O Valdomiro escreveu:
Prezado irmão, não cobrar o dízimo ao invés de ser modernismo teológico é, na verdade, o retorno ao cristianismo praticado pelos discípulos após a crucificação de Jesus. O dízimo não deve ser entendido como obrigação não pelo fato de ele haver sido ordenado na Antiga Aliança, mas por seu significado. Quando se busca estudar o dízimo no detalhe se percebe que ele jamais deveria ter sido cobrado da igreja. E que, por sinal, só começou a acontecer tardiamente na histórica eclesiástica.
Amado, fico feliz em ver que o irmão não se alinha ao pensamento modernista, mas convenhamos que essa visão de não admitir essa prática obrigatória é oficial das igrejas protestantes históricas, até por que elas passaram pelo evento da separação legal da igreja e do estado, antes do que, como o irmão deve saber, o "dízimo eclesiástico", não necessariamente 10%, era uma aliquota acrescida ao imposto de renda, e era utilizado na manutenção do culto de qualquer confissão, católica ou não católica. Esse dízimo, meio contraditório ao que o irmão escreveu, SEMPRE foi cobrado, se não diretamente pela igreja, pelo mesno em seu benefício. Cobrado desde sempre e perpetuado, até onde entendo pelos meus parcos conhecimentos.
Bem, quanto ao fato de ter sido ordenado na Velha Aliança. Você concorda com a distinção da lei como moral, civil e cerimonial? Você, claro, não concorda que haja continuidade e descontinuidade numa única e eterna aliança da graça, estou certo? Preciso saber dessas respostas para ver se discutimos em termos de bases teológicas comuns. Caso não estivermos porfiando em bases teológicas comuns, há que se respeitar as bases teológicas diferentes.
Ponderadas as nossas bases teológicas possivelmente diferentes, entendo que pelo menos na "velha dispensação", e isso é o que eu chamo de Antiga Aliança, pois parto do principio da unidade do pacto da graça, os dízimos pertenciam aos termos da leis civis e cerimoniais e por tabela tinha a ver com o mandamento de "não roubarás". E Malaquias expressa a convicção de que isso é matéria perpétua de lei moral. Em Malaquias parece que tudo isso é levado a crer.
Não tem problema não se viermos admiitir que dízimo não é mais matéria de lei moral, pelos problemas modernos de ordem prática para sua cobrança. A Igreja Reformada da França já o admite e nem por isso abandonou a crença na unidade do pacto da graça. Eu acho até que é muito curioso igreja pentecostal cobrar dizimo, já que tem uma visão dispensacionalista da revelação biblica.
Tem dois grupos que não tem propensão para cobrança de dizimos, os dispensacionalistas ou mesmo anabatistas para quem a nova aliança é uma coisa e o a velha aliança é outra coisa, e constroi o abismo quase marcionita entre duas partes da Bíblia. Para aplacar essa má disposição deve provar biblicamente que é uma disposição eterna que avança pela nova aliança a dentro, se não prova isso, suspende os dizimos.
Outro grupo é o dos liberais e/ou neo-ortodoxos para quem os dizimos eram uma disposição moral antes, agora não... Nem tudo que era moral antes é hoje.
Quem propenssão para ser dizimista é o reformado, que também pode cair nas águas do modernismo. Mas veja o conduto histórico é todo favorável à cobrança de dizimos na igreja, não necessariamente pela igreja. Posso estar enganado. Até espero que esteja.
Aqui, por enquanto, há uma divergência em perceber e interpretar fatos históricos, a qual eu mesmo me dando o benefício da dúvida e por isso pretendo estudar inclusive coligindo um pouco as suas fontes, que espero serem seguras. Enquanto isso, veja bem, na França em 1905 na separação da igreja do estado o povo francês deixou de pagar o dizimo, somente no Século XX, o que de certa forma ainda existe, como aliguota suplementar para a manutenção da igreja do Estado e apoiar outras igrejas o que ainda existe na Dinamarca, Noruega, Finlãndia... Por isso, o Estado proibe a igreja de cobrar dizimos.
O irmão escreve:
Quando o prezado fala “Logo, o Dízimo de hoje não é praticado como nos do AT, pois lá era somente dado o dizimo dos produtos agro-pastoris, ou das campanhas de espoliação quando em guerra. Hoje permanece o principio de consagrar a Deus 10% da renda, um conceito que não tinha no AT. Rendimentos do capital, principalmente do capital intelectual.” Essa afirmação já é fruto do modernismo que invadiu as conceituações bíblicas adaptando-as a atualidade.
Eu:
Pois é, eu não sou contra todo o tipo de modernismo. Repilo apenas aquele que afronta verdade eternas, exigências morais... Acho tremendamente notório o fato que foi assim com o povo de Deus: quem não apresentava os seus dizimos eram ladrões de Deus, hoje não é mais? Foi assim, agora não é mais? Desde quando? E vem você e fala em abolição.
Se vc dissesse abrogação eu ia examinar de fato se os dizimos foram abrogados, pois eu admito a abrogação, da circuncisão, da páscoa nos moldes judaicos, dos sacrificios cruentos. Mas vc diz que os dizimos foram abolidos mas não prova. Vc argumenta com base nessa pressuposição que não é biblica, textual, é teológica.
Contra fatos bíblicos vc argumenta até que a crcuncisão foi abolida. Como se até Timóteo foi levado por Paulo para ser cricuncidado e depois da concílio de Jerusalém apenas ter orientado a não fazer distinção entre quem pratica e não pratica o ato. A hora de determinar a abstenção não se disse para se abster da circuncisão se fosse caso de abolição teria sido expresso. A circuncisão foi abrogada e isso sim ensinou os apóstolos.
Quanto ao dizimo, por exemplo, quando Jesus observou alguém o fazendo, não disse para os seus discipulos "olha não façam mais isso o que os farizeus estão fazendo, eu abulo essa prática". Ao invés disso, é notório que Ele disse e saiu das seus sacrossantos lábios, "não omitas aquelas [paráticas]". Cadê a expressão formal de abolição ou em sentido contrário cadê o esclarecimento de Jesus, dizendo, "não, vocês me entenderam mal, aonde disse não omita, digo omita essas práticas"?
A igreja sempre cobrou os dizimos, segundo as fontes que tenho em mente, e só deixou de os cobrar quando o Estado passou a fazê-lo por ela. Em nenhum escrito dos pais da igreja, á exceção de Marcião ou Tertuliano, quem sabe, há de se encontrar literatura contra dizimos.
Ai vc escreve:
Despojo de guerra não era objeto de dízimo, só ocorreu uma vez, de forma voluntária. Para o despojo havia uma legislação própria.
O que Abraão deu foi fruto de Guerra, nesse caso, da derrota de seus adversários tirou o patriarca o dízimo, logo a origem dessa dádiva não nos serve como exemplo, assim como a oferta de Jafté, que deu sua filha em sacrifício, não nos serve como exemplo, embora possamos tirar desses fatos outras lições, como o fato de Deus aceitar nossa oferta, mesmo que esta não seja a forma ideal e aprazível a Ele....
Eu:
Sobre despojo. Só expresso o meu agradecimento pela sua correção. Você me corrige eu aprendo!
Vc escreve:
Mas, a ordenança de se dar o dízimo não ocorreu em Ml. 3.10, ali é só a cobrança pelo não cumprimento. A ordem, como obrigação, ocorre lá na instituição do sacerdócio levítico.
Presumo que seja a consciência desses fatos que tenha gerado um número de 90% de votos que entendem que o dízimo não é mais obrigatório à igreja e por conseqüência opcional.
Eu:
Também fico muito contente com sua disposição em esclarecer a sua posição e percebo que essa questão no que depender de você não será mais ponto de divisão da igreja.
Você coloca bem a questão da obrigação perante a Nação, mas o escritor de Gênesis ensina que a instituição da prática era anterior, remontado no mínimo até Abrão e Melquisedeque.
Mas ficamos na mesma: a questão da obrigação é mais por que é (ou não) uma questão moral. A igreja deve impor sobre os seus membros uma prática que se coaduna com a sua confissão/profissão de fé, se a pessoa diz que é crente e rouba a Deus, como pode ser isso? Se é pessoal o admitir que é uma questão moral, a pessoa então deve procurar uma igreja aonde essa questão está em aberto. O que não pode é a pessoa tentar destruir o consenso da comunidade da fé e ao mesmo tempo reivindicar direitos e privilégios que a maioria admite que faz jus aqueles de condição moral e espiritual, que inclusive o habilita a receber mais "bênçãos demais" de Deus, "bênçãos sem medida", condição singular de quem não rouba a Deusm dentre outras coisas de exigência moral.
Todo mundo fala contra a disposição de Ml 3:10 quando obriga a prática do dizimo, como questão moral, mas todo mundo fica quietinho ante a possibilidade de Deus abrir as bênçãos dos céus e derramar bênçãos sem medida! Deus cumpre a parte dele em quem não cumpre a sua?
Se as palavras solenes de Malaquias não serve mais para nada, por que somente as profecias ainda consideradas não cumpridas servem? Se não cremos que Deus abre as janelas dos céus para quem entrega os dízimos, todos os dias, por que creremos que Deus, um dia, vai derrubar a Mesquita de Omar e edificar o Templo joaido do reino milenário e autorizar a reabertura dos holocautos? Ah, seria por que isso é profecia/promessa e aponta para o novo testamento? Malaquias 3:10 não é profecia/promessa? E porque os dizimos perderam a sua vez se projetarem para a nova aliança? Tá, não quero não pago, ninguém me obriga. Tudo bem... Deus é o Deus da Graça, da Bondade, da Misericórida... Mas as suas promessas não são fiéis? Quer dizer que fico na promessa incrivel de Isaias 56, dou a maior pilha para a empresa de demolição lá de Israel, começo a investir em granja, em rebanhos, por que vai ser assim "literalmente" e rechaço a de Malaquias 3:10?