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De volta ao Éden

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Hernandobh
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De volta ao Éden

Mensagem por Hernandobh em Qui 09 Jul 2009, 20:17

De volta ao Éden - Final



“Onde estás?” - A primeira pergunta da História



“Onde estás?” - D-us chama Adão após ter ele comido do fruto proibido.

Nós perguntamos no começo por que D-us faria tal pergunta sendo que Ele naturalmente já sabia a resposta.

Está na hora de revermos esta questão.

Primeiramente, é bom saber que há duas palavras que significam “onde” no hebraico bíblico.

A mais comum delas é eifo - mas, essa não é a palavra que D-us usa ao chamar o homem. Em vez disso, o Eterno usa a palavra menos comum, ayeh.

Há diferenças entre os sentidos dessas duas palavras, e se de fato há, como podemos entender quais são elas?

O modo de se resolver esse mistério não é consultar um dicionário, afinal de contas, como os autores do dicionário descobriram tais diferenças?

O melhor a se fazer é consultar uma concordância, um livro que traz todas as ocorrências de certa palavra na Bíblia.

Se pudermos identificar quando e em que contexto a Bíblia usa as palavras ayeh e eifo, então torna-se possível ligar os pontos e entender o sentido único de cada palavra.

Como estamos muito dispostos hoje, vamos poupar-lhes o trabalho penoso de percorrer sua concordância bíblica em busca daquelas palavras.

Vamos dar-lhes alguns exemplos de onde especificamente essas palavras (ayeh e

eifo) ocorrem na literatura bíblica e deixar que você tire suas próprias conclusões.

Alguns exemplos com “eifo”:



a.Hagidah na li eifo hem ro'im –

“Dizei-me por favor onde eles estão apascentando...チ”

(José, em relação ao paradeiro de seus irmãos), em Gênesis 37:16).



b.Eifo likatit hayom? –

"Onde colhestes hoje?”

(Naomi para Rute) em Rute 2:19).



c.Eifo Shmuel ve-David? –

"Onde estão Samuel e David?”

(Rei Saul buscando a David) em I Samuel 19:22.



Alguns exemplos com “ayeh”:

a.Vayigva adam ve-ayeh? –

"O homem rende o espírito e onde está?” (Jô 14:10).



b.Hineh ha'esh...ve-ayeh ha'seh le-olah? –

"Eis aqui o fogo...mas onde está o cordeiro para o holocausto?"

(Isaque para Abraão, subindo o Monte Moriah) em Gênesis 22:7).



c.Ayeh na Eloheihem? –

"Onde estão seus deuses?"

(Em referência aos ídolos) no Salmo 115:2).



d.Le'imotam yomru ayeh dagan ve-yayin? –

“Para suas mães (os filhos famintos) dirão: Onde está o cereal e o vinho?” (Lamentações 2:12).



Bem, o que você conseguiu captar disso tudo? Gostaria de dar-lhes um ou dois minutos de reflexão a fim de verificar se podemos isolar um denominador comum em cada série de citações.

Ok, vamos lá então. Prontos ou não, eis aqui o que eu percebo dessas citações.

Eifo é uma palavra mais genérica para dizermos “onde”.

Isto quer dizer que eifo é uma expressão usada quando desejamos saber a

localização de algo ou alguém.

Assim, José por exemplo, só deseja saber onde estão seus irmãos; Naomi quer saber simplesmente onde Rute colheu naquele dia e o rei Saul quer saber qual o paradeiro de seu rival, David.

Agora, consideremos a palavra ayeh.

Como poderemos verificar ao usar esta palavra a pessoa não está querendo saber a localização de alguma coisa. Como exemplo, note a nossa última citação de Lamentações 2:12. As crianças na verdade não desejam saber onde se encontram o cereal e o vinho, até porque elas sabem que não há nenhum cereal ou vinho, pois a ênfase do livro de Lamentações é o cerco de Jerusalém em 606 aEC e os sofrimentos e penúrias que o povo judeu passou naquele triste momento de sua história, quando houve uma séria escassez de alimentos.

Dessa forma, os filhos exclamam em agonia: Onde estão o cereal e o vinho que tínhamos antes em abundância?

Temos algo parecido quando Isaac pergunta ao seu pai: “Mas onde está o cordeiro para o holocausto?チ” A ênfase de Isaque não está no fato de que ele não consegue achar o cordeiro – sua ênfase está no fato de que não há nenhum cordeiro para ser achado! Deveria haver um cordeiro ali para o holocausto, mas não há. Pelo fato de que a palavra ayeh tem esse sentido único, a expressão usada pelo patriarca nos passa um vasto espectro emocional: É nesse momento que Isaac passa a perceber que já que não havia nenhum cordeiro ali, ele talvez fosse o objeto do sacrifício!

Em resumo, quando usamos ayeh nós não estamos querendo saber onde algo se encontra; estamos na verdade expressando surpresa pelo fato de que algo que deveria estar ali não está; algo está faltando quando deveria estar na posição esperada.

Isto então muda drasticamente o sentido da pergunta que D-us fez para Adão.

O Altíssimo não está perguntando: “onde você está?” no sentido de que Ele não sabe o paradeiro do homem. Em vez disso, Ele está dizendo, “Para onde você foi? Por que você não está aqui (desse lado onde deveria estar)”.

Em suma, D-us está lamentando a posição tomada pelo homem, como afirmam os Sábios no Midrash:

“Ontem você estava aqui comigo e meu conhecimento; agora, você está com o conhecimento da serpente” (Midrash Bereshit Rabbah 19:9)

Ayeh é o tipo de pergunta que você pode fazer mesmo quando sabe a localização das coisas ou das pessoas. É uma palavra muito mais triste e melancólica do que eifo.

Numa estranha coincidência, a forma de ayeh (“onde”) usada por D-us em Gênesis 3:9 [ayekah] escreve-se da mesma forma que a palavra que expressa toda a dor e o lamento de Jeremias ao contemplar Jersualém desolada.

O profeta usa a palavra eichah.

איכה ישבה בדד העיר

Eichah yashvah vadad ha-ir

(Como encontra-se solitária a cidade...) Lamentações 1:1

ויקרא יהוה אלהים אל האדם ויאמר איכה

Va-iykrá Ad-nay Elohim el ha-adam va-yomer “ayekah”

(E chamou o S-nhor D-us ao homem e disse, onde estás?) Gênesis 3:9



Compare a primeira palavra hebraica de Lam 1:1 com a última de Gên 3:9

Notou como elas são idênticas quanto à forma de escrita?

Em Lamentações, diz Jeremias: “Como encontra-se solitária a cidade...” - O profeta chora ao contemplar Jerusalém destruída, solitária e desolada relembrando das grandes multidões que para lá afluíam nos dias das festas sagradas e que agora foram levadas para além de Babilônia. Adão e Eva foram também “exilados” e a expressão usada por D-us assim como a usada por Jeremias tem mais a ver com lamento do que com uma pergunta em si, um lamento que expressa toda a tristeza divina ao contemplar a separação causada pelo ato de comer do fruto do conhecimento.

Eu trouxe Adão ao Jardim do Éden e dei-lhe ordens, as quais foram desobedecidas. Eu então decretei exílio para ele e ao partir, Eu lamentei “ayekah” [ איכה ].

E assim foi com os seus filhos.

Eu os trouxe para a Terra de Israel e dei-lhes ordens, as quais eles desobedeceram. E então decretei exílio para eles e ao partirem, Eu lamentei “eichah” [ [ איכה

(Midrash Bereshit Rabbah 19:9).



Dons Gêmeos

Nossa história no Jardim do Éden termina com dois atos finais.

1) O Altíssimo confecciona vestes de pele animal para ambos, a fim de substituir o tipo mais primitivo de vestimentas feitas de folhas das árvores.

2) Após expulsar Adão e Eva do Jardim do Éden a fim de que eles não comessem da árvore da vida, D-us posiciona anjos querubins com espadas flamejantes para guardar o caminho de volta àquela árvore.

De uma forma estranha, mas bastante pertinente, esses dois eventos estão intimamente relacionados.

Nós percebemos que os querubins aparecem só duas vezes em todos os cinco livros de Moisés. Além da referência no Éden, a única vez que o termo é usado é na ordem dada a Moisés para que se fizesse dois querubins de ouro, como ornamento para a arca da aliança. Na arca, como sabemos, guardava-se além de outros objetos sagrados, as tábuas da Lei, símbolo da aliança divina com Israel as quais estariam protegidas pelos querubins postos sobre a tampa da arca, chamada de kapporet [propiciatório].

Apropriadamente, o Livro de Provérbios descreve essas tábuas ou a Torá que elas representam como outra “árvore da vida”, uma árvore da vida para todos aqueles que se apegam a ela (Provérbios 3:18).

Assim, os mesmos querubins que antes vigiavam o caminho de volta para a árvore da vida são os mesmos que agora nos dão acesso à uma outra “árvore da vida”.



Alguns textos atrás nós questionamos o por quê disso e nos perguntávamos em que sentido a Torá pode ser vista como uma “árvore da vida” substituta.

A resposta para essas questões devem ser evidentes agora.

Após obterem o conhecimento do bem e do mal, a humanidade tornou-se mais

“divina”, mais passional, mais desejosa, mais intensamente criativa.

Mas nós nos tornamos apenas “semelhantes” a D-us, o que não quer dizer que sejamos Ele!

Ser verdadeiramente divino significa não ser apenas passional, ser imbuído de desejo como D-us é. Isto significa não apenas criar como D-us cria, mas sim, manejar sabiamente a temível força que tal ato encerra; Significa controlar plenamente as forças e tendências de nossa natureza e não sermos controlados por elas; Significa também manter o equilíbrio das paixões, significa perceber que há tempo determinado para se criar e tempo de parar de criar.

Após comermos da árvore do conhecimento, após termos ampliado o papel da paixão em nossas vidas, viver eternamente não era mais o que o médico ordenou para a humanidade.

A vida eterna resume-se na presença constante de D-us em nossas vidas.

Assim, após a proibição do acesso àquela primitiva árvore, deu-se o caso de que o homem necessitava de alguma árvore da vida substituta, a fim de que o equilíbrio fosse restaurado e a harmonia pudesse prevalecer na psiquê humana.

A nova árvore da vida foi projetada para ajudar o homem a lidar com um mundo totalmente novo, um mundo no qual as paixões poderiam obscurecer o olho da mente, dificultando nossa percepção daquilo que de fato é certo, genuíno e daquilo que realmente é mau ou incorreto.

Os anjos que outrora barravam o acesso de nossos primitivos pais à árvore da vida primeva são os mesmos que agora nos abrem o caminho em direção à uma outra, graciosamente oferecida por D-us. A Torá é o guia para fazer a vontade de D-us, uma ferramenta que pode ajudar o homem a distingüir os impulsos de sua própria criatividade das profundas convicções mantidas pelo seu Criador.

Ao consumir do fruto dessa árvore da vida, ao assimilar o ponto de vista da Torá, o homem recebe uma nova e potente direção, que o habilita a manejar o seu novo “motor”, fazendo dele um ser plenamente divino.

Agora, pare e pense por um momento para contemplar o que aconteceu aqui. Mesmo quando D-us nos baniu do Éden, mesmo quando naquele momento que nós parecíamos mais rejeitados, Ele nos imbuiu de ferramentas apropriadas para este bravio mundo novo, que afinal de contas, nós mesmos “criamos”.

Vamos pensar agora no segundo ato divino, quando o Eterno faz vestes para Adão e Eva. No mundo que D-us previra para o homem, não haveria necessidade de roupas; Elas seriam supérfluas. Não foi escolha de D´us que o homem vivesse num mundo em que a nudez fosse algo que devesse ser temida ou evitada.

Todavia, nesse momento de profunda decepção, o Eterno providencia roupas para Adão e Eva, dando-lhes as ferramentas para que o ser humano pudesse iniciar sua nova caminhada nessa nova realidade e posição que ele mesmo escolhera.



As Roupas de Adão e a Sepultura de Moisés

Os Sábios do Midrash afirmam que a Torá começa com um ato de misericórdia e termina com outro ato de misericórdia.

O primeiro ato de misericórdia refere-se ao ato divino de fazer roupas para o ser humano e o último ato de misericórdia refere-se ao sepultamento de Moisés, feito pelo próprio D-us de acordo com a Torá, quando o Grande Legislador encontrava-se

sobre o Monte Nevo, contemplando a Terra Prometida, sem no entanto colocar seus pés ali.

Em ambos os casos, as coisas não saíram muito em conformidade com o que D-us planejara para Suas criaturas.

Era de se esperar quando se cria seres com livre arbítrio.

Adão e Eva desapontaram D-us quando comeram daquela árvore e como resultado eles foram banidos do Éden, devendo morrer em solo estranho.

Moisés por sua vez, também desapontou o Altíssimo ao ferir a rocha e como resultado ele não pôde entrar na Terra Prometida, devendo morrer às suas portas, em pleno deserto.

Em ambas os exemplos, o homem escolheu fazer sua própria vontade e não a do seu Criador. E como resultado de ambos os eventos, o homem deixou para trás o mundo ideal que D-us tinha-lhes preparado, trocando esse mundo por outro, de solo desconhecido.

A reação divina em ambos os casos é a mesma.

Ao sepultar Moisés num momento em que não havia ninguém mais presente para fazê-lo, Ele pessoalmente providenciou ao Legislador o meio de transição deste mundo para outro. Esta transição dar-se-ia ainda no futuro caso a vontade de D-us

tivesse sido feita.

E ao providenciar as “roupas” apropriadas para Adão e Eva, o Eterno lhes concedeu um meio de transição do mundo do Éden [o ideal divino] para um novo mundo que o homem mesmo criou e escolheu.

Caso a vontade divina tivesse sido feita também nesse caso, essa transição não se

daria assim de forma tão abrupta e inesperada.

A realidade clara é que os seres que possuem liberdade de escolha, livre arbítrio, nem sempre correspondem às expectativas de seus criadores.

Se isso é assim conosco, o mesmo também é com D-us.

Nós temos filhos mas eles têm vontade própria e livre escolha – suas escolhas nem sempre correspondem às nossas expectativas.

Uma lição que levamos dessa série de estudos sobre o Éden é que quando talvez nossos filhos nos desapontam, quando eles fazem escolhas que não aprovamos, quando eles trocam o “mundo” que nós cuidadosamente preparamos para eles por um mundo dúbio que eles mesmos criam – talvez nós também após todas as conseqüências que tenham sido medidas, após todas as palavras que tenham sido ditas, e após todas as angústias que tenham sido absorvidas, talvez nós também tenhamos forças para preparar-lhes roupas para essa sua nova jornada, ou seja, talvez consigamos muní-los de instrumentos e ferramentas apropriadas para a árdua tarefa de desbravar essa sua nova realidade.



Por: Rabino David Fohrman

    Data/hora atual: Seg 11 Dez 2017, 22:53