriori, rejeitada por outros apologistas, além de não provar o que você pretendeu mostra que o dogma depende da filosofia pagã para corroboração de sua existência, e que Tertuliano teria feito uso furtivo de seus antigos conhecimentos pagãos, já que enquanto cristão ele é professadamente contrário à filosofia, para formular a trindade.
Não entendi o uso da expressão “silêncio ensurdecedor”, pois eu é que esperava que você trouxesse, a partir de meu comentário anterior, algo que provasse que os “logos” estoicos são entes pessoais ou individualidades pessoais. Quando li o restante de tua postagem percebi ser uma frase retórica que foi tornada sem efeito diante do que escrevi a respeito já que você lançou algumas peguntas. As tuas perguntas relacionadas ao assunto não foram lançadas em cima do que não se falou, mas do que se falou, não é verdade? De novidade você só nos trouxe os nomes técnicos (mas já os conhecia), então o silêncio não é meu! Logo, caro irmão, a única coisa que eu entendi bem é que você afirma que Tertuliano usou um conceito (dos dois logos) cujo fundamento não prova que se trate de uma individualidade eternamente pessoal, além de ser puramente pensamento pagão estoico (tão pagão que em 529 as escolas filosóficas foram fechadas pelo imperador católico Justiniano I), e acima de tudo especulativo para tentar dizer que o Filho é eterno também preteritamente. Portanto, mesmo que se admita que Tertuliano vivia de ecumenismo com a filosofia pagã (e isso testemunha em desfavor do dogma trinitário), ainda assim não se pode provar aquilo que você pretende.
Tua introdução que precede algumas perguntas afirma:
“O irmão se apressa em declarar que a argumentação de Tertuliano não resolvia a questão”, mas, santo irmão, aqui você tenta transferir para Tertuliano uma coisa que é você quem está alegando, e que eu estou te perguntando. Quando falei da “derivado”, “porção da Divindade”, “prolatado”, “formado”, “aparecido”, “feito”, “procedido”, “gerado”, “nascido” e “criado” antes da criação do mundo em relação ao Filho, somando a isto o contraste feito pelo teólogo:
“O Pai, contudo, não teve princípio, não procedendo de ninguém” e que mesmo ele próprio disse:
“houve um tempo em que não havia Filho”. Você alegou que Tertuliano estava usando o conceito estoico dos dois “logos” e que por isso, e a despeito de tudo que ele falou a respeito, o FILHO seria eterno. A minha pergunta é baseada justamente na reivindicação do uso estoico dos dois logos, que supostamente estaria em uso por Tertuliano. Você precisa provar que o “logos” estoico é sinônimo de um ente individual, como o é Nosso Senhor Jesus, para ao menos dar alguma possibilidade de legitimidade à tua reivindicação. Se o logos estoico não é identificado como pessoa, não pode ser usado para dizer que o Filho é eterno. Aqui também não estamos preocupados especificamente com “pessoa” em si ou com hipóstase, estou chamando a atenção que se o logos estoico não é um ser, um ente, um indivíduo não pode ser o Filho. A não ser que artificialmente se busque um sincretismo e ai, mais uma vez, cair-se-ia em especulação e em desfavor do dogma. A respeito dos dois “estágios” do logos, o pesquisador e bispo Paulo César, trinitariano, comentando Orígenes em Salvatoris Disciplina, nos informa:
“Orígenes aqui criticou aquela impostação MUITO DIFUSA no II e III séculos por Justino, Taciano, Antenágoras, Teófilo de Antioquia, Tertuliano, Hipólito, etc., que falam de dois estágios no relacionamento do Logos com Deus: O logos existia ab aeterno em Deus como Palavra imanente, IMPESSOAL, que com um termo técnico chamamos de logos endiathetos e depois antes dos tempos, em função ante tempus, porque se pode falar do tempo somente a partir do mundo, foi gerado, proferido em função da criação do mundo, logos proforikós.” (os destaques são meus). Nessa mesma linha temos a informação da Wikipedia, sobre Tertuliano, baseada na obra de Johannes Quasten, teólogo católico e estudioso de patrística, que diz:
“Ao falar da geração do Filho, sem querer comprometer a sua divindade, admite uma certa gradação, desde uma fase anterior à criação, em que o Logos de Deus se contempla a Si mesmo, para passar a contemplar a economia salvífica, e é engendrado de forma imanente em Deus, até à criação, em que a Palavra se realiza como tal ao ser proferida. Cristo é, assim, o primogênito do Pai, gerado antes de todas as coisas, MAS NÃO É ETERNO” (destaquei).
Logo, caso você não tenha nenhuma prova de que, pelo menos, o primeiro estágio do logos seja concebido ou reconhecido como um ser ou pessoa pelo estoicismo e que por isso Tertuliano teria usados esses conceitos, realmente, concordarei com você que a discussão deste ponto chegou ao final.
No que se refere ao uso da palavra “substância” em Tertuliano, ai sim, poderemos falar de anacronismo. Você sentiu a falta da palavra “distinta” na frase
“admitiam como substância nos seguintes termos...” porque sempre lê a palavra “substância” com a
mente do século XXI. Atente que Tertuliano diz textualmente:
“Pois o Pai é a inteira substância (pater enim tota substantia est); o Filho é derivação e porção do todo” (filius vero derivatio tortius et portio)”. É de tal modo clara a expressão que só fica confuso se alguém lê-lo com conceitos prévios e portanto estranhará quando falamos de “quanto substância” o Filho é. Quem lê Tertuliano por Tertuliano perceberá que O INTEIRO é contrastado com a PORÇÃO. Isso se coaduna com outra afirmação de Tertuliano já conhecida:
“Pois eu posso dar o nome de "sol" até mesmo para um raio de sol, considerado em si mesmo; mas se eu for mencionar o sol de onde o raio emana, eu certamente devo imediatamente abandonar o uso do nome de sol para o mero raio.” É nesses termos que o Filho é chamado de substância do Pai. Confundir ser criado, feito, gerado da substância com ser eterno, é uma leitura anacrônica dos escritos de Tertuliano. Ele não usa o termo substância para falar de uma suposta eternidade do Filho (já que o logos endiathetos é impessoal), pelo contrário disse haver tempo em que não existia Filho. Ora, se o logos enditathetos é impessoal e ele diz que houve um tempo em que não existia Filho, onde está a eternidade pretérita do Filho? O termo substância será mais tarde ainda mais impregnado pelo conceito filosófico e nessa condição abraçado pelo cristianismo em certos meios e com consolidação posterior. Aqui não cabe a observação da alegada imprecisão, por parte desse “pai”, decorrente do desenvolvimento do dogma trinitário, pois ele poderia dizer que ambos são em mesma medida ou a própria medida, não que o Pai é o todo. Não há, nesse pormenor, carência de termos, mas diferença conceitual. Quando digo que em Tertuliano se vê uma fase do desenvolvimento do dogma estou demonstrando que os conceitos foram sendo criados e inseridos com o decorrer do tempo no seio do cristianismo, não que já existissem as ideias e faltassem palavras (a recusa aos escritos de Tertuliano pelas comunidades cristãs provam isso). O pensamento humano paulatinamente criou o dogma embebido na filosofia extrabíblica, ou seja, quanto mais distante dos apóstolos e de Cristo, mais passos na direção do dogma é dado. Há até “regra” de gramática do século XIX em cima de uma língua de quase 3.000 anos que “prova” a trindade(?) (sobre isso falaremos em tempo oportuno). Acho difícil, muito difícil mesmo que Deus, Jesus, o Espírito Santo, os apóstolos e todos os escritores bíblicos tenham deixado a conclusão, formulação, esclarecimento, sistematização, “EXATIDÃO” ou seja o que for de uma suposta “doutrina” trinitária para a posteridade. As Escrituras não profetizam que no futuro haveriam melhores definições de fé, muito pelo contrário.
O platonismo do qual alguns dos chamados “pais” se serviram já existia desde o IV século a.C, o aristotelismo idem, o estoicismo é igualmente de séculos antes de Cristo. Ou seja, Jesus veio trouxe a graça e a verdade e não usou das ferramentas pagãs antigas já documentadas em sua época para ensinar sobre si, mas usou o Antigo Testamento (“Quem crê em mim como diz as Escrituras”: Que Escritura?). Essas filosofias pagãs “saltaram” sobre Jesus, pois não o podiam contaminar para caíram no colo dos vários “apologistas” que passaram, muitos deles, a apresentar uma teologia diferente da de Jesus.
Não sei se você notou, já que traduziu Tertuliano (ao menos uma porção), que ele não fala da eternidade pretérita do Filho! Apenas o Pai é sem princípio, diz ele! Você é que tenta pela via indireta atribuir ao Filho, nos escritos do latino, aquilo que Tertuliano mesmo não atribui. Uma coisa é ele afirmar que o Filho é porção da substância (só aqui já se mostra que o conceito de substância é outro do que ensinado pela posteridade trinitária), outra é achar que por falar em substância (tomando-a no sentido posterior convencionado) ele esteja falando de eternidade, quando fala claramente do início do Filho em diversas passagens alegando, inclusive, que “houve um tempo em que não havia Filho”. Dizer que isso significa eternidade do Filho ai sim é lê-lo anacronicamente.
Sobre a questão do “sol” e o “raio” você disse que isso serve apenas para mostrar distinção de pessoa e portanto só serviria contra o modalismo. Respeito o teu desejo de ver apenas isso, mas isso prova nitidamente que parece não haver intenção de perceber o que Tertuliano esta dizendo ali. É evidente que nesse texto se mostra a superioridade de Deus em relação a Jesus. Considerar apenas distinção pessoal é considerar apenas parte do texto. Ele fala de distinção de quem é chamado de Deus, não simplesmente Pai e Filho, e põe o Pai como Sol (não especificamente Deus – o que permitiria um desvirtuamento do que ele quis dizer - , mas especificamente o Pai) em relação a um “MERO RAIO”, o Filho. Ali está claro um subordinacionismo além do que o dogma trinitário nicenoconstantinopolitano pode suportar. Lembrando sempre que isso deve ser considerado em soma ao que Tertuliano disse sobre início existencial e subordinação em seus escritos.
Quanto à minha citação de Taciano, você considerou apenas uma parte, pois, mais uma vez vemos uma diferença que é sistematicamente ignorada pelos apologetas trintários atuais, mesmo sendo reconhecido por pesquisadores trinitários imparciais. Taciano diz que Deus é identificado como o Pai (ao dizer que o logos estava nele – o impessoal “endiathetos”) e afirma que o logos foi feito Filho, por isso irrompe do Pai, e o Filho é sua obra primeira para os propósitos da criação. Os cito, sem que isto signifique que eu concorde com um ou outro. O faço para mostrar as transições havidas na criação do dogma. Como já falei Clemente de Alexandria chama a Sabedoria de primeira obra de Deus.
Sobre a expressão de Tertuliano de que
“Houve tempo em que não havia Filho e nem pecado” você reconhece que os títulos Juiz e Pai não são eternos em Tertuliano. Ora, como pode haver um Filho eterno nos escritos dele, se não há alguém que seja Pai eternamente? O dogma diz: O Pai foi sempre pai e o Filho sempre filho. Tertuliano diz diferente como já mostramos acima.
Como o pecado e o Filho vieram a existência não importa para o caso. Tertuliano afirma que ambos não existiam. Assim, irmão, se você atinasse imparcialmente ao que Tertuliano afirmou, ao invés de especular sobre o que ele teria usado partindo de uma ótica do século XXI, não escreveria tanta coisa desnecessária. Tua última citação de Contra Hermógenes não desfaz a alegação de um início para o Filho feita por Tertuliano, pois mesmo que se admita apenas “com”, ambos: o Filho e o pecado, então na mesma condição de inexistência. Considere a frase anterior em Contra Hermógenes e acrescente outra do próprio Tertuliano nesse mesmo escrito:
“Como pode algo, exceto o Pai, ser mais velho”.
Continua...