A famigerada imunidade parlamentar, tão odiada em nosso país por proteger a integridade de políticos muito além da esfera da atuação política, transcendendo-a a níveis de vida privada e pessoal, já tem uma poderosa vertente evangélica: a "imunidade ministerial". E muito pior e mais odiosa que a primeira.
Muitos pastores e líderes se arvoram no texto do Salmo 105.15 (Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas), e nas passagens que mostram Davi por duas vezes afirmando que não tocaria em Saul, ungido de Deus, para justificar que os pastores, por mais errados que estejam, não podem ser contrariados... Isto tem contaminado até os leigos, que agarram-se a estes versículos ferrenhamente para defender seus pastores, líderes e ídolos (como seria bom se defendessem com tamanho zelo o Senhor Jesus e a sã doutrina...). Mas isto é correto?? E se for, até onde??
Nos dias atuais, não se pode questionar nenhuma pregação, nenhuma revelação, nenhum ministério, nenhuma linha doutrinária, nenhuma conduta de pastores e líderes, por mais que se afastem dos princípios contidos nas Escrituras. Afinal, os pregadores alegam que estão pregando ou fazendo aquilo que Deus lhes mandou, e ponto final. Ah, tá bom! Já que foi Deus...
Em outras ocasiões, quando suas condutas chamam a atenção das autoridades policiais, alegam estar sendo perseguidos por amor ao evangelho. Descumprir leis, desviar verbas e outras coisinhas mais se tornam automaticamente em perseguição por amor de Cristo, independente das evidências (muitas vezes inquestionáveis) de desvio de conduta. É claro que ningém pode ser considerado culpado por antecipação, mas aos poucos invertem-se os valores, pois nem mesmo o direito investigatório se tem mais sobre os "ungidos de Deus". Ah, é proibido investigar também? Então, tá!
Assim, estamos criando uma classe superior de crentes, pastores ou líderes. OS INTOCÁVEIS. Não interessa se eles são investigados em inquéritos policiais por desvio de dinheiro, formação de quadrilha, etc. Não interessa se pregam doutrinas estranhas à Bíblia, ensinam coisas diferentes... Menos ainda se adulteraram, praticaram pedofilia, ou qualquer outro desvio de conduta cristã. São ungidos, e não podemos tocá-los, sob a pena ameaçatória de sermos fulminados pela ira divina.
Isto é pior que o nicolaísmo, tratado aqui no Forum pelo Pedro. O nicolaísmo quer estabelecer uma classe de crentes melhor que as demais. A "imunidade ministerial" não só faz isso, mas autoriza ungidos a fazerem o que bem quiserem ― inclusive pecar! ― dando-lhes a garantia de que não serão incomodados por isto.
Mas eu creio firmemente que somos autorizados a questionar doutrinas, condutas, práticas e pregações. Ninguém pode se arvorar da condição de "ungido de Deus" para se tornar intocável, inquestionável e dono absoluto da verdade.
Este questionamento absolutamente significa execrar o culpado, afastá-lo da igreja, considerá-lo herege e/ou negar-lhe o amplo e inalienável direito de defesa. Trata-se do princípio da justiça. Se nós, como igreja, não somos justos dentro de nossas paredes, com que autoridade pregamos ao pecador a necessidade de conversão? E trata-se ainda de uma tentativa de reconduzir os errados ao caminho certo, descrito indelevelmente nas Escrituras Sagradas.
Bem falou o pastor Ciro Zibordi, em seu BLOG DO CIRO, em artigo sobre o mesmo assunto:
"Quanto aos que, diante do exposto, preferirem continuar dizendo — presunçosamente e sem nenhuma reflexão — 'Não toqueis nos meus ungidos', dedico-lhes outro enunciado bíblico: 'Não ultrapasseis o que está escrito' (1 Co 4.6 - ARA). Caso queiram aplicar a si mesmos a primeira frase, que cumpram antes a segunda!"
EM TEMPO: Fiquem livres para me questionarem à vontade, concordando ou discordando ferrenhamente! Jamais usurparei direitos de "imunidade". Como bem disse alguém, que agora não lembro quem: "Posso discordar do que dizes, mas defenderei o teu direito de dizê-lo".
Muitos pastores e líderes se arvoram no texto do Salmo 105.15 (Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas), e nas passagens que mostram Davi por duas vezes afirmando que não tocaria em Saul, ungido de Deus, para justificar que os pastores, por mais errados que estejam, não podem ser contrariados... Isto tem contaminado até os leigos, que agarram-se a estes versículos ferrenhamente para defender seus pastores, líderes e ídolos (como seria bom se defendessem com tamanho zelo o Senhor Jesus e a sã doutrina...). Mas isto é correto?? E se for, até onde??
Nos dias atuais, não se pode questionar nenhuma pregação, nenhuma revelação, nenhum ministério, nenhuma linha doutrinária, nenhuma conduta de pastores e líderes, por mais que se afastem dos princípios contidos nas Escrituras. Afinal, os pregadores alegam que estão pregando ou fazendo aquilo que Deus lhes mandou, e ponto final. Ah, tá bom! Já que foi Deus...
Em outras ocasiões, quando suas condutas chamam a atenção das autoridades policiais, alegam estar sendo perseguidos por amor ao evangelho. Descumprir leis, desviar verbas e outras coisinhas mais se tornam automaticamente em perseguição por amor de Cristo, independente das evidências (muitas vezes inquestionáveis) de desvio de conduta. É claro que ningém pode ser considerado culpado por antecipação, mas aos poucos invertem-se os valores, pois nem mesmo o direito investigatório se tem mais sobre os "ungidos de Deus". Ah, é proibido investigar também? Então, tá!
Assim, estamos criando uma classe superior de crentes, pastores ou líderes. OS INTOCÁVEIS. Não interessa se eles são investigados em inquéritos policiais por desvio de dinheiro, formação de quadrilha, etc. Não interessa se pregam doutrinas estranhas à Bíblia, ensinam coisas diferentes... Menos ainda se adulteraram, praticaram pedofilia, ou qualquer outro desvio de conduta cristã. São ungidos, e não podemos tocá-los, sob a pena ameaçatória de sermos fulminados pela ira divina.
Isto é pior que o nicolaísmo, tratado aqui no Forum pelo Pedro. O nicolaísmo quer estabelecer uma classe de crentes melhor que as demais. A "imunidade ministerial" não só faz isso, mas autoriza ungidos a fazerem o que bem quiserem ― inclusive pecar! ― dando-lhes a garantia de que não serão incomodados por isto.
Mas eu creio firmemente que somos autorizados a questionar doutrinas, condutas, práticas e pregações. Ninguém pode se arvorar da condição de "ungido de Deus" para se tornar intocável, inquestionável e dono absoluto da verdade.
Este questionamento absolutamente significa execrar o culpado, afastá-lo da igreja, considerá-lo herege e/ou negar-lhe o amplo e inalienável direito de defesa. Trata-se do princípio da justiça. Se nós, como igreja, não somos justos dentro de nossas paredes, com que autoridade pregamos ao pecador a necessidade de conversão? E trata-se ainda de uma tentativa de reconduzir os errados ao caminho certo, descrito indelevelmente nas Escrituras Sagradas.
Bem falou o pastor Ciro Zibordi, em seu BLOG DO CIRO, em artigo sobre o mesmo assunto:
"Quanto aos que, diante do exposto, preferirem continuar dizendo — presunçosamente e sem nenhuma reflexão — 'Não toqueis nos meus ungidos', dedico-lhes outro enunciado bíblico: 'Não ultrapasseis o que está escrito' (1 Co 4.6 - ARA). Caso queiram aplicar a si mesmos a primeira frase, que cumpram antes a segunda!"
EM TEMPO: Fiquem livres para me questionarem à vontade, concordando ou discordando ferrenhamente! Jamais usurparei direitos de "imunidade". Como bem disse alguém, que agora não lembro quem: "Posso discordar do que dizes, mas defenderei o teu direito de dizê-lo".







