F.E. A Doutrina de Jesus Cristo.

--------------------------------------
OLÁ, SEJA BEM VINDO AO FÓRUM EVANGELHO.

CASO DESEJE PARTICIPAR DE DEBATES FAÇA SEU REGISTRO.

ESTE FÓRUM É ABERTO A PESSOAS DE TODOS OS CREDOS.

SE PREFERIR SER APENAS UM LEITOR, ACOMPANHE AS POSTAGENS.

"Conheçamos e prossigamos em conhecer a YHVH ( י ה ו ה )..." (Oséias 6.3)

Norberto
Administrador do Fórum Evangelho

Fórum evangélico, aberto à participação de pessoas de qualquer credo ou religião.

Cobertura espiritual

Compartilhe

Carmen
- Iniciante -
- Iniciante -

Status: no perfil, defina seu status ou deixe em branco.
Sexo: Feminino
Número de Mensagens: 20
Idade: 11
Cidade/Estado: Brasília/DF
Religião: protestante
Igreja: Igreja Batista Central de Brasília
País: Brasil
Conceituação Geral: 0
Pontos de participação: 71
Data de inscrição: 17/09/2010

Cobertura espiritual

Mensagem por Carmen em Qua 08 Dez 2010, 14:43

.
“Afinal, quem é tua cobertura?”

Esta é a pergunta concisa feita por muitos cristãos modernos em toda parte aos que se reúnem fora da igreja institucional. Mas, o que há no âmago desta pergunta? Qual sua base bíblica? É disto que nos ocuparemos neste livro.
Sustento que o ensino moderno conhecido como “cobertura protetora” tem gerado uma enorme confusão e uma conduta cristã anômala. Este ensino afirma que os cristãos estão protegidos do erro doutrinal e do fracasso moral quando se submetem à autoridade de outro crente ou organização.

A dolorosa experiência de muitos me levou a concluir que o ensino da “cobertura” é um assunto que perturba grandemente a Sião em nossos dias e exige uma reflexão crítica.

Nas páginas a seguir, tento abrir caminho a través da névoa que rodeia aos temas difíceis vinculados com este ensino. Refiro-me a temas tão espinhosos como o da liderança da igreja, a autoridade espiritual, o discipulado e a responsabilidade de prestar contas. Ademais, busco bosquejar um
modelo integral que nos permita entender como opera a autoridade na ekklesia (igreja).

A “Cobertura” está Coberta pela Bíblia?

É surpreendente que a palavra “cobertura” apareça apenas uma vez em todo o NT. É usada referindo-se à cabeça coberta da mulher (1 Cor. 11:15). Ao passo que o Antigo Testamento (AT) utiliza pouco este termo, sempre o emprega referindo-se a uma peça do vestuário natural. Nunca é utilizado de maneira espiritual ligando-o a autoridade e submissão.

Portanto, a primeira coisa que podemos dizer acerca da “cobertura” é que há escassa evidencia Bíblica para construir-se uma doutrina. Não obstante, incontáveis cristãos repetem como papagaios à pergunta “quem-é-tua-cobertura?” e insistem nela como se fosse a prova do ácido que mede a autenticidade de uma igreja ou ministério.

Se a Bíblia silencia com respeito à idéia da “cobertura” o que é que se pretende dizer com a pergunta, “Quem é tua cobertura”? A maioria (se insistíssemos) formularia esta mesma pergunta em outras palavras: “A quem você presta contas?”.

Mas isso suscita outro ponto difícil. A Bíblia nunca remete a prestação de contas a seres humanos, mas exclusivamente a Deus! (Mat. 12:36; 18:23; Luc. 16:2; Rom. 3:19; 14:12; 1 Cor. 4:5; Heb. 4:13; 13:17; 1 Ped. 4:5).

Por conseguinte, a sadia resposta Bíblica à pergunta “a quem prestas contas?” É bem simples: “presto contas à mesma pessoa que você, a Deus”. Assim, pois, é estranho que tal resposta provoque tantos mal entendidos e falsas acusações.
Deste modo, embora o tom e o timbre do “prestar contas” difira apenas da “cobertura”, a cantilena é essencialmente a mesma, e sem dúvida não harmoniza com o inconfundível canto da Escritura.



Trazendo à Luz a Verdadeira Pergunta que se Esconde Atrás da Cobertura
Ampliemos um pouco mais a pergunta. Que é que se pretende realmente dizer na pergunta acerca da “cobertura”? Permito-me destacar que a verdadeira pergunta é, “Quem te controla?”.

O (maléfico) ensino comum acerca da “cobertura” realmente se reduz a questões acerca de quem controla quem. De fato, a moderna igreja institucional está construída sobre este controle. Conseqüentemente, a gente raras vezes reconhece que é isto que está na base da questão, pois se supõe que este ensino esteja bem ancorado nas Escrituras. São muitos os cristãos que crêem que a “cobertura” é apenas um mecanismo protetor.

Assim, pois, se examinarmos o ensino da “cobertura”, descobriremos que está baseado em um estilo de liderança do tipo cadeia de comando hierárquico. Neste estilo de liderança, os que estão em posições eclesiásticas mais altas exercem um domínio tenaz sobre os que estão debaixo deles. É absurdo que por meio deste controle de direção hierárquica de cima para baixo se afirme que os crentes estejam protegidos do erro.

O conceito é mais ou menos o seguinte: todos devem responder a alguém que está em uma posição eclesiástica mais elevada. Na grande variedade das igrejas evangélicas de pós guerra, isto se traduz em: os “leigos” devem prestar contas ao pastor. Que por sua vez deve prestar contas a uma pessoa que tem mais autoridade.

O pastor, tipicamente, presta contas à sede denominacional, a outra igreja (muitas vezes chamada de “igreja mãe”), ou a um obreiro cristão influente a quem considera ter um posto mais elevado na pirâmide eclesiástica.
De modo que o “leigo” está “coberto” pelo pastor, e este, por sua vez, está “coberto” pela denominação, a igreja mãe, ou o obreiro cristão. Na medida que cada um presta contas a uma autoridade eclesiástica mais elevada, cada um está protegido (“coberto”) por essa autoridade. Esta é a idéia.
Este padrão de “cobertura-responsabilidade em prestar contas” se estende a todas as relações espirituais da igreja. E cada relação é modelada artificialmente para que encaixe neste padrão. É vedada qualquer relação fora disto – especialmente dos “leigos” com respeito aos “líderes”.
Mas esta maneira de pensar gera as seguintes perguntas: Quem cobre a igreja mãe? Quem cobre a sede denominacional? Quem cobre o obreiro cristão?
Alguns oferecem a fácil resposta de que Deus é quem cobre estas autoridades “mais elevadas”.

Mas esta resposta enlatada demanda outra questão: O que impede que Deus seja diretamente a “cobertura” dos “leigos”, ou mesmo do pastor?

Sem dúvida, o problema real com o modelo “Deus-denominação-clero-leigos” vai bem além da lógica incoerente e danosa a que esta conduz. O problema maior é que este modelo viola o espírito do Novo Testamento, porque por trás da retórica piedosa de “prover da responsabilidade de prestar contas” e de “ter uma cobertura”, surge ameaçador um sistema de governo que carece de sustento bíblico e que é impulsionado por um espírito de controle.



Contrariamente ao que atualmente se pensa, na maior parte de suas cartas, Paulo afirma implicitamente que não é um apóstolo profissional. Embora torne pública sua função especial na saudação de suas epístolas (por exemplo, “Paulo, um apóstolo de Cristo Jesus”), Paulo nunca se identifica como “o apóstolo Paulo”.

Esta é uma distinção significativa. O primeiro caso descreve uma função especial baseada em uma comissão divina, enquanto que no outro é um título oficial.

De fato, em nenhuma parte do NT encontramos que ministérios ou funções no Corpo sejam utilizados como títulos honoríficos pelos servos de Deus. Os cristãos aficionados por títulos necessitam refletir seriamente sobre isto!
Efésios 4:11 não mostra uma corporação de clérigos quando diz, “Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores. . .”

De maneira alguma. Efésios 4 tem em vista aqueles dons que equipam a igreja para a diversidade do serviço (vv. 12-16). Os dons enumerados no texto são na realidade pessoas dotadas para capacitar a igreja (vv. 8,11). Estes são os dons que o Espírito Santo reparte a cada individuo como Ele quer (1 Cor. 12:11).

Em outras palavras, Efésios 4 não trata dos dons dados a homens e mulheres. Trata de homens e mulheres providos de dons que são dados à igreja. Apóstolos, profetas, evangelistas e pastores/mestres são pessoas que o Senhor levantou e outorgou à igreja para sua formação, coordenação e edificação.
Sua tarefa principal é nutrir a comunidade de crentes para que participem responsavelmente de acordo com os princípios divinos. O êxito desta tarefa se fundamenta na habilidade que possuem para capacitar e mobilizar os santos para a obra do ministério. Desta maneira, os dons de Efésios 4 equipam
(do grego: katartízo = completar, preparar; e katartismós = capacitação, aperfeiçoamento) o Corpo de Cristo para que este leve a cabo o propósito eterno de Deus.

Estes dons não são ofícios nem posições formais. Tais termos gregos não constam do texto. Tratase de irmãos com dons “habilitadores” peculiares, dados para cultivar os ministérios de seus irmãos.

Os apóstolos capacitam a igreja desde seu nascimento, ajudando-a até que possa caminhar pelos próprios pés (discutiremos a função apostólica com mais detalhes no cap. 5).

Os profetas adestram a igreja falando a ela a palavra presente do Senhor, confirmando os dons de cada membro, preparando-a para as provas futuras.
Os evangelistas habilitam a igreja servindo como modelo na pregação das boas novas aos perdidos. Os pastores/mestres instruem a igreja cultivando sua vida espiritual por meio da exposição da Escritura.

Alguns creem que pastores e mestres são dois ministérios separados, enquanto que outros os veem como dimensões distintas do mesmo ministério. Nesse último conceito, pastorear seria o lado privado deste ministério, enquanto que seria o lado público.

Os ministérios de Efésios 4 (eventualmente chamados como “o quíntuplo ministério”) não equivalem a liderança da igreja. Apóstolos, profetas, evangelistas e pastores/mestres podem ser anciãos ou não.

Em suma, Efésios 4:11 não contempla coisas como clero assalariado, ministério profissional ou algum tipo de sacerdócio fabricado. Tampouco se refere a uma classe diferente de cristãos. Assim como o catálogo de dons apresentados por Paulo em 1 Coríntios 12.28, Efésios 4 tem em vista funções especiais em vez de posições formais.

É a mútua sujeição e não a submissão hierárquica o que produz a coordenação adequada do Corpo de Cristo.

Embora a Escritura tenha algo a dizer acerca da autoridade e da submissão, a verdade é que não há qualquer respaldo bíblico ao moderno ensino da “cobertura”. É notável como a Bíblia gasta bem mais tinta ensinando sobre amor mútuo do que sobre liderança e autoridade.
A experiência me mostrou que quando os aspectos fundamentais do amor e do serviço são plenamente praticados na igreja, a autoridade e a submissão se expressam naturalmente. (A este respeito, aquele que enfatiza indevidamente estes temas está significativamente mais interessado em exercer autoridade do que servir seus irmãos!).

Embora temas como autoridade e submissão estejam presentes na Bíblia, relacionam-se com a disseminação e o exercício do ministério, de forma a agradar a Cristo – a cabeça de toda autoridade.

Todos os cristãos em virtude do fato de possuírem a vida do Espírito, possuem uma medida de autoridade orgânica. É por esta razão que o NT nos ordena a que nos submetamos uns aos outros no temor de Cristo. Mas os mais maduros na vida espiritual tendem a expressar o pensamento de Deus de uma maneira mais firme que os carnais e imaturos (Heb. 5:14).

Os verdadeiros obreiros não ostentam credenciais impressionantes (2 Cor. 3:1-3). Não afirmam possuir uma herança superior ( 2 Cor. 11:21-22), nem se jactam de experiências espirituais extraordinárias (2 Cor. 10:12-15; 11:16-19; 12:1,12).

Para Paulo, os obreiros apostólicos não são elitistas espirituais que proclamam ou promovem a si mesmos. Pelo contrário, são os que tiram com pá o esterco depois que termina o desfile! São os que derramam seu sangue pelas igrejas. Como todo líder verdadeiro, os obreiros apostólicos sempre são encontrados servindo discretamente a cada um e a todos que estão em necessidade.

Apossar-se do poder e exercer a própria autoridade sobre os demais não é apostolado. É nada mais que um reflexo rançoso de outra versão da opressão. Os verdadeiros obreiros são antes de mais nada SERVOS.



Paulo tomou a direção na esfera de sua obra apostólica não porque tinha uma posição mais alta na pirâmide eclesiástica, senão pela simples razão de que era espiritualmente mais maduro do que seus colaboradores. Não foi autoritarismo, mas cooperação o que caracterizou o trato de Paulo com eles.
Já que Paulo exercia autoridade espiritual na obra, a sujeição em seu círculo era voluntária e pessoal, nunca formal ou oficial. É surpreendente que Paulo não considerava que os doze apóstolos originais tinham qualquer tipo de autoridade hierárquica sobre ele. Também não mostrou qualquer deferência para o status "apostólico" (Gál. 2:6-9). Recordemos que numa ocasião repreendeu em público a um dos apóstolos mais proeminentes quando uma verdade essencial estava em jogo (Gál. 2:11-21).

Quando nosso Senhor estava na terra, os líderes religiosos de Seu tempo o acossaram com a polêmica pergunta: “Com que classe de autoridade fazes estas coisas? E quem te deu esta autoridade?” (Mat. 21:23).

Ironicamente, não poucos da classe dirigente religiosa de nossos dias estão fazendo a mesma pergunta aos singelos grupos que se reúnem em torno de Cristo nada mais -- sem controle clerical ou facção denominacional.

”Quem é tua cobertura?” é essencialmente a mesma pergunta que “Com que autoridade fazes isto?”.

Esta pergunta tem sua origem numa falsa interpretação da Escritura. No fundo, a noção moderna de “cobertura” eclesiástica é um eufemismo mal dissimulado de “controle”. Por esta razão, é uma pobre representação da idéia de Deus da sujeição mútua. Representa, ademais, um enorme desvio do princípio do NT.
Enquanto os que seguem o exemplo da igreja institucional agarram-se a ela com unhas e dentes, todos os Cristãos do primeiro século, sem dúvida, repudiariam essa “cobertura”.

As divisões ideológicas, heresias doutrinais, independência anárquica e o subjetivismo individualista são problemas severos que atormentam ao Corpo de Cristo em nossos dias. Mas a “cobertura” denominacional/clerical é uma má medicina para purgar a patologia destes males.

Isto é tão grave que o ensino da “cobertura” inocula ao sacerdócio dos crentes, impedindo-lhe que assuma a responsabilidade ordenada por Deus para funcionar em assuntos espirituais. Deliberadamente ou não, a “cobertura” enche de temor os corações de multidões de Cristãos quando afirma que aquele que assumir uma responsabilidade individual nas coisas espirituais sem a aprovação de um clérigo “ordenado”, será presa fácil do inimigo!
Em outras palavras, o ensino da cobertura traz consigo tons, texturas e ressonâncias muito específicas que pouco têm que ver com Jesus, Paulo ou qualquer outro apóstolo. Ainda que aparente uma nuance peculiarmente moderna, é alheia ao método eleito pelo qual Deus mostra Sua autoridade.
O antídoto espiritual para os males da heresia, independência e individualismo não é a “cobertura”, mas a sujeição mútua ao Espírito de Deus e de uns para com os outros por reverência a Cristo. Nada menos que isto pode proteger ao Corpo de Cristo. Nenhuma outra coisa poderá sanar suas chagas abertas.

A sujeição mútua cria uma cultura que estima a liderança espiritual mas não a torna absoluta. Reage à autoridade espiritual sem convertê-la num instrumento de controle.

Em suma, nossa cobertura espiritual é o Sangue de Cristo que nos purifica de todo imundície de pecado.

(Fonte: livro de Frank Viola – “Quem é tua cobertura’)
.

    Data/hora atual: Sab 20 Dez 2014, 14:11