A Palavra de Deus afirma que o Senhor Jesus, no início de seu ministério, após uma noite de oração e comunhão com o Pai, chamou dentre os seus discípulos doze homens, pôs-lhes o nome de “apóstolos” e os designou como principais porta-vozes de sua missão na terra, responsáveis diretos pela propagação da Sua doutrina após a Sua partida para o céu (Lc 6:12-16; At 1:1ss). Com a traição e morte de Judas Iscariotes, os demais julgaram conveniente nomear-lhe um substituto, por entender que a escritura designava a necessidade desta substituição (At 1:15-26), e por sorteio escolheram Matias. Algum tempo depois, Saulo de Tarso afirmou que, em visão, o Senhor Jesus o havia designado a ser o apóstolo enviado aos gentios.
O fato é que, após a morte de Paulo e dos doze, ninguém mais evocou para si qualquer título apostólico. Os relatos escritos dos pais da igreja primitiva (aqueles que foram contemporâneos dos apóstolos e aprenderam a seus pés) e dos seus sucessores mostra que nenhum deles evocou este título para si. Nem mesmo quando a igreja católica adotou uma organização clerical com vários títulos (bispos, arcebispos, cardeais...), jamais se cogitou a necessidade de apóstolos para a igreja.
Nos dias atuais, ressuscitaram o cargo apostólico na igreja evangélica, e muitas denominações, mormente as neopentecostais, elevam seus líderes à categoria apostólica. Até algumas denominações mais tradicionais, antes conhecidas por adotar uma linha ortodoxa, passaram a aceitar o ministério apostólico moderno. Algumas delas chegam a afirmar, por boca de seus “apóstolos” numa clara defesa de seus próprios interesses, que é necessário que o crente tenha uma “cobertura apostólica” sobre sua vida, pois sem ela não estaria devidamente protegido em certas áreas.
Não negamos a realidade do ministério apostólico em todo o período da igreja, inclusive no período atual. Paulo afirma que se trata de um dom ministerial, indispensável ao crescimento da obra, e que o próprio Deus separa pessoas para desempenharem esta importante função (Ef 4:11). Os apóstolos eram homens de Deus que tinham por funções principais abrir igrejas, organizar-lhes a estrutura, constituir-lhe a liderança e partir para um novo campo. Acima de tudo, o apóstolo não era um pastor local, e sim um pastor itinerante. Muito diferente daquilo que vemos hoje nos “apóstolos modernos”, muito bem instalados em suas igrejas-sede luxuosas.
O que me assusta não é o ministério apostólico em si, e sim a titularização apostólica, o amor ao status e, no âmago, um ardente desejo de poder e domínio sobre a igreja. Homens e mulheres se denominam e ungem a si mesmos como apóstolos, aparentemente impulsionados por uma irresistível sede de poder, autoridade e prestígio, e passam a ser quase intocáveis no meio de suas denominações.
Permitam-me algumas considerações acerca do título apostólico:
1. Inicialmente, compreendemos que o número dos apóstolos escolhidos por Jesus Cristo não foi casual, e sim proposital. Com isso, Ele nos deixou bem claro que não desejaria um número de apóstolos maior que doze, o que poderia ter sido feito por Ele, no ato da escolha. O número doze é especial nas Escrituras, e visivelmente há uma relação íntima entre o número de apóstolos e as tribos de Israel. No livro do Apocalipse vemos a Nova Jerusalém e seus doze fundamentos, cada um deles com o nome de um dos apóstolos do Cordeiro (Ap 21:14). Nos dias atuais, porém, são incontáveis os homens e mulheres que se denominam apóstolos. Muito mais que doze. No Brasil, já contei mais de vinte. Só no nosso Estado da Paraíba, tenho conhecimento de pelo menos dois! Na internet, já encontrei uma relação dos doze principais do Brasil; os paraibanos não constam na lista. Quantos serão no mundo? E onde encontramos base bíblica para a existência de número superior ao escolhido pelo próprio Senhor?
2. Não há nas Escrituras neotestamentárias qualquer evidência de que os doze deveriam ser sucedidos por outros apóstolos. Mesmo com a morte de um deles, a Bíblia não deixa qualquer indício de necessidade ou obrigatoriedade da substituição do mesmo. Apenas no caso de Judas o colegiado foi completado com a escolha de Matias, unicamente para que se cumprisse a Escritura, ao que parece. A partir daí, entretanto, a morte ou o martírio de um apóstolo não abria precedente para nova nomeação. Com a morte de Tiago (At 12:1-2), por exemplo, a Bíblia não afirma nem deixa margem de conclusão de que novo sorteio ou eleição tenha sido realizado para substituí-lo. Nem mesmo no primeiro Concílio da igreja, em Jerusalém (At 15), quando se reuniram todos os apóstolos e presbíteros, este assunto foi tratado! Teriam eles esquecido de tão importante eleição?
3. Observamos que uma das maiores razões da existência de um grupo de doze apóstolos era a presença de testemunhas da vida de Cristo, sua morte, ressurreição e ascensão ao céu, e na escolha do substituto de Judas este critério foi fundamental e indispensável (At 1: 21-22). Lamentavelmente, nenhum dos apóstolos modernos se enquadra neste prerrequisito. Depreende-se do texto bíblico que o cargo de apóstolo se aplicaria somente aos homens que satisfizessem esta condição; aos demais, resta o ministério apostólico, desprovido do título, desde que o Senhor o tenha concedido este dom ministerial.
4. Mesmo que o relato da escolha de Matias pudesse ser considerado como base bíblica para a escolha de substitutos para um colegiado permanente de doze apóstolos, a mesma fórmula utilizada para a sua escolha deveria ser seguida nos dias atuais: deveriam ser apresentados os candidatos e, por sorteio, o substituto seria escolhido. A coisa, porém, não ocorre assim nos nossos dias. Geralmente, o Pastor Presidente ou o Bispo da igreja é candidato único, escolhido por revelação, revelação que geralmente foi dada a ele mesmo (sic!), fora dos princípios normativos da Escritura. Ademais, há apenas um apóstolo na igreja, ou no máximo dois (na maioria das vezes, coincidentemente, o marido e a esposa!); porque não doze, como era no princípio? Não nos parece uma forma de concentrar o poder na mão de poucos?
5. Após a morte de Paulo e dos doze, ninguém mais na igreja primitiva teve a ousadia de se elevar ao patamar apostólico, no sentido de título. Os pais apostólicos, discípulos diretos dos doze, não se atreveram a reivindicar tal posição. Contudo, sabemos que havia outros apóstolos nos primeiros séculos da igreja, pois a própria Bíblia o afirma. Barnabé, companheiro de Paulo em sua primeira viagem missionária, foi chamado de apóstolo no texto sagrado (At 14:14), mas em lugar algum é contado com os doze. Compreendemos que os apóstolos que não fazem parte do grupo dos doze são apóstolos no sentido ministerial, e não no sentido de cargo eclesiástico. Eram apóstolos, mas eram tratados como pastores, com desempenho ministerial apostólico. Somente os doze eram reconhecidamente apóstolos, e tratados como tal pela igreja. Paulo não foi reconhecido por muitos.
6. O título apostólico, mesmo atribuído aos doze, parece que sempre foi usado criteriosamente, para que seus detentores não caíssem no orgulho ou na soberba por causa de uma posição de primazia. Pedro, um dos principais apóstolos e coluna da igreja primitiva (Gl 2:9) chega a não usar tal título em alguns momentos (1 Pe 5:1), preferindo igualar-se aos presbíteros, numa demonstração inconteste de humildade cristã. O mesmo se aplica a João: tanto em seu evangelho como em suas cartas não se proclama apóstolo, mas discípulo (Jo 13:23-25; 21:20-25) e presbítero (2 Jo 1; 3 Jo 1). Mas a atual sede de títulos leva muitos pastores a não abrirem mão do orgulho de serem chamados por nome tão pomposo.
7. Somente um superior pode ordenar, reconhecer ou ungir alguém a um patamar igual ao seu. No sentido secular, somente médicos podem reconhecer um novo médico, e o mesmo se aplica às demais funções, como enfermeiros, engenheiros, etc. No sentido eclesial, somente um pastor, ou um colegiado, pode ordenar ou reconhecer um novo pastor. Somente presbíteros e superiores podem impor as mãos e reconhecer alguém como presbítero, transferindo-lhe a autoridade de presbítero que já possuem. Os doze primeiros apóstolos foram chamados e ordenados pelo próprio Senhor Jesus, inegavelmente superior a todos nós. Os apóstolos modernos foram ungidos por quais apóstolos? Seria possível alguém ungir a si mesmo, ou chamar pessoas em nível inferior ao apostolado para ungir um apóstolo? Seria válida a ordenação de um pastor feita por um grupo de diáconos? Por muitos anos a igreja evangélica criticou o fundador das Testemunhas de Jeová porque ele se auto intitulou “pastor Russell”, sem ser ordenado por nenhum colegiado pastoral. Hoje, porém, pastores, bispos e apóstolos se auto-intitulam pelo cargo que bem querem e almejam, sem qualquer problema, sem qualquer constrangimento. Obreiros se rebelam contra seus pastores, separam-se da igreja de origem e fundam a sua própria, declarando-se pastores presidentes como se essa fora a atitude mais normal do mundo...
8. Devemos considerar ainda os critérios para reconhecimento de cargo eclesial. Como já vimos, nos tempos atuais, tornou-se fácil alguém se intitular pelo cargo que bem desejar, e não há qualquer critério adotado pelas demais igrejas para o reconhecimento deste título. Observe-se que Paulo passou grande parte de sua vida lutando pelo reconhecimento apostólico equivalente ao dos doze, já que o próprio Deus o havia elevado a este patamar. Nem todos o reconheceram. O próprio Pedro o chama de “irmão”, e não de “apóstolo” (2 Pe 3:15); os apóstolos e presbíteros do Concílio de Jerusalém limitaram-se a chamá-lo de “amado” (At 15:25-26), demonstrando que havia critérios rígidos para um reconhecimento deste quilate. A igreja atual perdeu-os todos! Qualquer pessoa que se intitula apóstolo é quase que unanimemente e imediatamente reconhecida como tal, em nome de um falso respeito interdenominacional. O mesmo se aplica a todas os demais cargos eclesiásticos.
É inegável que a igreja moderna precisa de apóstolos, no sentido ministerial da palavra. Oramos para o surgimento de mais pessoas em nosso meio que se enquadrem num ministério apostólico genuíno e bíblico. Precisamos de homens como Pedro e Paulo, que gastaram suas vidas no ministério de fundar, alimentar, fortificar e estruturar igrejas. Homens que nem sempre são reconhecidos, muitas vezes são apedrejados e sempre perseguidos por causa da obra do Senhor. Lamentavelmente, os “apóstolos modernos” não querem desempenhar mais as mesmas funções, e nem tampouco carregar a mesma cruz que os primitivos apóstolos carregaram (Jo 21:15-19). Abraçam apenas o título, as benesses e as prebendas. E a nós cabe o cuidado de sermos zelosos em relação a eles, observando o alerta solene de Paulo: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz... o fim deles será conforme as suas obras” (2 Co 11:13-15).
O fato é que, após a morte de Paulo e dos doze, ninguém mais evocou para si qualquer título apostólico. Os relatos escritos dos pais da igreja primitiva (aqueles que foram contemporâneos dos apóstolos e aprenderam a seus pés) e dos seus sucessores mostra que nenhum deles evocou este título para si. Nem mesmo quando a igreja católica adotou uma organização clerical com vários títulos (bispos, arcebispos, cardeais...), jamais se cogitou a necessidade de apóstolos para a igreja.
Nos dias atuais, ressuscitaram o cargo apostólico na igreja evangélica, e muitas denominações, mormente as neopentecostais, elevam seus líderes à categoria apostólica. Até algumas denominações mais tradicionais, antes conhecidas por adotar uma linha ortodoxa, passaram a aceitar o ministério apostólico moderno. Algumas delas chegam a afirmar, por boca de seus “apóstolos” numa clara defesa de seus próprios interesses, que é necessário que o crente tenha uma “cobertura apostólica” sobre sua vida, pois sem ela não estaria devidamente protegido em certas áreas.
Não negamos a realidade do ministério apostólico em todo o período da igreja, inclusive no período atual. Paulo afirma que se trata de um dom ministerial, indispensável ao crescimento da obra, e que o próprio Deus separa pessoas para desempenharem esta importante função (Ef 4:11). Os apóstolos eram homens de Deus que tinham por funções principais abrir igrejas, organizar-lhes a estrutura, constituir-lhe a liderança e partir para um novo campo. Acima de tudo, o apóstolo não era um pastor local, e sim um pastor itinerante. Muito diferente daquilo que vemos hoje nos “apóstolos modernos”, muito bem instalados em suas igrejas-sede luxuosas.
O que me assusta não é o ministério apostólico em si, e sim a titularização apostólica, o amor ao status e, no âmago, um ardente desejo de poder e domínio sobre a igreja. Homens e mulheres se denominam e ungem a si mesmos como apóstolos, aparentemente impulsionados por uma irresistível sede de poder, autoridade e prestígio, e passam a ser quase intocáveis no meio de suas denominações.
Permitam-me algumas considerações acerca do título apostólico:
1. Inicialmente, compreendemos que o número dos apóstolos escolhidos por Jesus Cristo não foi casual, e sim proposital. Com isso, Ele nos deixou bem claro que não desejaria um número de apóstolos maior que doze, o que poderia ter sido feito por Ele, no ato da escolha. O número doze é especial nas Escrituras, e visivelmente há uma relação íntima entre o número de apóstolos e as tribos de Israel. No livro do Apocalipse vemos a Nova Jerusalém e seus doze fundamentos, cada um deles com o nome de um dos apóstolos do Cordeiro (Ap 21:14). Nos dias atuais, porém, são incontáveis os homens e mulheres que se denominam apóstolos. Muito mais que doze. No Brasil, já contei mais de vinte. Só no nosso Estado da Paraíba, tenho conhecimento de pelo menos dois! Na internet, já encontrei uma relação dos doze principais do Brasil; os paraibanos não constam na lista. Quantos serão no mundo? E onde encontramos base bíblica para a existência de número superior ao escolhido pelo próprio Senhor?
2. Não há nas Escrituras neotestamentárias qualquer evidência de que os doze deveriam ser sucedidos por outros apóstolos. Mesmo com a morte de um deles, a Bíblia não deixa qualquer indício de necessidade ou obrigatoriedade da substituição do mesmo. Apenas no caso de Judas o colegiado foi completado com a escolha de Matias, unicamente para que se cumprisse a Escritura, ao que parece. A partir daí, entretanto, a morte ou o martírio de um apóstolo não abria precedente para nova nomeação. Com a morte de Tiago (At 12:1-2), por exemplo, a Bíblia não afirma nem deixa margem de conclusão de que novo sorteio ou eleição tenha sido realizado para substituí-lo. Nem mesmo no primeiro Concílio da igreja, em Jerusalém (At 15), quando se reuniram todos os apóstolos e presbíteros, este assunto foi tratado! Teriam eles esquecido de tão importante eleição?
3. Observamos que uma das maiores razões da existência de um grupo de doze apóstolos era a presença de testemunhas da vida de Cristo, sua morte, ressurreição e ascensão ao céu, e na escolha do substituto de Judas este critério foi fundamental e indispensável (At 1: 21-22). Lamentavelmente, nenhum dos apóstolos modernos se enquadra neste prerrequisito. Depreende-se do texto bíblico que o cargo de apóstolo se aplicaria somente aos homens que satisfizessem esta condição; aos demais, resta o ministério apostólico, desprovido do título, desde que o Senhor o tenha concedido este dom ministerial.
4. Mesmo que o relato da escolha de Matias pudesse ser considerado como base bíblica para a escolha de substitutos para um colegiado permanente de doze apóstolos, a mesma fórmula utilizada para a sua escolha deveria ser seguida nos dias atuais: deveriam ser apresentados os candidatos e, por sorteio, o substituto seria escolhido. A coisa, porém, não ocorre assim nos nossos dias. Geralmente, o Pastor Presidente ou o Bispo da igreja é candidato único, escolhido por revelação, revelação que geralmente foi dada a ele mesmo (sic!), fora dos princípios normativos da Escritura. Ademais, há apenas um apóstolo na igreja, ou no máximo dois (na maioria das vezes, coincidentemente, o marido e a esposa!); porque não doze, como era no princípio? Não nos parece uma forma de concentrar o poder na mão de poucos?
5. Após a morte de Paulo e dos doze, ninguém mais na igreja primitiva teve a ousadia de se elevar ao patamar apostólico, no sentido de título. Os pais apostólicos, discípulos diretos dos doze, não se atreveram a reivindicar tal posição. Contudo, sabemos que havia outros apóstolos nos primeiros séculos da igreja, pois a própria Bíblia o afirma. Barnabé, companheiro de Paulo em sua primeira viagem missionária, foi chamado de apóstolo no texto sagrado (At 14:14), mas em lugar algum é contado com os doze. Compreendemos que os apóstolos que não fazem parte do grupo dos doze são apóstolos no sentido ministerial, e não no sentido de cargo eclesiástico. Eram apóstolos, mas eram tratados como pastores, com desempenho ministerial apostólico. Somente os doze eram reconhecidamente apóstolos, e tratados como tal pela igreja. Paulo não foi reconhecido por muitos.
6. O título apostólico, mesmo atribuído aos doze, parece que sempre foi usado criteriosamente, para que seus detentores não caíssem no orgulho ou na soberba por causa de uma posição de primazia. Pedro, um dos principais apóstolos e coluna da igreja primitiva (Gl 2:9) chega a não usar tal título em alguns momentos (1 Pe 5:1), preferindo igualar-se aos presbíteros, numa demonstração inconteste de humildade cristã. O mesmo se aplica a João: tanto em seu evangelho como em suas cartas não se proclama apóstolo, mas discípulo (Jo 13:23-25; 21:20-25) e presbítero (2 Jo 1; 3 Jo 1). Mas a atual sede de títulos leva muitos pastores a não abrirem mão do orgulho de serem chamados por nome tão pomposo.
7. Somente um superior pode ordenar, reconhecer ou ungir alguém a um patamar igual ao seu. No sentido secular, somente médicos podem reconhecer um novo médico, e o mesmo se aplica às demais funções, como enfermeiros, engenheiros, etc. No sentido eclesial, somente um pastor, ou um colegiado, pode ordenar ou reconhecer um novo pastor. Somente presbíteros e superiores podem impor as mãos e reconhecer alguém como presbítero, transferindo-lhe a autoridade de presbítero que já possuem. Os doze primeiros apóstolos foram chamados e ordenados pelo próprio Senhor Jesus, inegavelmente superior a todos nós. Os apóstolos modernos foram ungidos por quais apóstolos? Seria possível alguém ungir a si mesmo, ou chamar pessoas em nível inferior ao apostolado para ungir um apóstolo? Seria válida a ordenação de um pastor feita por um grupo de diáconos? Por muitos anos a igreja evangélica criticou o fundador das Testemunhas de Jeová porque ele se auto intitulou “pastor Russell”, sem ser ordenado por nenhum colegiado pastoral. Hoje, porém, pastores, bispos e apóstolos se auto-intitulam pelo cargo que bem querem e almejam, sem qualquer problema, sem qualquer constrangimento. Obreiros se rebelam contra seus pastores, separam-se da igreja de origem e fundam a sua própria, declarando-se pastores presidentes como se essa fora a atitude mais normal do mundo...
8. Devemos considerar ainda os critérios para reconhecimento de cargo eclesial. Como já vimos, nos tempos atuais, tornou-se fácil alguém se intitular pelo cargo que bem desejar, e não há qualquer critério adotado pelas demais igrejas para o reconhecimento deste título. Observe-se que Paulo passou grande parte de sua vida lutando pelo reconhecimento apostólico equivalente ao dos doze, já que o próprio Deus o havia elevado a este patamar. Nem todos o reconheceram. O próprio Pedro o chama de “irmão”, e não de “apóstolo” (2 Pe 3:15); os apóstolos e presbíteros do Concílio de Jerusalém limitaram-se a chamá-lo de “amado” (At 15:25-26), demonstrando que havia critérios rígidos para um reconhecimento deste quilate. A igreja atual perdeu-os todos! Qualquer pessoa que se intitula apóstolo é quase que unanimemente e imediatamente reconhecida como tal, em nome de um falso respeito interdenominacional. O mesmo se aplica a todas os demais cargos eclesiásticos.
É inegável que a igreja moderna precisa de apóstolos, no sentido ministerial da palavra. Oramos para o surgimento de mais pessoas em nosso meio que se enquadrem num ministério apostólico genuíno e bíblico. Precisamos de homens como Pedro e Paulo, que gastaram suas vidas no ministério de fundar, alimentar, fortificar e estruturar igrejas. Homens que nem sempre são reconhecidos, muitas vezes são apedrejados e sempre perseguidos por causa da obra do Senhor. Lamentavelmente, os “apóstolos modernos” não querem desempenhar mais as mesmas funções, e nem tampouco carregar a mesma cruz que os primitivos apóstolos carregaram (Jo 21:15-19). Abraçam apenas o título, as benesses e as prebendas. E a nós cabe o cuidado de sermos zelosos em relação a eles, observando o alerta solene de Paulo: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz... o fim deles será conforme as suas obras” (2 Co 11:13-15).




