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Estudo sobre Mateus 5: 17 a 28

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Hernandobh
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Estudo sobre Mateus 5: 17 a 28

Mensagem por Hernandobh em Ter 22 Set 2009, 19:13

Por Sha'ul Bentsion

Capítulo 5 – Parte II

17 Não penseis que vim abolir a Torá ou os profetas; não vim para abolir, mas para torná-los plenos.


O propósito


A expressão idiomática para "eu vim" também pode ser interpretada como "meu propósito é." Havia um entendimento dos sábios de que quando Mashiach viesse, explicaria não somente a Torá, como as próprias letras da Torá, e os espaços entre as letras. Ou seja, Mashiach a plena revelação do propósito da Torá e de como aplicá-la corretamente. Isso casa perfeitamente com o restante do contexto do

Não penseis que vim abolir

A expressão aramaica para 'não penseis' é a expressão "Loa t'asbruon", que conforme o léxico da The Way, pode ser traduzida não apenas como 'não pensar', mas também como 'não nutrir esperança.' Curiosamente, se a expressão for lida como 't'sabruon' ao invés de 't'asbruon', então teríamos uma leitura bastante curiosa: 'não proclamar.' Isso poderia significar que a intenção de Yeshua era mais do que evitar um sentimento de que Ele viera abolir a Torá, mas também um indício de que Yeshua sabia que em seu nome seria proclamado que a Torá teria sido abolida, e estaria claramente advertindo contra isso.


Já a expressão 'abolir' vem do aramaico "de'ashrea", que significa literalmente "soltar" ou "flexibilizar." Ou seja, Yeshua não veio para dar ao mundo uma "versão light" das mitsvot (mandamentos) de YHWH, mas para ensinar a sua perfeita plenitude.

A Torá

Muitos pensam que o termo "Torá" significa "Lei", numa alusão à Lei de Moshe conforme dada nos 5 primeiros livros da Bíblia. Contudo, essa é uma visão bastante limitada. Na realidade, o termo "Torá" significa instrução, e não "lei", no sentido ocidental da palavra. Em outras palavras, a Torá é a instrução e a revelação de YHWH sobre como devemos viver o Seu Reino.

Quando entendido em seu contexto original, podemos ver o que os próprios Ketuvim Netsarim (Escritos Nazarenos) dizem sobre a Torá:


I) A fé não abole qualquer parte da Torá (Mt. 5:17-20; Ya'akov/Tiago 2:10)

II) Observar a Torá é parte da fé que nos conduz ao Gan Éden (Mt. 19:17; Guilyana/Apocalipse 12:17; 14:12; 22:14)

III) Viveremos no amor de Yeshua, se cumprirmos a Torá (Yochanan/João 14:15-23) conforme Ele viveu no amor do Pai ao cumprir a Torá (Yochanan/João 15:10; Ivrim/Hebreus 2:17-18; 4:15)

IV) A fé em Yeshua não cancela o que a Torá diz, mas a estabelece (Ruhomayah/Romanos 3:31)

V) A Torá em si é liberdade, e é o padrão pelo qual devemos julgarmos a nós mesmos (Ya'akov/Tiago 1:22-25)

VI) Aqueles que vivem na carnalidade não se sujeitam à Torá (Ruhomayah/Romanos 8:5-Cool

VII) Se alguém diz que O conhece, e ignora a Sua Torá, é mentiroso (Yochanan Alef/1 João 2:3-7)

VIII) O que conta no Reino é a observância da Torá, independentemente da origem da pessoa (Curintayah Alef/1 Coríntios 7:19)

IX) A lei do amor é a de que cumpramos a Torá, e a Torá não é um fardo (Yochanan Alef/1 João 5:3; Yochanan Beit/2 João 1:6; Mt. 11:29,30)


A Plenitude da Torá

O que Yeshua quis dizer com a plenitude da Torá? Já vimos que tem a ver com o correto entendimento da Torá, conforme era esperado que o Mashiach fizesse.

Pelo que vemos do restante do capítulo, Yeshua procura ir além da simples instrução, revelando a profundidade do propósito de YHWH ao dar a instrução. Em outras palavras, Yeshua se concentra no "espírito da Torá" ao invés de se concentrar na "letra da Torá." Isso não quer dizer que Yeshua ignorasse a letra da Torá, no sentido de torná-la nula. Isso Ele mesmo esclarece no versículo seguinte. Contudo, Ele revela um viver mais profundo, dando acesso à mente de YHWH. Yeshua faz a ponte entre a sefirá de Keter (vide estudo sobre as sefirot) e nós.

Tanto é verdade que essa era uma mensagem necessária que, segundo os sábios do Talmud, Yerushalayim foi destruída justamente porque não deram ouvidos à ela.

O Talmud Bavli diz, em Bava Metsia 30b: "...R. Yochanan disse: Yerushalayim não teria sido destruída se eles tivessem julgado Din Torá (pelo juízo da Torá.) Acaso deveriam ter julgado pelas leis brutais? Ao contrário, insistiam na lei, e não praticavam lifnim mishurat hadin (além da letra do juízo.)"

As palavras seguintes que vemos a partir do verso 20 são um método rabínico de ilustração do princípio por meio de ilustrações. Yeshua então elucida o que ele quer dizer com a plenitude da Torá através de alguns exemplos práticos.

18 Amen! Por que vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da Torá um só Yud ou um só traço, até que tudo seja cumprido.

Amen

A primeira coisa que salta aos olhos nesse passuk é o fato dele começar com a palavra "Amen", normalmente utilizada para encerrar frases, em ato de concordância.

Segundo nossos sábios, a palavra "Amen" é um acróstico para "Adonai Melech Ne'eman", que significa "o S-nhor é Rei fiel." O acróstico era usado como termo de anuência por parte do povo, que reconhecia a soberania de YHWH sobre cada situação, a cada proclamação feita por parte do cohen (sacerdote) no Micdash (Santuário.)

A palavra "Amen" portanto é uma palavra usada pelo povo para confirmar a verdade que vem de YHWH. Desta forma, só era utilizada em determinados, ao final de uma bênção ou proclamação. Por exemplo, cada seção da oração do kadish é encerrada com um "amen."

Ao proclamar "Amen" antes mesmo de dizer suas palavras, Yeshua demonstra a autoridade de quem conhece profundamente a sefirá de Keter, isto é, os aspectos mais insondáveis da mente de YHWH. Nenhum mortal poderia proclamar "Amen" antes de uma frase, pois isso significaria afirmar que ele tinha autoridade para proclamar a verdade de YHWH.

Além disso, em Yeshayahu/Isaías 65:16, Elohim é chamado de "o Elohim do Amen" (em algumas bíblias, isso é traduzido como o "Elohim da verdade.") Em Guilyana (Apocalipse) 3:14, Yeshua também é identificado como "o Amen", numa alusão a Yeshayahu/Isaías 65. É bem possível que quando Yeshua iniciava seu discurso com "Amen", Ele estivesse afirmando "Eu que o sou o Elohim do Verdade vos digo..." Como dito antes, nenhum mortal comum jamais ousaria fazer tal declaração.

Um só Yud

O Yud é a menor letra do alfabeto hebraico, em grafia. Ao dizer que nenhum Yud passaria, Yeshua está dizendo que nenhum detalhe da Torá, por menor que possa parecer, passará.

Até que tudo seja cumprido

O aramaico literalmente diz "até que tudo venha a ser", isto é, a Torá não passará até que todas as suas palavras venham à existência.

Poucos sabem disso, mas boa parte das pragas descritas em Guilyana (Apocalipse) são exatamente as mesmas que a Torá descreve para os que escolhem viver em rebeldia para com YHWH. Textos da Torá como Devarim (Deuteronômio) 28 são extremamente escatológicos. Em suma, pelas próprias palavras de Yeshua, as mitsvot (mandamentos) da Torá permanecem vigentes até a consumação dos séculos.

19 Qualquer, pois, que violar uma destas mitsvot, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que as cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.

A ênfase de Yeshua sobre aquele que ensina tem a ver com a importância que o professor tinha naquela sociedade. Um talmid (aluno) deveria memorizar todas as palavras de seu mestre, e caminhar como ele caminhou.

Dessa forma, um mestre incorre em maior rigor do que seu aluno, conforme vemos em Ya'akov (Tiago) 3:1 que diz: "Meus irmãos, que não haja no meio de vós muitos mestres, sabendo que receberemos uma condenação maior."

Aqui, Yeshua também faz referência a uma mitsvá (mandamento) da Torá que diz: "Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mitsvot de YHWH vosso Elohim, que eu vos mando."

20 Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos professores da Torá e p'rushim, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.

Repare que a crítica de Yeshua aos p'rushim (fariseus) e aos professores da Torá jamais foi por observarem. Muito pelo contrário, a crítica de Yeshua sempre foi nos seguintes pontos:

a) na ênfase dada a tradições humanas como se tivessem peso de mitsvá (Mt 23:4)

b) no fato de que freqüentemente essas tradições invalidavam a própria Torá (Mt. 15:3)

c) na hipocrisia em sua observância (Mt 23:3,5-12)

d) na ênfase equivocada em detalhes, ao passo que as coisas mais importantes eram preteridas (Mt. 23:24)

Agora, a frase de Yeshua certamente chocou seus ouvintes. Os p'rushim eram tidos como o supra-sumo da observância da Torá e da retidão em seus dias. Contudo, Ele diz que a Torá não estava no coração de muitos deles (23:28), e que sua observância por muitas vezes era apenas algo exterior. Ao recolocar a Torá em seu contexto original, revelando a mente de YHWH, Yeshua ensina os seus talmidim uma retidão que em muito excede a dos p'rushim. Com o conhecimento da essência da mente de YHWH, a responsabilidade deles era agora maior até mesmo do que a dos p'rushim.

21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo.

Esta é uma seção onde muitos acham que Yeshua está abolindo a Torá. Contudo, isso simplesmente não é verdade. Seria absolutamente estranho se fosse o caso, pois o próprio Yeshua acabara de dizer o oposto.

Quando Yeshua diz "ouvistes o que foi dito aos antigos", não se refere à Torá em si, mas à interpretação dada pelos sábios à Torá. A referência "aos antigos" é uma alusão ao conceito farisaico de "im cabelá necabel", onde essencialmente as interpretações e leituras da Torá atribuídas aos antigos eram aceitas como verdade absoluta. Evidentemente que havia uma grande distorção nesse conceito. Embora houvesse em Israel uma quantidade razoável de tradições que de fato remontavam aos primórdios da fé, a maior parte daquilo que se encaixava nesse conceito eram invenções e interpretações muito posteriores. Tanto que havia diversas subdivisões entre os p'rushim (e mesmo em outras seitas judaicas da época), cada qual alegando ser a fé dos antigos. De qualquer fato, uma interpretação antiga pode até ter mais peso, mas não necessariamente é verdade absoluta.

O fato de que Yeshua se refere à interpretação da Torá dada por mestres daquela época fica bastante evidente pelo fato de que nem tudo o que é citado por Yeshua como "ouvistes" tem origem na Torá de Moshe, como veremos a seguir.

22 Eu vos digo ainda que todo aquele que se enfurecer contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: "Eu cuspo em você" será réu diante do Sanhedrin; e quem lhe disser: "Você é um covarde" será réu do fogo do Guehinom.

Assim como o derramamento de sangue mata uma pessoa no mundo das ações, o lashon hará (pecado da língua má) mata uma pessoa no mundo da fala. Tal é a gravidade do lashon hará que uma doença de pele chamada tsara'at (popularmente traduzida como lepra) se abatia sobre a pessoa que a cometesse, que dependendo da situação, poderia até ser afastada do convívio da sociedade até estar curada. Ya'akov HaTsadik (Tiago o Justo) escreve um capítulo inteiro (o capítulo 3 de sua carta) sobre o mal do lashon hará.

Aqui vemos que Yeshua concorda com o pensamento judaico acerca do tema. O Talmud diz, sobre o lashon hará (Arachin 15b): "O lashon hará mata três: o falante, a pessoa de quem se falou, e o ouvinte."


Essencialmente, Yeshua se ocupa aqui do assassinato da reputação de uma pessoa. Sabemos que tal situação pode comprometer alguém pelo resto da vida.


O Talmud concorda com Yeshua e diz em Bava Metsia 58b: "Aquele que envergonha a face do próximo, é como se o tivesse matado."




Guehinom/Guehena: O Lugar


O termo "guehinom" (aramaico) ou "guehena" (hebraico) é usado como ilustração para o inferno.


O chamado "vale do fiho de Hinom" (vide Yahushua/Josué 15:Cool ao sul de Yerushalayim, era essencialmente um local onde o ídolo Moloch havia sido adorado. A adoração a Moloque incluía o sacrifício queimado de crianças, conforme a própria Bíblia testemunha:


"Também profanou a Tofet, que está no vale dos filhos de Hinom, para que ninguém fizesse passar a seu filho, ou sua filha, pelo fogo a Moloch." (Melachim Beit/2 Reis 23:10)


E ainda em Yirmiyahu (Jeremias) 7:31-33:


"E edificaram os altos de Tofet, que está no Vale do Filho de Hinom, para queimarem no fogo a seus filhos e a suas filhas, o que nunca ordenei, nem me subiu ao coração. Portanto, eis que vêm dias, diz YHWH, em que não se chamará mais Tofet, nem Vale do Filho de Hinom, mas o Vale da Matança; e enterrarão em Tofet, por não haver outro lugar. E os cadáveres deste povo servirão de pasto às aves dos céus e aos animais da terra; e ninguém os espantará."


No próprio Sefer Yirmiyahu (Livro de Jeremias), já podemos ver uma certa conexão com o She'ol (o lugar dos mortos), conforme é dito em 19:11:


"E dir-lhes-ás: Assim diz YHWH Tseva'ot: Deste modo quebrarei eu a este povo, e a esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro, que não pode mais refazer-se, e os enterrarão em Tofet, porque não haverá mais lugar para os enterrar."


O local era tido como tão odioso que dizia-se que a única coisa para a qual servia era para se queimar lixo. Tratava-se portanto de um local amaldiçoado.


Guehinom/Guehena: O Inferno


O "vale do filho de Hinom" portanto passou a ser usado como figura de linguagem para o inferno, que também é descrito como sendo um vale. Evidentemente, é a esse vale de sofrimento que Yeshua faz alusão. O "vale do sofrimento" é descrito da seguinte forma no Sefer Chanoch:


"...Este vale amaldiçoado é para aqueles que são amaldiçoados permanentemente: Aqui todos os amaldiçoados se reunirão, aqueles que proferem com seus lábios palavras vãs contra YHWH e falam coisas duras acerca de Sua glória. Aqui serão ajuntados, e aqui será o seu local de juízo." Sefer Chanoch 27:2



Guehinom/Guehena: Segundo a Tradição Judaica


Além desses detalhes, temos as seguintes curiosidades que vêm da tradição judaica. Evidentemente que não podemos tomá-las como verdades absolutas, mas certamente podem contribuir para algum entendimento:


I) A terra é 1/60 do Gan Eden, o Gan Eden é 1/60 do Eden. O Eden é 1/60 do Gehena. Ou seja, pela tradição judaica o Guehinom seria 216 mil vezes maior do que a terra. Detalhe: 216 é 6x6x6. (Pes. 94a).

II) É dividido em sete compartimentos (So ṭá 10b)

III) Seria a fonte do fogo do sol (B.B. 84ª)

IV) Um rio de fogo jorra sobre a cabeça dos pecadores nele ( Ḥag. 13b).

V) O seu fogo nunca se extingue (Ber. 6)

VI) É cheio de madeira para alimentá-lo (Men. 100a)

VII) O fogo do Gehena não é um fogo comum, mas sim 60 vezes mais forte do que o fogo que existe sobre a terra (Ber. 57b).

VIII) Apesar de ser uma imensa massa de fogo, é totalmente escuro (Yeb. 109b)

IX) Contém brasas ardentes para queimar os que praticam lashon hará (Ar. 15b)

X) Clama pelos hereges e por aqueles que se associaram ao poder romano (Av. Zará 17a)


23 Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,

24 deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta.



Essa é uma possível alusão à oferta feita no Yom Kipur. O Yom Kipur (Dia da Expiação) é um dia para reconciliação entre YHWH e o povo de Israel. Contudo, segundo nossos sábios, é preciso antes se reconciliar com a pessoa para com quem pecamos:


O Talmud Bavli em Yomá 85b diz: "O Yom Kipur expia todos os pecados, pás primeiramente tens que reconciliar teus conflitos com os outros."


25 Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão.

26 Amen, e eu te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último shekel.


Apesar do sistema legal judaico aparentar ser extremamente rigoroso, na realidade há muito espaço para o perdão e a reconciliação. De fato, em Sanhedrin 107b, o Talmud recomenda disciplinar com a mão esquerda (ie. a mais fraca) e estender a destra (mais forte), para que a reconciliação seja possível. Em um sistema como esse, o indivíduo pode escolher o caminho a trilhar: quer da rigorosidade, quer da reconciliação.

27 Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.

28 Eu vos digo ainda que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.

O Talmud também traz uma idéia semelhante, dizendo em Kalá 1 que se alguém olhar sequer para o mindinho de uma mulher casada de forma desejosa, é como se com ela cometesse adultério.

À primeira vista, alguém poderia pensar que Yeshua estaria fazendo um acréscimo à Torá. Contudo, na realidade não é isso que ocorre. É preciso entender a mentalidade semita para que o que Yeshua disse faça sentido.

Para entender, é importante saber como o pensamento hebreu classifica a existência: em pensamento, fala e ação.

Dentro desse conceito, qualquer coisa pode vir a existir em qualquer uma das três categorias acima. Podemos trazer algo à existência em nossa mente. O nome mais comum para isso é "imaginação." Ou seja, você concebe em sua mente uma dada realidade. Isso é um nível de existência. Outro nível de existência seria verbalizar a imaginação, proclamando algo. O terceiro seria o trazer a "imaginação" para o mundo físico.

Podemos ver isso na criação. O primeiro momento da existência da criação foi quando Elohim concebeu em sua mente a criação. O segundo foi quando Ele falou "Haja", e o terceiro foi quando efetivamente se deu no mundo físico.

O pensamento impuro seria o pecar no nível do pensamento. É quando se concebe o pecado na imaginação; imaginando-se como seria; permitindo-se conjecturar. Repare que não estamos falando de situações involuntárias. Por exemplo: Se você está num ônibus e vê uma bela moça casada na sua frente e ela te atrai, isso não é ainda um pensamento impuro. É normal na natureza que um homem se sinta atraído por uma bela mulher, assim como é normal sentir fome. O problema é o que você faz com esse "impulso inicial." O "impulso inicial", que não é pensamento, pois está associado a algo absolutamente inerente ao instinto, pode parar por aí (o que é o ideal), ou você pode conscientemente levá-lo ao próximo estágio. É o próximo estágio que é o pensamento impuro.

O que seria o próximo estágio? Seria você começar a nutrir esse sentimento, imaginando-se em situação pecaminosa com ela, alimentando o desejo. Ou seja, você "concebe" o pecado na sua mente. A partir daí, o pecado já existe. Ele não é tão grave quanto o agir, evidentemente. Cada nível de existência torna o pecado gradativamente mais grave, mas

o pecado já existe.

Dentro do nosso exemplo, os níveis de existência do pecado seriam:

0 (Instinto) - Eu vejo uma moça casada e me sinto fisicamente atraído por ela.

1 (Pensamento) - Eu penso em ter relações sexuais com a moça casada, e/ou começo a fantasiar a respeito dela;

2 (Fala) - Eu digo (poderia ser para um amigo, por exemplo): "Como eu gostaria de ter relações com ela!" ou qualquer comentário do gênero.

3 (Ação) - Eu busco me relacionar com a moça

O pecado surge a partir do elemento '1'.

Por isso, Yeshua diz que quem fala (Mt. 5:22), e quem concebe em sua mente (Mt. 5:28), já estão pecando. O pecado já existe, mesmo que ainda não tenha se materializado no campo das ações.

De fato, é preciso cortar o mal pela raíz. Se apenas impedirmos o pecado de passar do 2 para o 3, ou em alguns casos diretamente do 1 para o 3, então estamos nos iludindo. Primeiramente porque o pecado já existe, e em segundo lugar porque é como achar que arrancar os galhos é suficiente para matar uma planta. Não, ela deve ser arrancada pela raíz.

Devemos impedir que um instinto (nível 0 dentro do esquema que apresentamos) encontre solo fértil em nossos pensamentos e se desenvolva.

Como podemos ver, a recomendação de Yeshua está plenamente dentro da Torá. Ao ensinar a própria Torá como princípio, o Mashiach nos instrui sobre o espírito da Torá, nos ensinando a alinharmos nossos propósitos com os do Criador, atuando sobre a origem de todo o mal.

    Data/hora atual: Seg 11 Dez 2017, 18:45