Rsrsrsrs.
Desculpe abençoado irmão Bruno, não tinha reparado sua pergunta. Cliquei agora na propriedade "Avise-me quando uma resposta for postada" para ver se não passo "batido" novamente e também devo não ter atinado no e-mail se recebi o aviso de postagem. De qualquer forma, antes tarde do que nunca. rsrsrsrs.
Já havia escrito um texto sobre o assunto ainda no ano passado e posto abaixo para leitura dos irmãos.
Uma das falhas mais evidentes e comprovadas do TR envole I Jo. 5.7.
I Jo. 5.7 “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um.” Este verso, conhecido com a Comma Johanneum (a cláusula Joanina), também conhecido como “As Três Testemunhas Celestiais”, é uma das falhas contidas no TR. A bíblia Almeida Revista e Corrigida contém o texto, já a Almeida Revista e Atualizada não o contém, e isto tornou-se objeto de discussão entre os defensores do Textus Receptus (TR), base para a Corrigida, e os defensores do Texto Crítico (TC), base da Atualizada. A evidência textual aponta para a rejeição da passagem “no céu, o Pai, a palavra, e o Espírito Santo: e estes três são um” por não constar nos manuscritos gregos mais antigos. Mas, independentemente do texto crítico cunhado por Westcott e Hort, com base nos manuscritos Aleph (Sinaiticus) e B (Vaticanus), que muitos consideram corrompidos (e não se pretende aqui defender o criticismo que também nega o trecho pelo princípio da probabilidade intrínseca), omitir a Comma Joanina, devemos nos ater a história dessa possível inserção e concluir, baseado nos fatos constatados, se realmente é uma inserção ou não! Para isso vale a pena ler a declaração do Dr. Norman Wilbur Pickering, em “Qual o Texto Original do Novo Testamento”, que embora seja um defensor do TR atesta “...99% dos MSS gregos não trazem as 'três testemunhas celestiais'”. Apenas 6 (seis) manuscritos gregos, segundo informa o aparato crítico do Novo Testamento Grego da United Bible Societies, contêm a Comma. São eles: 61, do século XVI; 88, do século XII; 429, do século XIV; 629, do século XIV; 636, do século XV; 918, do século XVI. Sendo que destes alguns omitem alguma parte dela e outros a apresentam como uma nota marginal. Alguns ignoram o fato de que a evidência da escassez e recenticidade dos manuscritos gregos testemunham fortemente em desfavor da autenticidade do trecho, e apelam para Thascius Cecilianus Cyprianus, ou simplesmente Cipriano, nomeado bispo de Cartago em 248 d.C. Autor de "De Catholicae Ecclesiase Unitate" (A Unidade da Igreja Católica), e que tem como um de suas máximas a expressão: “Você não pode ter Deus para seu pai, se não tem a Igreja como sua mãe”. Embora se diga que Cipriano tenha falado, em sua época, a frase que compõe a Comma, não se pode afirmar que ele o tenha feito por conhecimento de algum manuscrito bíblico em grego, aliás, a inexistência de manuscritos gregos, que contenham essa construção, no período em que viveu o Bispo, atesta que ele não o fez baseado em algum texto inspirado. Na verdade a quem afirme que Cipriano é o autor da frase, cunhada em uma de suas homílias e mais tarde usada por um copista como nota marginal nos manuscritos latinos posteriores. Isto parece estar ainda mais evidenciado quando se descobre que nem mesmo os manuscritos da Vulgada Latina anteriores ao ano 800 contêm a Comma. Vale lembrar que Cipriano era Bispo latino, e pelo que se vê ele não leu nem em manuscritos gregos, nem em manuscritos latinos aquilo que se atribui a João em sua primeira epístola. Outra suposta citação das “três testemunhas celestiais” é vista em Cassidoro mais de 200 anos depois de Cipriano. Vale lembrar que enquanto isso os chamados “pais” da igreja estavam debatendo a questão cristológica de forma intensa, e o fizeram sem qualquer menção ao trecho questionado como que atestando sua inexistência. Assim, do ponto de vista historiológico a Comma Joanina partiu de uma nota marginal em um manuscrito latino, vindo a fazer parte da Vulgata já tardiamente e passando, na seqüência, para um texto grego posterior. Ela também não consta em versões antigas do Novo Testamento como a siríaca, a armênia, copta, árabe, etíope e outras. A Bíblia de Jerusalém diz, em nota de rodapé sobre esse trecho, que "O texto dos Vv. 7-8 está acrescido na Vulg. de um inciso [...] ausente nos antigos mss. gregos, nas antigas versões e nos melhores mss. da Vulg., o qual parece ser uma glosa marginal introduzida posteriormente no texto”
O próprio Textus Receptus elaborado por Erasmo de Roterdã, a partir dos textos gregos disponíveis, em sua primeira edição de 1516 não traz, também, a Comma Joanina, nem mesmo na segunda edição que começou a circular em 1519, e somente foi incluída na edição de 1522, por pressão de religiosos da época, que diga-se de passagem já viviam em um mundo completamente romanizado e que entendiam consolidada a doutrina da trinitade. E, embora o tenha feito, os registros informam que Erasmo o fez com ressalvas e sem confiar na autenticidade do único manuscrito grego que lhe foi apresentado constando a Comma, o manuscrito 61. A própria datação do manuscrito apresentado a Erasmo mostra que ele é contemporâneo do erudito, ou seja, sem valor histórico. Portanto, percebemos que se o Texto Crítico fosse elaborado na época das primeira e segunda edições do Textus Receptus, teriam ambos, de forma idêntica, o texto de I João 5.7; sem as “três testemunhas celestiais”. De modo que não é o TC que determina o uso ou não da Comma Joanina, mas os fatos históricos que testemunham em seu desfavor.
Alguns alegam que se retirada as “três testemunhas celestiais” de I Jo. 5.7, produz-se um erro gramatical, mas isso (o erro gramatical) não é incomum nos textos gregos, até porque os escritores tinham graus de conhecimento diferentes da língua o que torna a possibilidade de erro real. A esse título, temos coisas incomuns como, por exemplo, três substantivos femininos reunidas num plural neutro em I Co. 13.13, ou em Ap. 1.13 o uso de “ μαστος” (mama ou peito, donde temos mastologia), a mesma palavra é usada em Lc. 11.27 “Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste.”; ao invés de κολπος (kolpos), seio, peitoral, como em Jo. 13.23. Há ainda casos em que um substantivo feminino foi masculinizado, só para citar alguns exemplos. Assim, também isso não é argumento em favor da Comma Joanina.
Quanto a referência a estudos no texto crítico se faz necessário para uma boa tradução porque os elaboradores do TC tiveram a preocupação de verificar a recenticidade dos manuscritos, origem, evidência externa, evidência interna e vários outros critérios para a elaboração do texto. Isto tem um lado bom e um lado ruim.
Na Paz!
Valdomiro.