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Que perspectivas tem o catolicismo?

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Frei Leonei
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Que perspectivas tem o catolicismo?

Mensagem por Frei Leonei em Ter 06 Jan 2009, 07:16

Três bispos e três livros polêmicos
O ano de 2008 deverá ser lembrado, em ambientes católicos, pelo fato curioso de terem sido publicados, quase simultaneamente, três livros polêmicos que abordam, cada qual sob uma ótica diferente, o papel da Igreja e da própria fé cristã no mundo de hoje. Coincidentemente (ou não?), os respectivos autores são todos bispos eméritos, entre eles dois cardeais de renome internacional. Trata-se, em primeiro lugar, de "Mantenham as Lâmpadas Acesas", publicação póstuma do ex-arcebispo de Fortaleza, Dom Aloísio Cardeal Lorscheider que – em estilo de entrevista - revisita os últimos 40 anos de história eclesial na América Latina e lança desafios contundentes para os cristãos no século XXI. Em seguida, surgem as "Reflexões de um Bispo sobre as Instituições Eclesiásticas atuais", de autoria de Dom Clemente Isnard, bispo emérito de Nova Friburgo, que defende mudanças estruturais profundas no tocante aos ministérios ordenados. E, por último, chega ao Brasil o aguardado livro-entrevista do ex-arcebispo de Milão, Dom Carlo Maria Cardeal Martini, intitulado "Diálogos Noturnos em Jerusalém: Sobre o Risco da Fé", praticamente um convite ao rejuvenescimento da Igreja. O que há de significativo nesta simultaneidade ?
É que ela pode ser um indício de que existe um descontentamento maior, em uma parte do episcopado católico mundial, com a atual política eclesiástica levada a cabo pela Santa Sé. No prefácio à segunda obra acima citada, afirma o conhecido teólogo José Comblin: "Diante da excessiva concentração dos poderes em Roma, é bom que alguns bispos tenham a coragem de dizer o que pensam". Ainda segundo ele, "Dom Clemente expressa o que muitos bispos pensam mas não podem dizer". De fato, Lorscheider (à época da entrevista com 81 anos), Isnard (90) e Martini (80) usaram, em suas considerações, de uma franqueza inusitada nos meios episcopais atuais, sabendo que a idade lhes "confere uma imunidade que não se conhece antes de ser jubilado" (Comblin). Ainda assim, estes "anciãos" da Igreja tiveram que lutar para se fazer ouvir: O opúsculo, de apenas 40 páginas, de Dom Isnard, teve a sua publicação pela editora Paulus vetada pelo Núncio Apostólico, enquanto o livro de Dom Lorscheider não recebeu acolhida nas editoras católicas Paulus, Paulinas e Santuário, por motivos que "O Grupo", responsável pela obra, nunca soube...
Onde se situam, então, os pontos críticos? É impressionante a concordância dos três bispos em torno da possibilidade teológica de, em princípio, mulheres exercerem o ministério sacerdotal na Igreja: O lapidar "não-vejo-por-que-não" de Lorscheider (p.160) encontra seu equivalente na provocação de Isnard: "Se somos todos um em Cristo e não há diferença entre homem e mulher, por que o poder da Ordem só pode ser conferido aos homens?" (p.30). E Martini, como o exímio biblista que é, sentencia: "A condução de comunidades por mulheres é um dado bíblico" (p.136). Também se constata uma preocupação comum no sentido de superar o acentuado eclesiocentrismo que hoje reina nos ambientes católicos: A advertência do cardeal franciscano de que "ser 'Igreja' não significa estar voltado para dentro de si própria, mas para fora" e que "se não houver [...] espírito de abertura ao mundo, nós estaríamos malhando em ferro frio" (p.133), o cardeal jesuíta traduz assim: "Jesus pergunta: 'Quando voltar o Filho do Homem, encontrará fé sobre a terra?'. Ele não pergunta: 'Vou encontrar uma Igreja grande e bem organizada?'" (p.138). Manifestam-se ainda, em todas as obras citadas, um mal-estar com o dirigismo e intervencionismo romanos nas igrejas locais, bem como uma vontade de promover uma eclesialidade baseada no diálogo (e não apenas em pronunciamentos e decretos papais), na confiança recíproca entre clérigos e leigos (e não na suspeita e no controle inquisicional), nos princípios da colegialidade, da subsidiariedade e do ecumenismo. Além disso, sobretudo os dois cardeais continuam insistindo na necessidade da nova geração superar o intimismo espiritual e engajar-se social e politicamente nas realidades seculares, em favor dos mais pobres, doentes, viciados, excluídos, presos.
Quem, nos diversos ambientes eclesiais, ainda não tiver aposentado a reflexão teológica, a capacidade crítica e o desejo de profundas transformações, poderá solicitar o livro de Dom Isnard na Editora "Olho d'Água", em São Paulo, enquanto que as respectivas obras de Dom Aloísio Lorscheider (edUFC) e Dom Carlo Martini (Paulus/PUCRJ) estão à disposição em todas as livrarias católicas de Fortaleza. Se o ano de 2008 já tem sido tão rendoso, o que, então, diremos do próximo em que celebraremos os 100 anos de nascimento de Dom Helder Câmara!?

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Re: Que perspectivas tem o catolicismo?

Mensagem por Devaney em Sex 09 Jan 2009, 19:43

Leonei, confesso que me surpreendi um pouco com a mensagem.

Eu já lhe disse antes que se for para dar a mão a alguém em sinal de identificação, entre um católico, espírita, um ateu, um agnóstico ou uma religião que não mecione o nome de Cristo, com certeza iria estender a mão para o católico, ainda que possamos divergir profundamente em alguns pontos - uns não tão importantes, outros bem importantes.

Diga-me, o que é o pensamento hoje de sua comunidade eclesial sobre algumas mudanças que estão acontecendo no meio católico, a exemplo do que acontece na comunidade conhecida como Canção Nova ?

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Re: Que perspectivas tem o catolicismo?

Mensagem por Frei Leonei em Sex 09 Jan 2009, 21:37

Davaney escreveu: "Diga-me, o que é o pensamento hoje de sua comunidade eclesial sobre algumas mudanças que estão acontecendo no meio católico, a exemplo do que acontece na comunidade conhecida como Canção Nova?"

Há comunidades eclesiais e comunidades eclesiais. A comunidade eclesial que participo e atuo não tem muito ou quase nada haver com a Canção Nova.

A Canção Nova está compromissada com o movimento RCC, enquanto nós aqui não temos nada de ligação com a RCC. O Franciscanismo em sua raiz mais radical é muito pé no chão e conra os tipos cristãos genéricos. Corações ao algo, joelhos no chão, mas esquecem dos irmãos.

Nós aqui em Palhoça SC temos um trabalho emergente com os necessitados, acolhemos para morar conosco como família os mendigos, moradores de rua, dependentes químicos, lhes damos parte de nossas vidas e o principalmente recuperamos a sua dignidade com projetos eficazes, pois o amor se organiza.

Eu acredito neste trabalho, acredito que a opção pelos pobres que está elucidada em Lc 4,16-20. É o sinal da Igreja que clama e que responde as necessidades do seu rebanho.

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Re: Que perspectivas tem o catolicismo?

Mensagem por Devaney em Sab 10 Jan 2009, 15:18

As diversas ordens (franciscanos, beneditinos) recebem bem a RCC, apesar de não concordarem diretamente ?

Eu sei que a TFP detesta os carismáticos... se bem que a TFP não topa um monte de coisas, tal como o Concílio Vaticano II.

Eu ouvi dizer que o Agnus Dei também não topa dons espirituais.

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Re: Que perspectivas tem o catolicismo?

Mensagem por Frei Leonei em Sab 10 Jan 2009, 15:49

Davaney. Teríamos que abrir um tópico específico para tratar a questão RCC. A RCC é um movimento, nem todos aderem e nem são obrigados a aderirem e isso é livre dentro das ordens mendicantes (franciscanos e dominicanos) ou beneditinas.

Tradição Família e Propriedade, não é balança para nada, só mais uma linha de radicais, mas não são só eles que negam as mudanças, há os sedevacanistas que são piores ainda, o tal de Montfort é um deles.

Muitos da RCC estão abertos as orientações da Igreja, outros querem mediação direta com Roma e também abominam as resoluções da CNBB. Estes dias falei com um menino que dizia que a Igreja na América Lantina não é fiel à Roma. Tem gente para tudo. Quando a RCC de deixa iluminar pelas orientações eclesiais de suas paróquias, fazem progressos. Por aqui, por exemplo, eu vi os membros da RCC estudando doutrina social da Igreja. Novos tempos novas exigências. Quanto aos dons espirituais, eles são carismas dados, mas a comprreensão que deles se fazem é que é um problema. Para alguns não basta a efusão do Espírito Santo concedida pelo Bispo sob a imposição das mãos que para nós é um sacramento e ai ficam desafiando a hierarquia católica com batismos de todos os tipos.

A última impressão que tive ou o último contato que tive com membros da RCC não foi nada amistoso, na verdade detestei. Um casal de carismáticos nos pregou um retiro. Sua boa vontade era grande, mas parece que se nós não chorássemos não era oração convicta, não gostei. Se não chorar então está com o coração duro. É locura destes lokos.

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Re: Que perspectivas tem o catolicismo?

Mensagem por Devaney em Dom 11 Jan 2009, 21:14

Vi que você abriu um tópico novo sobre o assunto e vou postar nele. Queria porém saber como são tratados os relacionamentos dentro da ICAR, pois quando entro no site do Montfort, noto um discurso muito forte, quase que em tom excomungatório, para a RCC. Isso chega a soar para mim algo mais forte do que uma divisão denominacional que vemos na Igreja evangélica. Mas evidentemente, nos evangélicos o nome troca, coisa que não acontece na ICAR.

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Re: Que perspectivas tem o catolicismo?

Mensagem por Pereira em Sab 28 Nov 2009, 09:34

O amado diz: "Dom Clemente expressa o que muitos bispos pensam mas não podem dizer"

De fato, só assim este sistema permanece.
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