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    "Não toqueis nos meus ungidos!"

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    Zilton Alencar
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    "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Zilton Alencar em Qua 24 Dez 2008, 10:10

    A famigerada imunidade parlamentar, tão odiada em nosso país por proteger a integridade de políticos muito além da esfera da atuação política, transcendendo-a a níveis de vida privada e pessoal, já tem uma poderosa vertente evangélica: a "imunidade ministerial". E muito pior e mais odiosa que a primeira.

    Muitos pastores e líderes se arvoram no texto do Salmo 105.15 (Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas), e nas passagens que mostram Davi por duas vezes afirmando que não tocaria em Saul, ungido de Deus, para justificar que os pastores, por mais errados que estejam, não podem ser contrariados... Isto tem contaminado até os leigos, que agarram-se a estes versículos ferrenhamente para defender seus pastores, líderes e ídolos (como seria bom se defendessem com tamanho zelo o Senhor Jesus e a sã doutrina...). Mas isto é correto?? E se for, até onde??

    Nos dias atuais, não se pode questionar nenhuma pregação, nenhuma revelação, nenhum ministério, nenhuma linha doutrinária, nenhuma conduta de pastores e líderes, por mais que se afastem dos princípios contidos nas Escrituras. Afinal, os pregadores alegam que estão pregando ou fazendo aquilo que Deus lhes mandou, e ponto final. Ah, tá bom! Já que foi Deus...

    Em outras ocasiões, quando suas condutas chamam a atenção das autoridades policiais, alegam estar sendo perseguidos por amor ao evangelho. Descumprir leis, desviar verbas e outras coisinhas mais se tornam automaticamente em perseguição por amor de Cristo, independente das evidências (muitas vezes inquestionáveis) de desvio de conduta. É claro que ningém pode ser considerado culpado por antecipação, mas aos poucos invertem-se os valores, pois nem mesmo o direito investigatório se tem mais sobre os "ungidos de Deus". Ah, é proibido investigar também? Então, tá!

    Assim, estamos criando uma classe superior de crentes, pastores ou líderes. OS INTOCÁVEIS. Não interessa se eles são investigados em inquéritos policiais por desvio de dinheiro, formação de quadrilha, etc. Não interessa se pregam doutrinas estranhas à Bíblia, ensinam coisas diferentes... Menos ainda se adulteraram, praticaram pedofilia, ou qualquer outro desvio de conduta cristã. São ungidos, e não podemos tocá-los, sob a pena ameaçatória de sermos fulminados pela ira divina.

    Isto é pior que o nicolaísmo, tratado aqui no Forum pelo Pedro. O nicolaísmo quer estabelecer uma classe de crentes melhor que as demais. A "imunidade ministerial" não só faz isso, mas autoriza ungidos a fazerem o que bem quiserem ― inclusive pecar! ― dando-lhes a garantia de que não serão incomodados por isto.

    Mas eu creio firmemente que somos autorizados a questionar doutrinas, condutas, práticas e pregações. Ninguém pode se arvorar da condição de "ungido de Deus" para se tornar intocável, inquestionável e dono absoluto da verdade.

    Este questionamento absolutamente significa execrar o culpado, afastá-lo da igreja, considerá-lo herege e/ou negar-lhe o amplo e inalienável direito de defesa. Trata-se do princípio da justiça. Se nós, como igreja, não somos justos dentro de nossas paredes, com que autoridade pregamos ao pecador a necessidade de conversão? E trata-se ainda de uma tentativa de reconduzir os errados ao caminho certo, descrito indelevelmente nas Escrituras Sagradas.

    Bem falou o pastor Ciro Zibordi, em seu BLOG DO CIRO, em artigo sobre o mesmo assunto:

    "Quanto aos que, diante do exposto, preferirem continuar dizendo — presunçosamente e sem nenhuma reflexão — 'Não toqueis nos meus ungidos', dedico-lhes outro enunciado bíblico: 'Não ultrapasseis o que está escrito' (1 Co 4.6 - ARA). Caso queiram aplicar a si mesmos a primeira frase, que cumpram antes a segunda!"

    EM TEMPO: Fiquem livres para me questionarem à vontade, concordando ou discordando ferrenhamente! Jamais usurparei direitos de "imunidade". Como bem disse alguém, que agora não lembro quem: "Posso discordar do que dizes, mas defenderei o teu direito de dizê-lo".

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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Devaney em Qua 24 Dez 2008, 12:51

    Zilton,

    Só para eu entender melhor... esse problema você detectou em alguma denominação em especial ?

    Digo isso porque frequentei durante muitos anos as igrejas da linha tradicional (Batistas, Metodistas, Presbiterianas) e esse problema não acontece por ali, uma vez que os pastores são inicialmente nomeados por um Bispo, mas existe uma consulta anual aos congregados sobre a permanência ou não do pastor por mais um ano, e quanto às decisões, estatutariamente um Pastor é submisso ao Conselho Local (corpo de obreiros leigos e consagrados), que por sua vez é submisso ao Concílio Local (a totalidade da congregação).

    Lembro-me que, enquanto metodista, quando um pastor começou a dar problemas de comportamento, o Conselho da Igreja deliberou ir ao Bispo (saudoso irmão Nelson Leite, que já está com o Senhor) para substituí-lo imediatamente, fato que aconteceu.

    Por isso pergunto: Onde está localizada essa "poderosa vertente evangélica" ?

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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Pedro`G3 em Qua 24 Dez 2008, 13:03

    Isso existe muito mesmo, sobretudo nas ditas "igrejas independentes" de linha pentecostal. Trata-se de um mecanismo de dominação para tornar seus líderes inquestionáveis.

    Outras frases usadas pra quando se quer fazer um crente deixar de pensar / raciocinar são:

    - "Não deve julgar as pessoas."

    - "O pecado de rebelião é pior do que feitiçaria." (fazendo equivaler aquele irmão que questiona a postura do líder a um "rebelde").

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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Devaney em Qua 24 Dez 2008, 14:09

    Pedro, poderia citar nomes dessas igrejas para mim ? E como podemos fazer para constatar se isso é real (talvez um contato direto)?

    Pedro`G3
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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Pedro`G3 em Qua 24 Dez 2008, 14:49

    Devaney,

    Não sei se o regulamento do Fórum permite a citação de nomes de igrejas em tom de crítica assim expressamente, e talvez não seja mesmo conveniente.

    Estarei enviando alguns nomes da minha experiência pra você, via MP.

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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Devaney em Qua 24 Dez 2008, 15:38

    Pedro, recebi sua MP. Sinceramente, desconheço os nomes que me informou, exceto um, que foi à mídia não faz muito tempo. Mas os dois protagonistas não possuem dons carismáticos, apenas o carisma pessoal.

    Como o irmão interpreta a passagem do Salmo 1:5, parte b ?

    Zilton Alencar
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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Zilton Alencar em Sex 26 Dez 2008, 07:44

    Devaney, somente hoje estou de volta (passei o natal longe da internet), de sorte que não pude te responder antes.

    Lamentavelmente, trata-se de uma postura adotada principalmente por igrejas neo-pentecostais. Seria até enfadonho citá-las, pois devido à fragmentação existente nos dias atuais, a lista seria enorme, e correríamos o risco de cometer erros generalizando.

    Há uns 20 anos, estudei em uma instituição evangélica em regime de internato onde seus líderes, no intuito de governar a casa "por revelação", se utilizavam muito da questão da rebelião e da murmuração como pecado pior que o da feitiçaria. Ninguém podia reclamar nada (qualidade do ensino, da alimentação, por exemplo...), que já era taxado de rebelde... Cuntudo, esqueciam seus líderes que nem sempre a rebelião é maléfica: a instituição dos diáconos, por exemplo, o livro de Atos relata que só se deu porque os crentes gregos murmuraram contra os crentes judeus, por causa da sua parcialidade na distribuição dos alimentos (At 6:1 ss).

    Como bem disse o Pedro, aqui no NE é prática corriqueira. Mas estas denominações que você citou, realmente o índice de uso deste subterfúgio é quase nulo, pois são igrejas mais tradicionais e ortodoxa, que têm uma visão mais centrada no sentido do sacerdócio pastoral.

    Quanto ao Salmo 1:5, que você perguntou ao Pedro como ele interpreta, permita-me minha opinião: jamais o interpreto dissociado de Mateus 13:24-30. Na igreja, infelizmente os justos e os ímpios convivem e conviverão até o Último Dia, quando haverá a devida identificação e separação Como já afirmei aqui em outra oportunidade, sou "neotestamentarista" (esta palavra existe?? RS RS RS): creio que a Bíblia é toda inspirada por Deus, mas a igreja é regida pelos princípios do NT, e o VT deve ser interpretado em consonância com o Novo.

    Muita paz!

    Pr. Francisco Belvedere
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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Pr. Francisco Belvedere em Sex 26 Dez 2008, 09:45

    Agora sobre Nicolaitas,

    Eu discordo da linha interpretativa exposa aqui. Essa linha é muito apreciada pelos simpatizantes da Igreja Local, de Watchman Nee e das pessoas com tendencia anti-clero e anti denominação.

    Vagner Luis
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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Vagner Luis em Sex 26 Dez 2008, 09:47

    Zilton

    Concordo com seu texto, mas exponho apenas um adendo.

    Não odeio a "imunidade parlamentar", pois entendo o contexto onde e como criada. Quando criada, o Brasil vinha de uma ditadura militar, onde alguns atos dela, como o AI5 por exemplo, fazia com que nenhum parlamentar pudesse se pronunciar.Assim como não odeio outras imunidades como a dos jornalistas e advogados, e, dentro desta linha, a dos crentes pastores e líderes.

    Mas veja que, mesmo dentro desta imunidade, caso o Congresso autorize, algum deputado pode perder esta imunidade, claro que é ingênuo pensar que perderão, vide casos recentes como o do Renan Calheiros mas, o fato é que é necessário que pessoas com poder de representação possam se pronunciar sem medo de sofrerem represálias.

    O problema é o mau uso que fazem destas imunidades. Se há casos como vc falou e que ocorrem, imagine o que seria se qualquer um pudesse acusar um pastor ou um líder. Não é fácil hoje ser pastor, os que estão com afinco neste ministério sabem a perseguição que sofrem, e creio que é daí que entra a "imunidade" que fala no versículo bíblico.

    Isto não significa, claro, questionar por questionar, pois todo questionamento deve estar bem embasado. Mas é inegável, para mim, que os pastores e líderes devem ter "proteção especial", senão seria muito fácil "derrubar" um pastor / líder, pois mais certo que ele esteja.

    Abraço

    Vagner Luis

    Zilton Alencar
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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Zilton Alencar em Sex 26 Dez 2008, 10:12

    Vagner Luís escreveu:Não odeio a "imunidade parlamentar", pois entendo o contexto onde e como criada. Quando criada, o Brasil vinha de uma ditadura militar, onde alguns atos dela, como o AI5 por exemplo, fazia com que nenhum parlamentar pudesse se pronunciar.Assim como não odeio outras imunidades como a dos jornalistas e advogados, e, dentro desta linha, a dos crentes pastores e líderes.

    Também não a odeio, Vagner, desde que ela se resuma nas ações parlamentares, e não nas ações de vida pessoal.

    O que é de amargar na imunidade parlamentar é que ela, institucionalmente, protege o parlamentar muito além de sua atuação parlamentar. Um deputado pode subir à tribuna e "baixar o sarrafo" no Presidente da República, seguro de que não sofrerá sanções ou retaliações por causa de suas denúncias. Isto é lógico e justo. O parlamentar no exercício de sua função é um "ombudsman" político, e não pode e nem deve ser criminalizado por sua atuação política.

    Contudo, praticar atos contra a lei e achar que vai ser protegido pela mesma imunidade (que é geralmente o que ocorre), é transformar imunidade em IMPUNIDADE. Em relação a isto, o ilustre senador que você citou em sua postagem é o exemplo ideal para o assunto que tratamos.

    Quanto a uma "imunidade pastoral" nos moldes que você cita:

    Vagner Luís escreveu:O problema é o mau uso que fazem destas imunidades. Se há casos como vc falou e que ocorrem, imagine o que seria se qualquer um pudesse acusar um pastor ou um líder. Não é fácil hoje ser pastor, os que estão com afinco neste ministério sabem a perseguição que sofrem, e creio que é daí que entra a "imunidade" que fala no versículo bíblico.

    Isto não significa, claro, questionar por questionar, pois todo questionamento deve estar bem embasado. Mas é inegável, para mim, que os pastores e líderes devem ter "proteção especial", senão seria muito fácil "derrubar" um pastor / líder, pois mais certo que ele esteja.

    Este tipo de imunidade é bíblica, quando Paulo orienta a não aceitar denúncia contra pastores e presbíteros, exceto quando sejam devidamente embasadas, com testemunhas (1 Tm 5:19).

    Devaney
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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Devaney em Sex 26 Dez 2008, 22:29

    Devaney,
    Se você se refere ao Bispo Nelson Campos Leite, ainda está vivo e atuante na obra de Deus, com o Disk Oração e no Cenáculo. Aliás esteve no culto de envio da minha formatura há duas semanas atrás e me deu um caloroso abraço.


    Você me deixou muuuuuito contente com essa informação. Então, quem me contou estava mal informado (um presbítero de minha cidade).
    Nunca me esquecerei, adolescente que eu era, da pregação do Bispo Nelson onde ele falou sobre o viajante do navio que comia queijo velho e bolachas moles durante a viagem de transatlântico. Talvez vc já tenha ouvido essa ilustração em uma pregação dele.

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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Devaney em Sex 26 Dez 2008, 22:35

    Zilton,

    Eu infelizmente também discordo de sua linha de pensamento. Creio que o joio exista no meio do trigo, mas não que o joio possa LIDERAR e COMANDAR uma igreja de Jesus, onde os crentes busquem a Deus de fato.

    Igrejas desligadas e fracas são passíveis de engano. Mas onde há irmãos que busquem a Deus, formando a congregação dos justos, o ímpio não prevalece.

    Não foi uma, não foram duas, não foram três vezes que um espertalhão de gravata tentou assumir a tribuna de nossa igreja e o Espírito de Deus levantou um irmão ou irmã na Igreja, com o dedo em riste, alertando: Não ouses pronunciar uma palavra, pois não é digno de pregar o meu Evangelho!.

    Não foi uma, não foram duas, não foram três vezes que um endemoniado caiu na hora do apelo e um obreiro com a vida fora do altar foi ridicularizado pelo demônio, que contou sua vida de pecados ocultos em detalhes.

    O ímpio não prevalece na congregação dos justos.

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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Iverson Santos em Seg 29 Dez 2008, 13:03

    Quem cita o texto referente a Davi esquece que apesar d'ele não querer com suas próprias mãos matar Saul, ele por outro lado, guerreou contra a causa de Saul, tendo inclusive um exército de mercenários ao seu comando.

    Esse papo de não "toqueis nos meus ungidos" é coisa de gente que quer ser dono de igreja e infelizmente, nos dias atuais, tem muitos.

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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por João Batista em Seg 05 Jan 2009, 18:01

    Graça de Paz que bom ter por perto essas gentes!!!

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    Re: "Não toqueis nos meus ungidos!"

    Mensagem por Devaney em Seg 05 Jan 2009, 22:34

    Paz do Senhor, João Batista,

    És de fato de S. Tomé e Príncipe ou está apenas morando nesse país?

    Graça e Paz para você, irmão!

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