Paz a todos!
Caros irmãos , não acho que seja falacioso entender que não devemos prestar culto a Jesus, porque ele mesmo não nos pede culto. Falacioso seria o contrário. Ora, se ele não nos pede culto, precisamos saber porque ele não nos pede. Por que Deus não nos pediria culto? Claro que se Jesus fosse um ente cultual não haveria razão para ele não nos deixar uma única linha dentro das Escrituras nos pedindo o que lhe seria devido. Se o Pai o faz, sendo Deus, porque o Filho, se também o fosse não reivindicaria? Pelo contrário diante do diabo ele cita que ele mesmo, Jesus, adoraria a Yahweh seu Deus e disse mais, nós (falando dele e dos seus patrícios) adoramos o que sabemos. Portanto, Jesus, segundo ele mesmo, é um cultuador, não objeto de culto. As palavras de Jesus são contrárias ao que a linha trinitariana propõe.
Sugerir um culto a Cristo sem que ele mesmo o tenha pedido ou explicitado, e quando ele mesmo se coloca como um cultuador, é ir além do que está escrito e Paulo nos recomenda: “para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, ...” I Co. 4.6.
É possível lermos em I Cr. 29.20, que Davi e Yahweh, são "adorados" no mesmo momento. Aqui também a Gramática é clara. Está escrito textualmente que eles foram “adorados”. A gramática não nega, quem nega são as traduções. Na Septuaginta lemos: “κάμψαντες τὰ γόνατα προσεκύνησαν τῷ κυρίῳ καὶ τῷ βασιλεῖ”. A Almeida Corrigida Fiel traduziu por “inclinaram-se, e prostraram-se perante o SENHOR e o rei”. Mas, um verso como esse denuncia que não é uma ação que esteja sendo relacionada aos dois (mesmo essa usada para "adoração") que irá caracterizar um culto a ambos, pois se Deus foi cultuado, Davi também foi cultuado. Mas, certamente há uma maneira alternativa (mais coerente e contextual) de entender esse verso de I Cr. 29.20, assim como há o de Ap. 5.13, tudo em respeito a própria Escritura que diz ser “O Pai, o único Deus verdadeiro” (Jo. 17.3) e que “para nós há um só Deus, o Pai” (I Co. 8.6) e que esse Deus não é dois, ou três, mas UM (Gl. 3.20).
Quanto à Is. 48.11 é um engano trinitariano clássico, produzido pela descontextualização, confundir esse verso com a questão de dar ou não glória a outro (entendendo aqui outro como qualquer outro). O verso 15 desse capítulo já mostra claramente do que se trata. Israel estava atribuindo as ações de Yahweh ao ídolo e dizendo: “O meu ídolo fez estas coisas, e a minha imagem de escultura, e a minha imagem de fundição as mandou.” à semelhança do episódio do bezerro de ouro, ou seja, a outro (um opositor) estava sendo atribuída a “glória” das realizações do Senhor Deus Yahweh. Assim, esse verso de Isaías nada tem haver com uma suposta impossibilidade de Deus partilhar sua Glória com os seus, pois, aquele que está nELE, a despeito desse verso de Is. 48.11(que tem um contexto específico), tem a sua glória. Jesus disse: “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.” Fica evidente que Deus partilhou da sua Glória a Jesus, e Jesus, desta mesma glória, deu aos seus discípulos. Aqui, já está muito claro que se Jesus recebe alguma glória esta vem da parte de Deus, o Pai que lho transmitiu e nós também dela recebemos.
Vale a pena esclarecer que quando se fala, em Apocalipse, em dar glória a Deus, ou ao que está assentado no trono e ao Cordeiro, não está dito lá simplesmente ao Pai e ao Cordeiro, para se subentender Deus Pai e “Deus Cordeiro” (sim posso sugerir “Deus Cordeiro” - mesmo não existindo -, já que usam “Deus Filho” sem existir na Bíblia também). Apocalipse indica dois seres distintos com nominação distinta: Deus e o Cordeiro. Não é Deus Pai e o "Deus Cordeiro". Na verdade, em Apocalipse Deus é chamado de Pai ou vice-versa, ou seja, há um que é identificado sempre como sendo Deus, mas esse não é o caso do Cordeiro. Esse requerimento para “deidade” do Cordeiro no Livro das Revelações é conjectura puramente humana.
O Cordeiro é o sacrifício, e Deus é aquele que recebe o sacrifício. Em momento algum do texto apocalíptico está dito que o Cordeiro é o próprio Deus que recebe o sacrifício.
Jesus é identificado como aquele que comprou homens para Deus, que, em Apocalipse, é o Pai. Ap. 1.6 e Ap. 5.9.
Assim, em Apocalipse, um é Deus, o Pai, o outro é o Cordeiro que comprou homens para Deus. Não é a dedução humana que permite essa identificação de dois seres distintos com classificações distintas, é o próprio texto Sagrado quem os trata desse modo. Logo, se o Cordeiro é o Deus do culto, porque chamar um ente de Cordeiro e o outro ente de Deus?
As Escrituras já haviam predito que ao Nome de Jesus se dobraria todo o joelho. Já havia dito que Jesus não só viria na sua Glória, mas na do Pai e, inclusive, nas dos santos anjos. Que o seu nome seria sobre todo o nome, claro, abaixo do Pai (I Co. 15.28) e etc, etc, etc. Então, essa questão da glória não ser dada a outro, para poder reivindicar deidade a Jesus, só ganha vida se Is. 48.11 for isolado do restante da Bíblia.
O Cordeiro é a lâmpada da Gloria de Deus, mas não o próprio Deus. Ap. 21.24.
Na Paz!
Valdomiro