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[Saul falou com Samuel?] - Procurando compreender I Samuel 28

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[Saul falou com Samuel?] - Procurando compreender I Samuel 28

Mensagem por Norberto em Sex 30 Nov 2012, 01:50

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Procurando compreender I Samuel 28

Por Carlos Eduardo Bernardo
do IPET - Instituto de Pesquisas Teológicas


Porque este texto?

Provavelmente este é um dos textos mais usados pelos ocultistas - espíritas, esotéricos, etc. - podem usar no diálogo com os cristãos, com o intuito de afirmar a possibilidade e uma suposta aprovação de Deus - mediante as Escrituras - à comunicação entre vivos e mortos. Afirmam eles que, a clareza e ao mesmo tempo a literalidade da narrativa demonstram, de forma inequívoca, que era realmente o espírito de Samuel quem comunicara-se com Saul através da médium (usando em especial os versículos 12, 15 e 16 e eles desconsideram por absoluto a hipótese de manobra fraudulenta da mulher ou intervenção diabólica.

A opinião acima expressa nada mais é que o pensamento de eminentes teólogos católicos, entretanto, muitos teólogos evangélicos conceituados concordam esta posição dentre os quais Josh Mc Dowell, Mark Albrecht e Brooks Alexander - todos apologétas cristãos notórios e altamente capacitados - entretanto, apesar de respeitarmos e amarmos esses irmão em CRISTO JESUS, não podemos concordar com tal compreensão daquela passagem bíblica, e, não estamos sozinhos em nossa atitude, antes, outros teólogos cristãos renomados têm compreendido de modo semelhante a nós o capítulo vinte oito (28 ) do Primeiro Livro de Samuel, dentre os quais citamos, o Pr. e Heresiólogo Raimundo de Oliveira, os apologetas Miguel Albanez e Pr. Natanael Rinaldi e a equipe de teólogos comentaristas da Bíblia Vida Nova na sua maioria cristãos de confissão batista.

Procuraremos por meio deste orientar os irmãos e a todos os demais interessados, numa apreciação cristã-ortodoxa do texto em epígrafe, procurando sempre ser fiéis ao ensino escriturístico sobre o assunto em pauta e apelando às evidências internas, que cremos serem suficientes para elucidar qualquer dúvida, que porventura venha a perturbar os vossos corações.



Observações introdutórias

Bem, primeiramente devemos perguntar, quem forneceu as informações - ou mesmo escreveu - que compõem este capítulo?

A própria Bíblia nos informa que o nome do profeta Samuel, deve ser descartado, pois: “Já Samuel era morto, ...” I Sm.28:3

As Escrituras, não nos indicam ter sido Saul, e, é improvável que o tenha sido, pois este estava desesperado ante o avanço dos filisteus, de tal modo que não se daria ao luxo de ocupar-se numa atividade literária de tamanha monta.

Oras, pela minúcia com qual os acontecimentos são descritos, podemos concluir que somente uma - ou mais - testemunha(s) ocular(es) poderiam ter fornecido ao escritor sacro todas as informações contidas no capítulo. Não cremos ter sido a médium, posto que, se assim fosse, a descrição da visualização do espírito, seria mais precisa e de uma ótica diferente - note-se que a narrativa começa com acontecimentos que precederam em muito o aparecimento da médium em cena e são tão acurados quanto ao restante do capítulo. Deduzimos então, que provavelmente todas a informações deste capítulo procedem do testemunho de ao menos um dos servos de Saul. Isso é muito provável, pois foi a eles que Saul pediu que encontrassem uma médium e os mesmos demonstraram conhece-la de antemão, posto que sabiam exatamente onde havia uma (v.7), a despeito da proibição real (vs.3, 9). Habitualmente esses servos eram estrangeiros (cf. I Sm.21:7; 26:6: II Sm.23:25 à 39), e, pagãos, que provavelmente criam nos poderes mediúnicos daquela mulher - caso contrário não haveria sentido em indicá-la ao rei - obviamente, estes fatores justificam, o estilo tão convincente da narrativa.

Tudo isso significa que o escritor sacro, narrou os acontecimentos do ponto de vista do(s) servo(s) de Saul - da mesma forma que os escritores sacros, em outras partes da Bíblia, falam do ponto de vista humano (cf. Ec.3:19; 5:18; 9:7, 9,10) - entretanto, não significa que devamos interpreta-los sob o mesmo ponto de vista, ou pressupor que tal análise está perfeitamente correta para o povo de DEUS ou ainda como sendo um exemplo de prática a ser seguido e autorizado por DEUS em Suas Escrituras, como o que infelizmente muitos vêem fazendo.

Cremos que Deus permitiu ao escritor de I Samuel, agir desta forma, primeiro para que fosse demonstrada a fidelidade das Escrituras ao narrarem acontecimentos históricos e segundo porque Ele sabia que o texto considerado em seu contexto tornaria possível saber que aquele espírito não era de Samuel. É notório que o Espírito de Deus não agiu - no exercício de composição das Escrituras - desta forma apenas nessa passagem, um dentre vários outros exemplos encontram-se no livro de Jó, onde vemos a seguinte afirmação depois de um ato miraculoso:

    “Falava este ainda quando veio outro, e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas ...” Jó 1:16

O contexto indica claramente que não foi Deus quem enviou fogo do céu, para aumentar a desgraça de Jó, porém no entender daquele servo - ou seja do seu ponto de vista - aquilo era um ato de Deus, o escritor sacro, não alterou a sua narrativa para adaptá-la aos fatos, antes, manteve-a cônscio de que o contexto seria o suficiente para demonstrar o erro de tal ponto de vista.

Não questionamos, a sinceridade da médium na sua crença de uma real manifestação do espírito de Samuel, já que uma crença sincera não implica necessariamente em que o objeto da crença seja uma verdade, ela poderia estar sinceramente enganada, e, é exatamente isso que procuraremos demonstrar na argumentação à seguir, passemos então à apreciação mais detalhada desta passagem enigmática, tendo em mente tudo o que foi dito até o presente momento.



Razões para não crer que era realmente o espírito de Samuel

A Bíblia informa-nos de modo categórico que Deus não respondeu de forma alguma ao rei Saul:

    “Consultou Saul o Senhor, porém este não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas.” I Sm.28:6

No hebraico o verbo deixa claro que Deus, não respondeu, não responde e não responderá nunca, e isso é facilmente explicado, pelo fato que tentar consultar a Deus por meio de práticas ocultistas - divinatórias, espíritas ... - constitui-se em não consultar ao Senhor, mas sujeitar-se à forças alheias a Ele e por Ele condenadas (cf. Dt.18:9 à 14), por esse motivo o cronista pode dizer que:

    “... Saul ... interrogara e consultara uma necromante e não ao Senhor ...” I Cr.10:13 à 14

Os versículos em lume falam de modo totalmente concorde com o contexto escriturístico que haviam basicamente três formas pelas quais Deus revelava sua vontade aos homens em casos específicos, são elas:

    1) Revelação sacerdotal: "nem por Urim";

    2) Revelação pessoal: "nem por sonhos";

    3) Revelação inspiracional divina: "nem por profetas"

Esta terceira é a que nos deteremos à analisar sucintamente; o verso nos informa que Deus não respondeu sequer por meio de revelação inspiracional - ou seja de profetas - oras, Samuel era um profeta e não poderia falar, senão por inspiração divina, se realmente fora Samuel que comunicara-se com Saul, suas palavras só poderiam provir de inspiração divina portanto seria o próprio Deus respondendo, mas, as Escrituras nos dizem que Deus não respondeu, logo não foi Samuel quem realmente transmitiu a suposta profecia. Segundo, diz-nos o narrador “Saul disfarçou-se” e foi ter com a médium (v.8 ), mas, ponderemos não estaríamos sendo ingênuos ao acreditar que tal disfarce tenha convencido a médium. Por que dizemos isso?

Bem, a própria Escritura nos diz que Saul “desde os ombros para cima sobressaía a todo o povo” (cf. I Sm.9:2). Isso significa que em Israel não havia homem mais alto que Saul, portanto cremos que seria difícil a ele disfarçar-se de forma que alguém não o reconhecesse.

Também quando o “forasteiro” disse à mulher que queria que ela lhe fizesse uma consulta mediúnica, ela replicou-lhe, lembrando-lhe o que o rei havia feito aos médiuns e adivinhos - insinuando até que sua vinda à sua casa poderia ser uma cilada - (v.9). Em resposta o “forasteiro”, garantiu-lhe - sob juramento - que nenhum castigo sobreviria à mulher se ela lhe fizesse o que ele lhe pedia (v.10).

Mas, arrazoemos, de que valeria a palavra de um “forasteiro” - mesmo que sob juramento - diante da palavra do rei, poderia ele garantir que a mulher não sofreria nenhum castigo, enquanto o edito do rei dizia o contrário? É óbvio que um “forasteiro” disfarçado jamais poderia garantir tal coisa, à menos que fosse o próprio rei.

E também um outro fator relevante é que a médium provavelmente só atendeu ao “forasteiro” porque ele fora levado à ela por alguém de confiança da mesma - visto que tais consultas poderiam custar-lhe a vida - , sabemos que quem levou Saul até à médium foram seus servos (vs. 7,8 ), e, com isso deduzimos que os mesmos eram pessoas de confiança da médium - e possivelmente consulentes constantes de suas “habilidades mediúnicas”- portanto ela certamente sabia que eles eram servos de Saul, e, em suma, tudo indica que a médium no mínimo desconfiava que o “forasteiro” era o rei Saul e se esse foi o caso, sua desconfiança foi confirmada quando o “forasteiro” revelou-lhe a quem ele queria que ela lhe fizesse subir:

    “Faze-me subir Samuel.” I Sm.28:11

Por isso, deduzimos que é provável que a médium já soubesse - através dos servos do rei - que Saul viria consultá-la, e, levou-o a jurar-lhe pela segurança de sua vida (v.10) e ainda aguardou o momento propício para “desmascarar-lhe” (v.12). Tal momento é descrito assim:

    “Vendo a mulher a Samuel, gritou em alta voz; e a mulher disse a Saul: Por que me enganaste? Pois tu mesmo és Saul.” I Sm.28:12

Aqueles que crêem ter sido realmente o espírito de Samuel, apegam-se firmemente a esse verso, alegando que as Escrituras , dizem nele que a “mulher vira a Samuel”, é nesse momento que as “observações introdutórias” ser-nos-ão úteis, pois recorrendo à elas pedimos ao leitor que lembre-se que os acontecimentos foram narrados do ponto de vista do observador - no caso um dos servos de Saul - e este acreditava que a médium estava vendo a Samuel, mas consideremos que, ninguém estaria mais habilitado para dizer o que a médium estava vendo, do que ela mesma, mas após a mulher gritar Saul falou-lhe:

    “Não temas; que vês?...” (v.13)

A médium, porventura disse que via a Samuel? Não, antes ela respondeu-lhe:

    “Vejo um deus que sobe da terra.” (v.13)

Oras, ela não disse que via a Samuel, mas sim “um deus” - ou como encontra-se na ARC: “deuses que sobem da terra” - as diferentes traduções da palavra eloim = `elõhïm, ocorrem porque diferentes contextos regem sobre a tradução da mesma habitualmente quando aplicada ao Deus Eterno o contexto indica que a mesma deve ser traduzida por “Deus”, mas, como o nosso vocábulo português - Deus - ele pode ser aplicado a falsos deuses e normalmente usamos essa mesma palavra com “d” minúsculo, da mesma forma quando o contexto indica que o objeto a qual se aplica a expressão eloim não é o Deus Eterno traduz-se por “deus” ou o mais correto “deuses” ou "espíritos" e ainda é possível aplicá-la também a "anjos".

Essas considerações são necessárias, para que entendamos que a mulher não respondeu que via a Samuel, mas sim alguma(s) falsa(s) divindade(s), que o escritor sacro sabiamente denotou eloim - nesse contexto uma “divindade” qualquer. A descrição que a mulher fornece a Saul, desse eloim, é óbvia demais, vejamos:

    “...um ancião, e está envolto em capa...” (v.14)

Bem, Samuel era conhecidíssimo em Israel, não seria difícil, à médium passado o susto inicial atribuir à sua visão uma descrição que encaixe-se a pessoa de Samuel, ou mesmo à esse espírito - eloim, falsa divindade - assumir aparência de Samuel. Consideremos que, a descrição é imprecisa e suscetível de diversas interpretações, naquela época quase todas as pessoas usavam capa, essa era uma peça comum no vestuário do povos do Oriente Médio (cf. Gn.9:23; 39:12; Js.7:21; Rt.3:15; I Sm.15:27; 18:4; 19:13; I Rs.11:29; 19:13; 19:19), todo o povo de Israel sabia que Samuel era velho (cf. I Sm.8:5) e o próprio Samuel antes de sua morte confirmara tal fato (cf. I Sm.12:2), logo não seria difícil levar o Saul a acreditar que a mulher via a Samuel, e realmente foi isso que aconteceu, pois o texto nos informa:

    “Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra e se prostrou.” (v.14)

O negrito deixa claro que, Saul apenas “entendeu que era Samuel” - novamente vigora o ponto de vista do observador - nem os servos de Saul ou o próprio poderiam ter certeza de que era Samuel quem manifestara-se à médium, e como a única pessoa que poderia dizer-nos se era ou não Samuel não nos disse - antes, afirmara ver “um deus/espírito” - somos levados a crer que não era Samuel, mas sim, um espírito - ou diga-se uma falsa divindade (eloim) - que enganou aos presentes na sessão, quem sabe até mesmo a própria médium.

Seria estranho, que Samuel após a morte, tivesse atendido ao apelo de Saul, quando em vida o mesmo não o fez (cf. I Sm.15:35; 19:24), ainda mais porque o método usado é totalmente contrário ao que Samuel pregara em vida (cf. I Sm.15:23), o profeta morrera cônscio de ser propriedade do Senhor, e sendo fiel a Deus em vida (cf. I Sm.12:3,4) tornar-se-ia infiel após a morte? Paulo deixa claro que a morte não anula o senhorio de Deus sobre a vida de seus servos:

    “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.” Rm.14:8

Portanto, temos plena confiança de que Samuel manteve-se fiel a Deus, mesmo após sua morte e que Deus de maneira nenhuma contradisse à sua Palavra permitindo que Samuel falasse através da médium.

Se realmente fosse Samuel quem tivesse falado por meio daquela mulher, todos nós teríamos que aceitar como fato, que Deus use pessoas ímpias - espíritas, pajés, bruxos ... - para transmitir suas profecias aos homens, logo perdemos a base para considerar os ensinos dessas pessoas como anti-bíblicos - por mais anti-bíblicos que sejam - e teremos por exemplo que aceitar a afirmação kardecista que essa modalidade de espiritismo é a “Quarta revelação de Deus”, mesmo sabendo que ela nega todas as verdades fundamentais da fé cristã.

Entretanto, além das evidências apontadas acima - contrárias ao argumento de que era Samuel - temos que levar em conta que, se foi realmente Samuel quem falou, ele o fez sob inspiração divina, então sua profecia tem o peso da Palavra de Deus, e, não pode falhar, pois Deus não falha e não há precedentes nas Escrituras que indiquem sequer uma possibilidade de falha - ou erro - numa profecia proveniente de Deus.

Mas, a profecia, dita por “Samuel”, através da médium além de imprecisa falhou totalmente no seu cumprimento:

    1) Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus (v.19), antes suicidou-se (cf. I Sm.31:4), e foi parar nas mãos dos homens de Jabes-Gileade (cf. I Sm.31:11 à 13), Saul apenas passou pelas mãos dos filisteus.

    2) O espírito que falou a Saul, insinuou que todos os seus filhos morreriam junto com o rei (v.19), porém, somente três filhos de Saul morreram (cf. I Sm.31:2, 6 e I Cr.10:2, 6) pelo menos três filhos de Saul ficaram vivos Is-Bosete (cf. II Sm.2:8 à 10), Armoni e Mefibosete (cf. II Sm.21:8 ).

    3) “...amanhã tu ... estarás comigo..” (v.19), este parte da “profecia” também não teve cumprimento, pois Saul veio a morrer somente cerca de dezoito dias depois - o que pode-se deduzir calculando os números de dias mencionados em I Sm.30:1, 10, 13, 17; II Sm.1:3.

Na compreensão dos judeus vetero-testamentários, todos os que morriam iam para um lugar chamado Sheol = gr. Hades - termo que equivale a expressão “habitação dos mortos” - e conforme Cristo nos ensinou tal lugar era dividido em duas repartições: o paraíso, chamado “seio de Abraão” (cf. Lc.16:22) para onde iam as almas daqueles que morriam justificados perante Deus, e, o lugar de tormentos chamado "inferno” (cf. Lc.16:23) para onde iam as almas dos que morriam não-justificadas perante Deus.

Conhecendo a história das vidas de Saul e Samuel, percebemos claramente que Saul após a morte não poderia ir para o mesmo lugar em estava Samuel, pois este fora um homem totalmente fiel a Deus durante sua vida enquanto que Saul desviara-se dos caminhos do Senhor e fora rejeitado por Deus, portanto como ele poderia “estar com Samuel” após sua morte com profetizara o suposto Samuel. Uma leitura de Lucas 16:19 à 31, também é muito útil para auxiliar no entendimento do texto em estudo, pois nele está claro que Deus não permite a comunicação entre mortos e vivos, já que tudo o que é necessário para a salvação do homem está revelado nas Escrituras (cf. Lc.16:29 à 31).

Não podemos esquecer que, Deus não contradisse-se mas, se Ele realmente permitiu ao espírito de Samuel comunicasse-se com Saul através da médium, teremos que admitir que Deus agiu no mínimo contraditoriamente, pois mais à frente nas Escrituras é dito que Saul morreu porque dentre outras coisas:

    “...também interrogara e consultara uma necromante.” I Cr. 10:13

Uma possível explicação ao que realmente ocorreu naquele episódio tenebroso da vida de Saul é sugerida pelos comentaristas da Bíblia Vida Nova, cremos que embora concisa ela é uma das mais bem elaboradas explicações já dadas ao ocorrido e parece harmonizar-se bem ao contexto doutrinário das Escrituras Sagradas, portanto encerramos nosso comentário citando-a na íntegra:

    “A Bíblia fala de certos "espíritos", sua natureza e poder (Êx.7:11,22;8:7; At.16:16-18; 2 Co.11:14-15; Ef.6:12). São os anjos maus. Do mesmo modo fala de anjos que acampam ao nosso redor e nos guardam (Sl 34:7; Mt.18:10; Lc.15:10 etc.). São os anjos bons. São dois, os "secretários" (senão mais) que nos acompanham durante a vida toda; um bom e outro mau. Anotam tudo e sabem tudo a nosso respeito. Depois da morte, o anjo bom leva o nosso relatório-livro, diante de Deus, pelo qual seremos julgados (Ap.20:12). Por sua vez, o anjo mau assume a nossa identidade e representa-nos no mundo, através dos médiuns, onde revela nosso relatório com acerto e "autoridade" É por isso que Paulo fala da luta que temos contra "as forças espirituais do mal" (Ef.6:12). E é pela mesma razão que Deus proíbe consultas aos "mortos" (Is 8:19,20), porque estes são falsos (Dt 18:10-14). Caso fosse espíritos humanos provavelmente, Deus não proibiria a sua consulta, apenas regulamentaria o assunto para evitar abusos. Deus, porém, proíbe o que é dissimulação e falsidade.”

É possível que alguns não aceitem esta explicação, ou concordem com ela parcialmente - é o caso dos pesquisadores do IPET - porém citamo-la apenas para demonstrar que a posição ocultista não é a única possível - e sequer é a mais coerente - existem outras formas de abordagem do capítulo em foco e não devemos apreciar este de modo unilateral.
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    Data/hora atual: Sab 16 Dez 2017, 05:14