Já se aproxima o fim do ano, e com ele as festividades do Natal... Para mim, que nunca fui muito de me lembrar dos eventos da minha infância (na minha memória, é uma fase de poucos registros), me recordo perfeitamente de alguns natais. Minha família sempre foi cristã evangélica, e lembro-me de todos os anos a minha avó armar a árvore de Natal (eu me lembro, era dourada!), enchê-la de bolas e enfeites, enquanto nos contava a história do nascimento do Menino Deus...
Minha avó, dona Lygia, era Adventista, e como tal, severa na observação dos Dez Mandamentos, não permitia a colocação de anjos e presépios entre os enfeites, pois violavam o Mandamento divino de não fazer imagens de escultura (Êxodo 20.3-6), e também não permitia a figura do Papai Noel, ensinando a todos os netos que se tratava de uma figura apócrifa, que havia sido "inserida" no Natal mais como uma forma de incentivar as compras... Mas tínhamos a árvore, as bolas, e as luzinhas, que hoje são muito comuns nos camelódromos, mas que naquela época eram caras, e só pudemos comprar um jogo de lâmpadas depois de algum sacrifício. Meus olhos infantis brilhavam de alegria diante de tanta luz... Até hoje, o período natalino é uma época do ano que me fascina. O clima parece que muda ao nosso redor... E eu já estou fazendo a contagem regressiva!
Porém, o que me preocupa em nossos dias é a proliferação de estudos, pregações e livros que afirmam categoricamente que o Natal é uma festa pagã, e que o crente que comemora esta data, que arma a árvore e enfeita a casa está em pecado grave. Esta "doutrina" até bem pouco tempo inexistente na igreja evangélica, era uma exclusividade das Testemunhas de Jeová, que nem mesmo aniversários comemoram, e muito menos o Natal. Parece que aos poucos estamos aprendendo com as TJ a ver pecado até nas comemorações. A ceia natalina, já ouvi pastores pregarem que é glutonaria... E por aí vai...
É complicado para eu absorver isso, pois fui criado em igrejas tradicionais (a presbiteriana, por exemplo, foi uma delas, berço na fé de minha mãe, que até hoje congrega lá...), em uma época de rigidez doutrinária maior que a atual, mas a despeito disso eu sempre via, desde a infância, a árvore de Natal montada no templo, com direito às luzinhas e aos enfeites, e assistia o Culto de Natal, com peças teatrais, corais, jograis, cantatas e ceia comunitária após o culto. Aliás, até mesmo nas igrejas dos sertões do Nordeste que conheci em minha mocidade, onde o Evangelho era pregado e vivido de forma muito mais radical que nos centros maiores, o Natal era comemorado com árvore e enfeites coloridos... É de se estranhar que, há três décadas, igrejas tão radicais que condenavam até o corte de cabelo feminino aceitavam a comemoração e os enfeites, sem restrições, e nunca viram nenhum indício de pecado no Natal...
Hoje, comemorar o Natal está virando pecado, graças, como sempre, a revelações e opiniões pessoais, aliado a falta de conhecimento da Palavra e de bom senso nas idéias!
Já vi muitos argumentos contra o Natal: originalmente era uma festa pagã (o aniversário de Ninrode, um rei pagão); a árvore, os presentes, as guirlandas, os enfeites etc, tudo teria origem igualmente pagã. Com isso, devemos concluir que a igreja não pode aproveitar NADA da cultura pagã? Com a conversão, será que não podemos redirecionar os nossos costumes pagãos para a direção certa ― Jesus Cristo? Não é isso que a Igreja vem fazendo, desde seus primórdios?
O domingo, para os que não sabem, tem origem pagã. No império romano, era o dia do Sol Invicto (e até hoje, no calendário inglês, é o "sunday", o dia do sol). Com a conversão de Constantino e a oficialização do Cristianismo como religião do império romano, o dia do Senhor (o primeiro dia da semana) comemorado pela Igreja foi oficializado como dia de descanso entre os cristãos. Coincidentemente, o dia do Senhor era o mesmo dia do Sol Invicto do paganismo... Fazer o que? Mudar o dia do Senhor para o sábado judaico, ou entender que as culturas, mesmo pagãs, podem ser absorvidas pelo Cristianismo e por ele transformadas?
Nos nossos dias, mesmo se levantando contra o "paganismo" do Natal, a igreja, de forma incoerente, se utiliza de muitas coisas de origem pagã, às vezes sem nem mesmo se dar conta disso. Tomemos como exemplo as cerimônias de casamento: o bolo têm origem pagã (remonta os cultos à deusa Artemis, onde os primeiros tipos de bolo, feitos com mel, eram-lhe oferecidos como oferendas); o mesmo se aplica ao vestido de casamento (baseado em vestes sacerdotais de cultos pagãos, onde o "sacrifício" teria que ser uma virgem, e usaria um vestido de cor branca, que apontava para esta condição); o uso de alianças no dedo anular da mão esquerda (o costume pagão afirmava que deveria forçosamente ser colocado neste dedo, pois havia uma suposta veia que passava neste local e que desembocaria diretamente no coração); o buquê de noiva e o costume de jogá-lo ao término da cerimônia (que também é um sinal de superstição: quem pegá-lo, será a próxima a se casar); até o ato de se jogar arroz nos noivos... Quase tudo o que ocorre numa cerimônia de casamento tem origens nos costumes pagãos! Mas são costumes usados nas igrejas, as mesmas que rejeitam o Natal por ser pagão, sem nenhum problema, questionamento ou constrangimento...
Também de origem pagã é o trio elétrico, criado na Bahia na década de 1950 por Dodô e Osmar, com a finalidade de animar o carnaval (na verdade, criado na Paraíba na década de 1930 por Newton Monteiro, pelo major Ciraulo e por um grupo de músicos, para a mesma finalidade carnavalesca... Poucas pessoas sabem deste comprovado detalhe histórico), mas que hoje é usado em passeatas evangélicas, cultos ao ar livre, evangelismos etc. Estaria errado? Não! Está corretíssimo! Aqui, vê-se que a intenção muda completamente o sentido das coisas, mesmo quando criadas por pagãos para finalidades pagãs.
E porque não falar das músicas que cantamos nas nossas igrejas? Em relação ao rock, um dos seus autores mesmo chegou a afirmar que o diabo era o pai deste gênero musical (é lógico que não estou afirmando nem referendando isso!)... O funk, música comprovadamente direcionada a práticas sexuais libertinas, já é usado nas igrejas para louvar a Deus. Isto sem citar o forró gospel, o reggae... Muitos instrumentos musicais, mormente os de percussão, antes usados em cerimônias animistas e ocultistas, já foram incorporados às bandas de nossas igrejas. E até a dança e a expressão corporal, antes considerados mundanos, já são apresentados nas igrejas para louvar ao Senhor...
Nada disto absolutamente não se constitui em pecado, pois a intenção do coração é o que vale diante de Deus, como aquela mulher pecadora, que de coração inteiro ungiu os pés do Senhor e foi criticada por muitos, mas teve seu singelo sacrifício aceito pelo Mestre.
Creio que um dia o Brasil acabará com o Carnaval, transformando este período em festa de adoração a Deus. O fato de que nesta data é comemorada a festa da carne desautorizará a igreja a transformar este período de pecado em um período de adoração a Deus???
Muitos outros exemplos poderiam ser citados aqui... Coisas que eram do paganismo mas que são usadas hoje em dia em nossas igrejas sem questionamento algum... Afinal, "do Senhor é a terra e sua plenitude, o mundo e os que nele habitam" (Salmo 24:1). Mas então, por que não conseguem aceitar a festa de Natal?
Jesus não nasceu em dezembro, alegam alguns. É claro que não, e todos os que comemoram o Natal sabem deste detalhe, e reconhecem que é uma "festa de aniversário fora de época"! É mais provável que o Senhor Jesus tenha nascido em meados de abril e maio. Mas como não se sabe a data exata, nada impede que seja comemorado seu nascimento em outra data conveniente. Nos antigos sertões nordestinos, onde era difícil se registrar um recém-nascido dadas as distâncias dos cartórios e comarcas, seu registro muitas vezes só era feito muitos anos depois, quando ninguém nem mais lembrava a data exata do seu nascimento; mas isso não impedia que fosse fixada uma data, feito o registro e anualmente se comemorasse o nascimento da pessoa. Ademais, o que fazer para se comemorar o aniversário de alguém que nasceu em 29 de fevereiro? Só devemos fazê-lo a cada quatro anos? Um outro exemplo disso é o descobrimento do Brasil; é comemorado em abril, mas todo mundo sabe que o Brasil foi descoberto muito antes...
A Páscoa comemorada pelos evangélicos também se aplica nesta situação; é uma festa móvel, associada a datas determinadas pela Igreja Católica, completamente dissociada da Páscoa judaica, que ocorre em data completamente diferente da que comemoramos, mas é comemorada em nossas igrejas de conformidade com o calendário católico-romano, sem questionamentos (exceto as questões de ovos de chocolate e coelhinho). Não seria isso também paganismo duplo? Comemora-se em data incerta (assim como o Natal) e aproveita-se a data estipulada pela Igreja Católica, que por sua vez a estipula baseando-se no carnaval, comemorando-a 40 dias após a quarta-feira de cinzas (paganismo)...
Alega-se ainda que os judeus não comemoravam aniversários, e por isso não devemos comemorar o aniversário de Jesus. Contudo, nós não somos judeus, somos brasileiros. Tenho minha própria cultura, e nela os aniversários são comemorados. O Evangelho não é e não pode ser uma contra-cultura, mas deve ser uma bússola, que direciona todas as culturas para o Senhor Jesus. Qualquer pessoa que já leu um bom livro que relate experiências de missionários em missões transculturais sabe que um dos maiores desafios destes missionários é apresentar Jesus e o Evangelho dentro da própria cultura do povo. As agências de missões do mundo inteiro aboliram há muito a prática da imposição cultural, onde a cultura nativa é anulada ou aniquilada. Hoje há respeito pela identidade cultural de um povo. Devemos fomentar somente o abandono de práticas que contradigam a verdade das Escrituras.
Até esta data não encontrei nenhuma menção contrária na Bíblia à comemoração de datas natalícias. Os filhos de Jó, a Bíblia dá a entender que comemoravam seus aniversários (Jó 1:4-5), e essas comemorações duravam vários dias. Assim, somos livres para comemorações festivas, desde que lembremos dos princípios da Palavra de Deus para as nossas vidas. O argumento que é muito usado pelas Testemunhas de Jeová que os únicos na Bíblia que comemoraram seus aniversários foram pagãos e ímpios (Faraó do Egito no AT e Herodes no NT) carece de substância, pois o fato de um ímpio ter feito algo não me desautoriza a fazê-lo, nem constitui este ato como pecado.
Sou plenamente a favor da festa de Natal. Levanto-me, sim, contra o pseudo-natal que tentam nos empurrar goela abaixo: o natal do Papai Noel, da hipocrisia, do consumismo desenfreado e irresponsável, onde eu uso meu salário e o 13º para fazer compras, compras e mais compras... E se os dois salários forem insuficientes, vamos ao crediário! O importante é não deixar ninguém sem presentes nesta bela data... E haja amigo-secreto, amigo-doce, amigo-da-onça, confraternizações, roupas e calçados novos... Vamos aproveitar o clima de festa e vamos pintar a casa!...
Não!! Este não é o meu Natal, e nem o Natal do Senhor Jesus. O meu Natal ― o Verdadeiro Natal ― consiste em reconhecer o senhorio do Menino Deus em minha vida, aceitando-O como Senhor e Salvador, corrigindo meus erros e vivendo de conformidade com o que Ele deseja que eu viva, volvendo-me à Palavra de Deus. Assim como Zaqueu, que ao ter o seu Natal particular recebendo o Senhor em sua casa e em sua vida, tomou duas decisões importantes: corrigir os erros do passado (se a alguém defraudei, restituo-o quadruplicado) e passar doravante a pautar seu presente e futuro de acordo com a Palavra de Deus (decido dar aos pobres metade de meus bens).
Celebremos o aniversário de Jesus em família, com amor e união. E na hora da festa, não deixemos de dar graças e cear com alegria e singeleza de coração. Abramos as portas de nosso lar para os amigos menos afortunados, acolhamos o pobre e o necessitado. Os enfeites, a árvore e as lâmpadas coloridas são apenas detalhes... São apenas enfeites, como os quadros e jarros de flores que minha esposa usa em casa (deveríamos, porventura, retirar as flores de nossas casas só porque o paganismo sempre as usou no Dia de Finados?). Nem um nem outro são pecados. Mas retiremos do nosso lar o Noel e os presépios, pois não são adequados a um Natal cristão.
O Aniversariante é o mais importante! Há um hino antigo, que cantávamos em nossa igreja na minha adolescência ― não sei o autor, nem o título ― que diz tudo a respeito do Natal...
No Natal, a gente sempre agradece / por Jesus ter nascido em Belém,
Mas nem sempre se lembra na prece / que Ele nasce na gente também.
E nos livra de todo o pecado / e de tudo o que há de ruim.
Obrigado, meu Jesus querido / por nascer aqui dentro de mim.
Que cada um de nós possa cantar este hino (mesmo sem saber a melodia... Invente uma!) com todo o nosso coração! O Dono da festa agradece!
Autor: Zilton Alencar
Minha avó, dona Lygia, era Adventista, e como tal, severa na observação dos Dez Mandamentos, não permitia a colocação de anjos e presépios entre os enfeites, pois violavam o Mandamento divino de não fazer imagens de escultura (Êxodo 20.3-6), e também não permitia a figura do Papai Noel, ensinando a todos os netos que se tratava de uma figura apócrifa, que havia sido "inserida" no Natal mais como uma forma de incentivar as compras... Mas tínhamos a árvore, as bolas, e as luzinhas, que hoje são muito comuns nos camelódromos, mas que naquela época eram caras, e só pudemos comprar um jogo de lâmpadas depois de algum sacrifício. Meus olhos infantis brilhavam de alegria diante de tanta luz... Até hoje, o período natalino é uma época do ano que me fascina. O clima parece que muda ao nosso redor... E eu já estou fazendo a contagem regressiva!
Porém, o que me preocupa em nossos dias é a proliferação de estudos, pregações e livros que afirmam categoricamente que o Natal é uma festa pagã, e que o crente que comemora esta data, que arma a árvore e enfeita a casa está em pecado grave. Esta "doutrina" até bem pouco tempo inexistente na igreja evangélica, era uma exclusividade das Testemunhas de Jeová, que nem mesmo aniversários comemoram, e muito menos o Natal. Parece que aos poucos estamos aprendendo com as TJ a ver pecado até nas comemorações. A ceia natalina, já ouvi pastores pregarem que é glutonaria... E por aí vai...
É complicado para eu absorver isso, pois fui criado em igrejas tradicionais (a presbiteriana, por exemplo, foi uma delas, berço na fé de minha mãe, que até hoje congrega lá...), em uma época de rigidez doutrinária maior que a atual, mas a despeito disso eu sempre via, desde a infância, a árvore de Natal montada no templo, com direito às luzinhas e aos enfeites, e assistia o Culto de Natal, com peças teatrais, corais, jograis, cantatas e ceia comunitária após o culto. Aliás, até mesmo nas igrejas dos sertões do Nordeste que conheci em minha mocidade, onde o Evangelho era pregado e vivido de forma muito mais radical que nos centros maiores, o Natal era comemorado com árvore e enfeites coloridos... É de se estranhar que, há três décadas, igrejas tão radicais que condenavam até o corte de cabelo feminino aceitavam a comemoração e os enfeites, sem restrições, e nunca viram nenhum indício de pecado no Natal...
Hoje, comemorar o Natal está virando pecado, graças, como sempre, a revelações e opiniões pessoais, aliado a falta de conhecimento da Palavra e de bom senso nas idéias!
Já vi muitos argumentos contra o Natal: originalmente era uma festa pagã (o aniversário de Ninrode, um rei pagão); a árvore, os presentes, as guirlandas, os enfeites etc, tudo teria origem igualmente pagã. Com isso, devemos concluir que a igreja não pode aproveitar NADA da cultura pagã? Com a conversão, será que não podemos redirecionar os nossos costumes pagãos para a direção certa ― Jesus Cristo? Não é isso que a Igreja vem fazendo, desde seus primórdios?
O domingo, para os que não sabem, tem origem pagã. No império romano, era o dia do Sol Invicto (e até hoje, no calendário inglês, é o "sunday", o dia do sol). Com a conversão de Constantino e a oficialização do Cristianismo como religião do império romano, o dia do Senhor (o primeiro dia da semana) comemorado pela Igreja foi oficializado como dia de descanso entre os cristãos. Coincidentemente, o dia do Senhor era o mesmo dia do Sol Invicto do paganismo... Fazer o que? Mudar o dia do Senhor para o sábado judaico, ou entender que as culturas, mesmo pagãs, podem ser absorvidas pelo Cristianismo e por ele transformadas?
Nos nossos dias, mesmo se levantando contra o "paganismo" do Natal, a igreja, de forma incoerente, se utiliza de muitas coisas de origem pagã, às vezes sem nem mesmo se dar conta disso. Tomemos como exemplo as cerimônias de casamento: o bolo têm origem pagã (remonta os cultos à deusa Artemis, onde os primeiros tipos de bolo, feitos com mel, eram-lhe oferecidos como oferendas); o mesmo se aplica ao vestido de casamento (baseado em vestes sacerdotais de cultos pagãos, onde o "sacrifício" teria que ser uma virgem, e usaria um vestido de cor branca, que apontava para esta condição); o uso de alianças no dedo anular da mão esquerda (o costume pagão afirmava que deveria forçosamente ser colocado neste dedo, pois havia uma suposta veia que passava neste local e que desembocaria diretamente no coração); o buquê de noiva e o costume de jogá-lo ao término da cerimônia (que também é um sinal de superstição: quem pegá-lo, será a próxima a se casar); até o ato de se jogar arroz nos noivos... Quase tudo o que ocorre numa cerimônia de casamento tem origens nos costumes pagãos! Mas são costumes usados nas igrejas, as mesmas que rejeitam o Natal por ser pagão, sem nenhum problema, questionamento ou constrangimento...
Também de origem pagã é o trio elétrico, criado na Bahia na década de 1950 por Dodô e Osmar, com a finalidade de animar o carnaval (na verdade, criado na Paraíba na década de 1930 por Newton Monteiro, pelo major Ciraulo e por um grupo de músicos, para a mesma finalidade carnavalesca... Poucas pessoas sabem deste comprovado detalhe histórico), mas que hoje é usado em passeatas evangélicas, cultos ao ar livre, evangelismos etc. Estaria errado? Não! Está corretíssimo! Aqui, vê-se que a intenção muda completamente o sentido das coisas, mesmo quando criadas por pagãos para finalidades pagãs.
E porque não falar das músicas que cantamos nas nossas igrejas? Em relação ao rock, um dos seus autores mesmo chegou a afirmar que o diabo era o pai deste gênero musical (é lógico que não estou afirmando nem referendando isso!)... O funk, música comprovadamente direcionada a práticas sexuais libertinas, já é usado nas igrejas para louvar a Deus. Isto sem citar o forró gospel, o reggae... Muitos instrumentos musicais, mormente os de percussão, antes usados em cerimônias animistas e ocultistas, já foram incorporados às bandas de nossas igrejas. E até a dança e a expressão corporal, antes considerados mundanos, já são apresentados nas igrejas para louvar ao Senhor...
Nada disto absolutamente não se constitui em pecado, pois a intenção do coração é o que vale diante de Deus, como aquela mulher pecadora, que de coração inteiro ungiu os pés do Senhor e foi criticada por muitos, mas teve seu singelo sacrifício aceito pelo Mestre.
Creio que um dia o Brasil acabará com o Carnaval, transformando este período em festa de adoração a Deus. O fato de que nesta data é comemorada a festa da carne desautorizará a igreja a transformar este período de pecado em um período de adoração a Deus???
Muitos outros exemplos poderiam ser citados aqui... Coisas que eram do paganismo mas que são usadas hoje em dia em nossas igrejas sem questionamento algum... Afinal, "do Senhor é a terra e sua plenitude, o mundo e os que nele habitam" (Salmo 24:1). Mas então, por que não conseguem aceitar a festa de Natal?
Jesus não nasceu em dezembro, alegam alguns. É claro que não, e todos os que comemoram o Natal sabem deste detalhe, e reconhecem que é uma "festa de aniversário fora de época"! É mais provável que o Senhor Jesus tenha nascido em meados de abril e maio. Mas como não se sabe a data exata, nada impede que seja comemorado seu nascimento em outra data conveniente. Nos antigos sertões nordestinos, onde era difícil se registrar um recém-nascido dadas as distâncias dos cartórios e comarcas, seu registro muitas vezes só era feito muitos anos depois, quando ninguém nem mais lembrava a data exata do seu nascimento; mas isso não impedia que fosse fixada uma data, feito o registro e anualmente se comemorasse o nascimento da pessoa. Ademais, o que fazer para se comemorar o aniversário de alguém que nasceu em 29 de fevereiro? Só devemos fazê-lo a cada quatro anos? Um outro exemplo disso é o descobrimento do Brasil; é comemorado em abril, mas todo mundo sabe que o Brasil foi descoberto muito antes...
A Páscoa comemorada pelos evangélicos também se aplica nesta situação; é uma festa móvel, associada a datas determinadas pela Igreja Católica, completamente dissociada da Páscoa judaica, que ocorre em data completamente diferente da que comemoramos, mas é comemorada em nossas igrejas de conformidade com o calendário católico-romano, sem questionamentos (exceto as questões de ovos de chocolate e coelhinho). Não seria isso também paganismo duplo? Comemora-se em data incerta (assim como o Natal) e aproveita-se a data estipulada pela Igreja Católica, que por sua vez a estipula baseando-se no carnaval, comemorando-a 40 dias após a quarta-feira de cinzas (paganismo)...
Alega-se ainda que os judeus não comemoravam aniversários, e por isso não devemos comemorar o aniversário de Jesus. Contudo, nós não somos judeus, somos brasileiros. Tenho minha própria cultura, e nela os aniversários são comemorados. O Evangelho não é e não pode ser uma contra-cultura, mas deve ser uma bússola, que direciona todas as culturas para o Senhor Jesus. Qualquer pessoa que já leu um bom livro que relate experiências de missionários em missões transculturais sabe que um dos maiores desafios destes missionários é apresentar Jesus e o Evangelho dentro da própria cultura do povo. As agências de missões do mundo inteiro aboliram há muito a prática da imposição cultural, onde a cultura nativa é anulada ou aniquilada. Hoje há respeito pela identidade cultural de um povo. Devemos fomentar somente o abandono de práticas que contradigam a verdade das Escrituras.
Até esta data não encontrei nenhuma menção contrária na Bíblia à comemoração de datas natalícias. Os filhos de Jó, a Bíblia dá a entender que comemoravam seus aniversários (Jó 1:4-5), e essas comemorações duravam vários dias. Assim, somos livres para comemorações festivas, desde que lembremos dos princípios da Palavra de Deus para as nossas vidas. O argumento que é muito usado pelas Testemunhas de Jeová que os únicos na Bíblia que comemoraram seus aniversários foram pagãos e ímpios (Faraó do Egito no AT e Herodes no NT) carece de substância, pois o fato de um ímpio ter feito algo não me desautoriza a fazê-lo, nem constitui este ato como pecado.
Sou plenamente a favor da festa de Natal. Levanto-me, sim, contra o pseudo-natal que tentam nos empurrar goela abaixo: o natal do Papai Noel, da hipocrisia, do consumismo desenfreado e irresponsável, onde eu uso meu salário e o 13º para fazer compras, compras e mais compras... E se os dois salários forem insuficientes, vamos ao crediário! O importante é não deixar ninguém sem presentes nesta bela data... E haja amigo-secreto, amigo-doce, amigo-da-onça, confraternizações, roupas e calçados novos... Vamos aproveitar o clima de festa e vamos pintar a casa!...
Não!! Este não é o meu Natal, e nem o Natal do Senhor Jesus. O meu Natal ― o Verdadeiro Natal ― consiste em reconhecer o senhorio do Menino Deus em minha vida, aceitando-O como Senhor e Salvador, corrigindo meus erros e vivendo de conformidade com o que Ele deseja que eu viva, volvendo-me à Palavra de Deus. Assim como Zaqueu, que ao ter o seu Natal particular recebendo o Senhor em sua casa e em sua vida, tomou duas decisões importantes: corrigir os erros do passado (se a alguém defraudei, restituo-o quadruplicado) e passar doravante a pautar seu presente e futuro de acordo com a Palavra de Deus (decido dar aos pobres metade de meus bens).
Celebremos o aniversário de Jesus em família, com amor e união. E na hora da festa, não deixemos de dar graças e cear com alegria e singeleza de coração. Abramos as portas de nosso lar para os amigos menos afortunados, acolhamos o pobre e o necessitado. Os enfeites, a árvore e as lâmpadas coloridas são apenas detalhes... São apenas enfeites, como os quadros e jarros de flores que minha esposa usa em casa (deveríamos, porventura, retirar as flores de nossas casas só porque o paganismo sempre as usou no Dia de Finados?). Nem um nem outro são pecados. Mas retiremos do nosso lar o Noel e os presépios, pois não são adequados a um Natal cristão.
O Aniversariante é o mais importante! Há um hino antigo, que cantávamos em nossa igreja na minha adolescência ― não sei o autor, nem o título ― que diz tudo a respeito do Natal...
No Natal, a gente sempre agradece / por Jesus ter nascido em Belém,
Mas nem sempre se lembra na prece / que Ele nasce na gente também.
E nos livra de todo o pecado / e de tudo o que há de ruim.
Obrigado, meu Jesus querido / por nascer aqui dentro de mim.
Que cada um de nós possa cantar este hino (mesmo sem saber a melodia... Invente uma!) com todo o nosso coração! O Dono da festa agradece!
Autor: Zilton Alencar


