Devaney,
Lógico que eu não concordo.
O irmão pode não concordar, mas não concordar logicamente é impossível. Voltarei ao ponto, mas por ora, faço uns comentários rápidos.
"O simples fato de um evento ser conhecido não o torna incontingente em si mesmo."
Se alguma coisa é conehcida de forma infalível, torna-o incontingente sim. A menos que este conhecimento não seja perfeito. Quer um exemplo?
Pegue um evento qualquer do passado, por exemplo, o final da Copa São Paulo de Juniores. No último domingo, meu atlético perdeu por 2 x 1 na final. Por mais que eu deteste este resultado, ele é imutável. Não haverá outro placar para este jogo. Agora, se eu não soubesse do final, talvez houvesse várias possibilidades em minha mente, inclusive uma estrondosa goleada de 10 a 0 para o Furacão. Mas, infelizmente, eu sei de modo infalível o resultado e por isso não há outro placar possível para o jogo.
"O fato de ter sido pré-anunciado por Deus, tornando-o imutável, não elimina o fato que há sim o peso de escolha no evento"
Esta não é uma resposta à primeira implicação. Eu não disse que se uma escolha é preconhecida, ela deixa de ser livre. Sobre isto ainda falarei, mas por enquanto estou me concentrando no implicação 1, ou seja, que o conhecimento conhecido perfeitamente, torna-o certo e imutável.
"EU JÁ SABIA, por ter antevisto a cena, que a escolha do Lindemberg foi alvejar fatalmente a Eloá, mas ela não sabia. Somente depois que ela viu a cena, é que tomou conhecimento da decisão dele."
Deixa eu lhe perguntar: qual a chance de que na segunda vez que o irmão assistiu ao noticiário, a pessoa morta fosse o Linderberg e não a Eloá? Nenhum, zero, necas. Pois o irmão já sabia o final da trama.
Agora, vamos voltar no tempo, digamos duas horas antes da invasão. O irmão não sabia qual seria o resultado da invasão. Poderia até supor, mas saber mesmo não sabia. Poderia dar um palpite, fazer uma aposta, mas dizer com certeza, de jeito nenhum. O seu conhecimento do resultado, sendo imperfeito, não admitia certeza.
Mas e Deus, já sabia qual seria o final? Claro que sabia, não duas horas antes, mas Ele sempre soube e com conhecimento perfeito e exaustivo. Se perguntado, Ele não diria "eu acho que...". Pois desde toda a eternidade havia um só final para a história, aquele triste e lamentável final. Não havia, no Universo, uma só possibilidade, ínfima que fosse, que desse a Eloá um destino diferente. E isto desde antes da criação do mundo.
"Uma coisa é saber previamente um fato, de modo que saiba como ele vai acontecer. Outra coisa bem diferente é afirmar que um prévio conhecimento tirou o poder de decisão de uma pessoa, decisão que somente ela pode tomar."
Quando, e se, eu fizer tal afirmação, então o irmão pode contestar. Pois eu não afirmei que o conhecimento prévio tira a liberdade de escolha. Há quem afirme isso, mas eu não afirmei, pelo menos não por enquanto.
"Na Bíblia, mesmo eventos que foram anunciados por Deus, determinados, praticamente selados, foram mudados à medida que o homem mudou."
Ótimo, agora sim o irmão chegou em um ponto relevante para a questão. Mas cheguei nele na hora que devo ir para uma reunião e terei que abordá-lo oportunamente.
Em Cristo,
Clóvis