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PORTA estreita e porta LARGA

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Zilton Alencar
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PORTA estreita e porta LARGA

Mensagem por Zilton Alencar em Seg 22 Mar 2010, 16:06

Muitos “apologistas do legalismo” citam constantemente em seus discursos as palavras “porta estreita e porta larga”, associando tais termos às doutrinas (dogmas) de suas denominações, principalmente doutrinas que dizem respeito a usos e costumes.

Acredito que realmente o cristianismo genuíno não é fácil de ser vivido. A nossa fé em Jesus Cristo exige sacrifícios de mudança de conduta, e quando vemos afirmativas bíblicas do quilate de “Segui [...] a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14) entendemos que os processos de transformação de conduta são indispensáveis à salvação, e isto não se consegue sem normas e padrões definidos pelo Senhor para esta santificação. Se o cristão não se esforçar por entrar pela porta estreita, fatalmente entrará pela porta larga, a que conduz a perdição, pois só existem estas duas, de acordo com o Senhor Jesus. Mas o que seriam estas portas, e em que sentido se entra pela “porta estreita”?!

Entende-se que estreito é algo de pouco espaço, que se passa por ali, no mínimo, com alguma dificuldade. Tem que haver um certo esforço, e não é fácil. Se fosse fácil, não seria chamada pelo próprio Senhor Jesus de “porta estreita”. Desta linha de raciocínio, portanto, se conclui acertadamente que ser cristão exige certos sacrifícios em prol de uma vida que reflete a salvação — não no sentido de se conquistar a salvação, uma vez que ela nos foi conquistada unicamente pelos méritos do Cordeiro, e não pelas obras, para que ninguém se glorie (Ef 2:8-9). Mas deste ponto, estes “esforços” e “sacrifícios” quando aliados a uma linha de raciocínio equivocada, dão espaço a princípios legalistas quase sempre relacionados a usos e costumes, muito difundidos através das doutrinas de uso de roupas, acessórios como jóias e bijuterias, cortes de cabelo etc.

Muitas denominações associam a santificação quase que exclusivamente a um padrão de vestimentas e à abstinência de qualquer indício de vaidade, sempre de acordo com os critérios dos idealizadores das doutrinas — tarefa difícil, já que a Bíblia afirma categoricamente que TUDO é vaidade. Segundo esta linha de raciocínio legalista, na ampla maioria dos casos as mulheres não podem usar calças compridas (mesmo os modelos compostos e femininos), não podem cortar os cabelos ou se depilar, nem usar maquiagem, jóias e bijuterias, e os homens não podem usar bermudas, camisetas, não podem usar barba e bigode (apesar de o AT orientar que os homens não devem danificar sua barba) além de outras tantas proibições aplicáveis a ambos os sexos. Segundo os idealizadores destas doutrinas, é neste sentido que o Senhor Jesus orienta-nos a entrar pela porta estreita.

Mas eu convido a todos a analisar a questão sob outro aspecto. Vamos supor, pelo exemplo, que uma pessoa estivesse bem acima do peso, num problema chamado pela medicina de “obesidade mórbida” e tentasse passar por uma porta estreita. Dependendo do tamanho desta porta e do seu grau de “estreiteza”, dificilmente conseguiria. O que esta pessoa deveria que fazer, então? Trocar as suas vestes? Mudar seu tipo de roupa, seu penteado, seu corte de cabelo ou simplesmente desfazer-se de suas jóias e bijuterias e remover sua maquiagem? De que isso adiantaria, e no que facilitaria sua passagem pela porta estreita? Isso não resolveria nada! Esta pessoa ficaria entalada do mesmo jeito, sem conseguir passar! Na verdade, para conseguir passar pela porta estreita ela teria que mudar de dentro para fora! Comer menos, emagrecer, perder peso, não viver mais em glutonarias, comendo desordenadamente, mas esforçar-se por levar uma vida de temperança. Ela teria que negar-se a si mesma, deixar de lado as suas vontades, ser uma nova criatura! Aí sim, perderia peso e passaria pela porta estreita!!!

O que você me diz de uma religião que, para fazer parte dela, a prioridade não seja modificar o caráter? A pessoa pode continuar a fazer fofocas, caluniar o próximo, falar mal de todo mundo, ser arrumador de confusões, invejoso, interesseiro, mentiroso, falso, desonesto, adúltero etc, mas desde que cumpra alguns requisitos exteriores básicos, como não usar bermuda, não usar camiseta, não ir a praia, mulheres não usarem calças compridas, não usarem bijuterias, não cortar o cabelo etc, não tem problema. Cumprindo este simples conjunto de regrinhas a pessoa pode ser batizada nas águas, ser membro, e até futuramente fazer parte do ministério! Responda sinceramente: esta é uma porta estreita, ou é uma porta larga???

Para entrar na porta estreita, eu tenho que negar a mim mesmo, negar as minhas próprias vontades! “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” (Marcos 8:34). Se a pessoa mente, faz fofoca, etc, ela está negando a si mesma?? Claro que não!

Impressiona como algumas igrejas exigem tanto com relação a seus dogmas e suas “doutrinas” a ponto de inúmeras pessoas serem punidas, disciplinadas, suspensas, chamadas em gabinete, e até excluídas da comunhão quando violam regras de usos e costumes, e exigem tão pouco das mudanças realmente fundamentais ao cristão, que são as mudanças do caráter, do “homem interior”. Pessoas que, por exemplo, frequentam praias, usam bermudas ou mulheres que usam uma calça comprida ou cortam o cabelo são imediatamente disciplinados, enquanto fofoqueiros, falsos, mentirosos e desonestos continuam lá, sem nada acontecer com eles. Na verdade, os pastores fazem vista grossa para estes desvios da conduta cristã, que na verdade são mais importantes que qualquer aparência externa.

A narrativa a seguir ilustra perfeitamente esta inversão de valores na Igreja atual. Tenho certeza que você já ouviu algo parecido ao seu redor, quem sabe passou-se até com você! Certo pastor estava em uma confraternização na casa de um irmão, e ouviu um outro irmão comentando com ele: “―Ah, de vez em quando a minha profissão exige que eu conte uma mentirinha... Se eu não fizer isso, não consigo vender, não consigo acalmar meus clientes etc...". Para este irmão, usar uma bermuda ou uma camiseta é o fim do mundo, mas mentir não. Ora, irmão, a porta é estreita! Não vemos em lugar nenhum do Evangelho Jesus e os apóstolos falando contra o uso de certas vertes, mas os vemos falando claramente contra a mentira. Mentir é pecado! Mentiroso é filho do diabo!!! (Jo 8:40).

Vê-se então que é muito mais fácil ser membro destas igrejas do que das chamadas “igrejas liberais”. Basta se adaptar a seus usos e costumes, obedecer cegamente a uma cartilha de não-podes, mas continuar sendo a mesma pessoa que você era no mundo... Você só precisa mudar o exterior! Enquanto isso, os “apologistas do legalismo” nem se dão conta da advertência do Senhor quando disse “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança! Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia” (Mateus 23:25-27). Para Deus, de nada adianta a aparência exterior quando o interior não foi submetido a uma real transformação, na esfera do caráter! Assim, parece que é muito mais fácil obedecer uma lista de regras proibitivas do que modificar radicalmente sua maneira de viver, moldando-se verdadeiramente aos princípios do Evangelho.

A Escritura em várias passagens deixa claro este desprezo divino pela aparência exterior. Na escolha de Davi, o profeta Samuel quase caiu nesta armadilha dos olhos, quando viu Eliabe, filho primogênito de Jessé, e disse que aquele certamente era o ungido do Senhor, mas o Senhor foi categórico: “Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado, porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (1 Sm 16:7). Nos Evangelhos, vemos o Senhor Jesus aproximando-se de uma figueira e não encontrando nela frutos. Certamente, a árvore era frondosa e dona de uma aparência exterior que levaria qualquer pessoa a imaginar que nela existiam frutos, mas não foi o caso. O resultado é conhecido por todos: o Senhor amaldiçoou o vegetal, e ele secou desde a raiz (Mt 21:19). É claro que o nosso Senhor, onisciente, sabia de antemão da ausência dos frutos, mas fez questão de deixar tal relato na sua Palavra Inspirada para que entendêssemos esta verdade absoluta do Cristianismo: a aparência exterior não reflete a verdadeira imagem interior enxergada por Deus, e não podemos valorizar o exterior acima do real existente no íntimo humano.

Todos nós com certeza conhecemos algumas histórias que demonstram que as aparências nem sempre refletem a santidade. Já ouvi inúmeros relatos de “homens de Deus, cheios do Espírito Santo e grandemente usados por Deus em línguas, profecias e sapateados no meio da Igreja” que no aconchego de seu lar são espancadores dos filhos e das esposas, e no ambiente de trabalho dão péssimo testemunho cristão por sua conduta anti-ética, depravada e desonesta. Eu inclusive trabalhei com um destes, há vários anos, que era pastor em uma grande igreja de João Pessoa, dono de uma empresa com muitos funcionários, que gritava dentro da empresa nos momentos de ira, nos momentos de bronca nos funcionários, para quem quisesse ouvir: “Fora da empresa eu sou pastor, mas aqui dentro eu sou o satanás!”. Conheço pastores e obreiros rigorosíssimos que caíram em pecado, e suas vestes sacerdotais e o seu rigor doutrinário não os impediram de cair, por falta de vigilância. Igualmente, conheço inúmeros casos de “mulheres de Deus, vasos do reteté, canelas de fogo”, com seus longos cabelos e em suas compridas saias e suas blusas de longas mangas e sem decotes, que caíram em adultério e fornicação. Mas logo essas pessoas, que jamais imaginaríamos que seriam capazes de tais coisas?? Pois é... As aparências enganam, e se você não sabia disso é porque está lendo pouco a Bíblia, ou tem feito vista grossa aos seus ensinos... É claro que não estamos julgando estas pessoas — tanto que nem citamos seus nomes. Nós mesmos estamos sujeitos a quedas, e rogamos diuturnamente a Deus que “não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal” (Mt 6:13), pois ninguém está imune ao pecado e à queda. Apenas estamos mostrando que a aparência externa nunca foi sinônimo de santidade!

No Sermão do Monte, o Senhor Jesus deixou claro que o Cristianismo verdadeiro não é uma religião de regras, e sim uma vida de princípios. Os fariseus acreditavam piamente que o adultério só existiria se houvesse a sua consumação, e que o assassinato só se configurava com a morte física de uma pessoa provocada por outra. Mas Jesus mostrou que para Deus e em ambos os casos o que vale é a intenção do homem: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que, qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno [...] Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que, qualquer que atentar numa mulher, para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5:21ss). Não adianta nunca ter adulterado de fato, nunca ter matado, mas ter passado toda uma vida de cobiças sexuais e de desejos maus para com o próximo. E todas as demais coisas da vida seguem o mesmo padrão de princípios.

Contudo, o Homo religiosus não consegue viver em liberdade! Faz questão de colocar sua cerviz voluntariamente debaixo de jugos de servidão. Para isso, criam-se normas sem qualquer base escriturística, e dá-se a estas normas um status de superioridade até mesmo diante dos preceitos bíblicos. Não que a vida cristã não seja feita de normas também, mas as normas para o crente estão dispostas na Bíblia Sagrada, e não ditadas pelo homem a seu bel-prazer. Certa vez, chegou às minhas mãos um exemplar de uma Bíblia editada por uma igreja excessivamente rígida com os padrões de usos e costumes. Pois bem: eles adicionaram-lhe um “apêndice”, orientando os seus membros acerca de tudo o que pode e não pode. É de arrepiar! Coisas do arco da velha! Determina-se até a quantidade de tranças que uma irmã pode fazer em seu cabelo, e o que disso passar é pecado e passível de disciplina! Mas acreditem: é mais fácil um homem ou uma mulher cumprir o “apêndice” do que viver o que está escrito no texto sagrado, mudando a sua conduta e os seus padrões de ética!

Concluímos, portanto, o óbvio: entrar pela porta estreita é moldar seu caráter pelos princípios da Bíblia Sagrada, cumprindo as regras e normas nela dispostas. Diante do exposto nas Escrituras, submeter-se a um conjunto de proibições humanas é fichinha! Duro é obedecer aos princípios divinos de conduta!

Os religiosos de plantão são especialistas em criar normas, todas baseadas em suas experiências pessoais, naquilo em que eles crêem e que acham ser o padrão divino para o homem, todas elas frutos de revelações pessoais. Esquecem-se que o padrão divino e a plenitude da revelação do Senhor está na Bíblia Sagrada, e não nos nossos cérebros caídos, como bem afirmou o Senhor: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55:8-9). Por exemplo, se Jesus fosse viver de conformidade com as regras que eu mencionei que foram acrescidas à Bíblia da tal denominação rígida, jamais Ele teria conversado a sós com a mulher samaritana, pois as normas não permitem que um homem fique a sós com uma mulher, exceto se for casado com ela, e muito menos com uma mulher de tal conduta e procedimento (casada com vários homens e na ocasião vivendo com um homem casado); da mesma maneira, jamais Ele teria aceito o derramamento do bálsamo a seus pés por aquela mulher, que como bem observou Simão, seu anfitrião do jantar, era pecadora, e portanto, indigna até se de aproximar do Mestre (Lc 7:36ss)... Graças a Deus que o Senhor Jesus nunca se apegou a estes rompantes de farisaísmo, e nem os prescreveu para a Sua Igreja!

O que tem acontecido no seio da igreja, na verdade, são duas coisas terríveis que têm minado a fé cristã:

Primeiro, estamos valorizando mais COISAS que PESSOAS. Doutrinas, usos, costumes e coisas semelhantes têm ― em nossos dias, em nossas igrejas e em nossa escala de valores ― mais importância que seres humanos amados por Deus, comprados com Seu próprio sangue (At 20:28). Incorrendo neste erro, muitas igrejas e líderes preocupam-se muito mais com coisas efêmeras, como as vestimentas, do que com as pessoas, num claro desconhecimento das palavras do Mestre: "Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestido?” (Mt 6:25b). Esquecem ― ou fingem que não vêem ― que quando Jesus entrou em Jericó e encontrou-se com Zaqueu, os valores da época afirmavam que ele não era digno nem de ser saudado pelo Mestre. O Senhor Jesus, contudo, demonstrou que o homem Zaqueu, o filho de Abraão existente por trás do cobrador de impostos, era mais importante que qualquer juízo de valor existente a seu respeito. O mesmo se aplica à mulher samaritana, à mulher adúltera citada no Evangelho de João capítulo 8 e a inúmeras outras pessoas, que foram recebidas e valorizadas pelo Senhor, independentemente do tamanho e da seriedade de seus pecados.

Segundo, é que as pessoas têm aprendido e se conformado com um outro evangelho, diferente do Evangelho do Senhor Jesus! É o “Evangelho Segundo a Igreja Tal, ou segundo o pastor Fulano”, e não segundo as Sagradas Escrituras. Estes pseudo-evangelhos que brotam por aí como cizânia ensinam que não pode isso, não pode aquilo e nem pode aquilo também, mas fazem vista grossa às pessoas sujas, sem amor ao próximo, mal educadas, fofoqueiras, desonestas, infiéis, traidoras etc. São evangelhos apócrifos que coam mosquitos e engolem camelos. São evangelhos medíocres, fáceis de se seguir, onde o seguidor não tem que fazer esforço nenhum para mudar sua conduta nem negar a si mesmo, mas basta respeitar as regras da denominação ou a visão de santidade de alguém! Muito semelhantes aos fariseus da época de Jesus, que haviam criado um sem número de preceitos complementares à Lei, preceitos estes que já estavam sendo tratados com muito mais respeito que a própria Palavra de Deus. Era assim com as normas do Corbã, criticadas por Jesus porque estavam mais valorizadas que o mandamento de honrar os pais (Mc 7:9-13). Estes “evangelhos” com “e” minúsculo, que afastam o homem da sublimidade das Escrituras, é que são a porta larga, a porta da promessa de entrar no Reino sem uma mudança real de caráter e conduta; basta caiar o exterior, dando uma aparência de santidade, mas o interior pode permanecer como sempre esteve: imundo. São evangelhos pulhas, que invertem os reais valores, que transformam o amargo em doce e o doce em amargo (iS 5:20) e que criam aberrações como: pessoas que, em nome de uma grande oferta para Deus, deixam de cumprir suas obrigações financeiras; que faz com que um grupo de “cristãos” se abrace para orar após o recebimento de dinheiro ilícito; que leva alguém a concluir que ganhar dinheiro na loteria é pecado grave, mas aceita alegremente uma vultosa quantia de dinheiro que apareceu miraculosamente em sua conta pessoal, fruto de um depósito errado, e que alguém pagará pelo erro. Uma porta realmente muito, muito larga!!! Talvez a mais larga e perigosa de todas, pois quem passa por ela tem a sensação de estar servindo perfeita e piamente a Cristo, mas incorre nos perigos relatados em Mateus 7:21-23!

Permitam-me, para fechar este artigo, contar uma experiência pessoal, que retrata muito bem estes erros: há alguns anos eu e minha esposa fomos membros de uma igreja que aparentava ser muito equilibrada e centrada na Palavra. O problema é que, na época, eu era músico profissional, e tocava músicas “mundanas” em bares e restaurantes ― ambientes igualmente mundanos ― e isto levou o líder do louvor, um diácono respeitado na Igreja, a não me acolher na equipe, com a anuência do pastor, já que o meu trabalho profissional não era muito recomendável a um crente... Tentei por várias vezes entrar no grupo, e não fui aceito, primeiro delicada e finalmente indelicadamente. Conformei-me. Afinal, não estava ali para cantar no louvor, e sim para servir a Deus, e o fiz em outros departamentos. Nem mesmo os meus instrumentos e equipamentos eram aceitos no louvor (alguns integrantes pediam emprestado e eu os cedia, mas eram proibidos de ser usados pelo diácono líder do louvor ― afinal, eram “instrumentos de pecado”, indignos de serem usados para o louvor a Deus!). Incoerentemente, contudo, meus dízimos e ofertas ― frutos do meu trabalho “pecaminoso” ― eram aceitos pelo pastor, alegremente, com um sorriso no rosto e sem questionamentos. Depois de algum tempo, e não por estes motivos, mudei de igreja. Mais a frente tomei conhecimento que o tal diácono líder do louvor estava envolvido em inúmeras desonestidades, inclusive em relação às finanças da Igreja. Fica a pergunta: pecado, à luz das Escrituras, é trabalhar com música mundana ou ser desonesto? Não teria Daniel e seus três amigos trabalhado a serviço de Babilônia, sem, contudo, se contaminar com as iguarias do rei?

É a inversão de valores, baseada não no que está escrito na eterna e imutável Palavra de Deus, mas naquilo que o homem pensa e naquilo que lhe é mais conveniente!

E antes que alguém me julgue um libertino, é claro que Deus está interessado nas vestes do crente, senão não teria escrito em Sua Palavra advertências como “Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda os seus vestidos, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas” (Ap 16:15). As vestes também podem refletir a busca do cristão pela santidade, mas o interesse de Deus se baseia nos princípios da discrição e da decência, e não da abstinência cega. O padrão de conduta nos trajes do crente se encontra em 1 Pedro 3: “Não seja o adorno da esposa o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus”. Como cristão, você é LIVRE para escolher qualquer tipo de veste, desde que satisfaçam as exigências de princípios da decência e do pudor, sem jamais esquecer-se que a vestimenta interior é a mais importante de todas!

E muito cuidado com os que ensinam doutrinas humanas para as vestes: “E [Jesus], ensinando-os, dizia-lhes: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestidos compridos, e das saudações nas praças, e das primeiras cadeiras nas sinagogas, e dos primeiros assentos nas ceias; que devoram as casas das viúvas, e isso, com pretexto de largas orações. Estes receberão mais grave condenação” (Mc 12:38-40).



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